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16 DE DEZEMBRO DE 2022

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Foram 160 os que puseram termo à vida nos últimos 20 anos — 160! É um número que devíamos recordar

e que nos deve envergonhar a todos. Seis vezes por dia, em média, um polícia é agredido — repito, seis

vezes por dia.

Eram estes números que devíamos ter em conta antes de encher as narrativas da comunicação dizendo

que os polícias são racistas, que há abuso policial e que vivemos num País em que os polícias fazem o que

querem, quando homens e mulheres tiram a vida porque já não conseguem mais, porque não veem mais luz

ao fundo do túnel, porque as suas vidas se tornaram numa miséria incapaz de fazer face à miséria humana de

que estão rodeados, em esquadras alagadas e eles com botas e com todo o equipamento que tenham a tentar

fazer por nós alguma coisa.

Percebemos que falhámos todos a esses polícias, mas há quem tenha falhado mais. O sistema que

governou o País entre PS e PSD durante 47 anos deixou os polícias completamente órfãos e sem qualquer

apoio. Pediram-lhes tudo: que defendessem as nossas casas, as nossas terras, as nossas famílias, que

defendessem este Parlamento. Mas não lhes deram nada em troca, nem lhes deram a dignidade de que

precisavam. Quando há um único caso — um único caso! —, fazemos disso uma tempestade de areia,

dizendo que os polícias são os maiores racistas do mundo e que isto tem de se combater. Mas, quando um

polícia se suicida, ninguém vem a terreiro pedir justiça e dignidade.

É a maior vergonha desde o 25 de Abril de 1974. Homens e mulheres de farda, aqueles que ainda seguram

a ordem constitucional que temos hoje, são os primeiros a ser atacados por esta ordem constitucional. E isso

devia envergonhar-nos a todos.

Aplausos do CH.

Sr. Presidente, Srs. Deputados, o que trazemos hoje aqui é muito simples de perceber. É restaurar a

dignidade da função policial, restaurar a dignidade daqueles que lutam por nós e que dão a vida pela nossa

segurança. Uns, como sempre, vão olhar para o lado, dizer que estão a fazer um cordão sanitário e que se

orgulham disto. Outros, de mão dada com quem manda, dirão que ainda não é o tempo, não é o momento, e

será quando Deus quiser, ou nunca. Outros, porque são liberais ou comunistas, dirão que a polícia não pode

abusar da sua autoridade e que têm de conter o exercício abusivo da força policial.

Infelizmente, ficaremos apenas com uma parte do País a reconhecer o trabalho incrível e insubstituível

destes homens e mulheres. Sim, queremos que sejam cidadãos cumpridores, queremos que tenham de

cumprir a lei e a Constituição, mas queremos também que a lei e a Constituição os reconheçam como aquilo

que são: os verdadeiros heróis deste País. São os heróis que nós, no Chega, nos orgulhamos muito de ter e

de representar, diga a comunicação social e diga o PS o que quiser. São os nossos heróis! Lutaremos por eles

e continuaremos a lutar por eles até ao fim!

Aplausos do CH, de pé.

O Sr. Presidente: — O Sr. Deputado tem um pedido de esclarecimento. Para formulá-lo, tem a palavra a

Sr.ª Deputada Ofélia Ramos, do PSD.

A Sr.ª Ofélia Ramos (PSD): — Peço desculpa, Sr. Presidente, estou inscrita para uma intervenção, mas

não por essa ordem. Primeiro haverá uma intervenção do Sr. Deputado Joaquim Pinto Moreira, seguindo-se a

Sr.ª Deputada Mónica Quintela, depois eu, novamente a Sr.ª Deputada Mónica Quintela e, no final, fará uma

intervenção o Sr. Deputado André Coelho Lima.

O Sr. Presidente: — Muito obrigado pelo esclarecimento, Sr.ª Deputada.

Nesse caso, o Sr. Deputado André Ventura não tem nenhum pedido de esclarecimento.

O Sr. Pedro Pinto (CH): — É sinal de que perceberam tudo!

O Sr. Presidente: — Para a apresentação dos projetos de resolução da Iniciativa Liberal, tem a palavra a

Sr.ª Deputada Patrícia Gilvaz.

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