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I SÉRIE — NÚMERO 69

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O Sr. Presidente (Adão Silva): — Tem de concluir, Sr. Deputado.

O Sr. Paulo Pisco (PS): — Sim, Sr. Presidente.

A verdade é que Portugal e a União Europeia não se têm coibido de tomar as posições que acham adequadas

relativamente a múltiplas dimensões das relações com a China, que é uma grande potência e um parceiro

estratégico para a União Europeia e para Portugal.

A lógica do confronto inconsequente com as nações não é benéfica para ninguém, nem será esse o nosso

caminho.

Aplausos do PS.

O Sr. Rodrigo Saraiva (IL): — Estão a aplaudir campos de concentração!

O Sr. Francisco César (PS): — Não exagere!

O Sr. Bernardo Blanco (IL): — É uma vergonha!

O Sr. Presidente (Adão Silva): — Para uma intervenção pelo Grupo Parlamentar do PSD, tem a palavra o

Sr. Deputado Tiago Moreira de Sá.

O Sr. Tiago Moreira de Sá (PSD): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Os decisores políticos são

muitas vezes obrigados a recordar a injunção do Cardeal de Richelieu, segundo a qual os Estados não têm

imortalidade e a sua salvação é agora ou nunca. Não possuindo uma alma imortal, os Estados não devem estar

constrangidos pelos ditames da ética e da moral.

Estamos no campo da dicotomia realismo e idealismo, dominante nas relações internacionais. Os idealistas

veem o mundo como queriam que ele fosse e não como ele é, o que leva à adoção de políticas erradas que

muitas vezes acabam mal; os realistas veem o mundo como ele é, esquecendo como deveria ser, e, ao fazê-lo,

não compreendem a mudança e nunca mudam nada.

O completo realista demite-se das responsabilidades da escolha, abandonando-se à inexorável lógica da

causalidade histórica. O completo idealista despoja-se dos meios de compreender a realidade, abandonando-

se a fantasia dos seus ideais.

O idealista confunde a viagem com a estrada por onde caminha. O realista, olhando apenas para a estrada,

não vê para onde vai.

Vozes do PSD: — Muito bem!

O Sr. Tiago Moreira de Sá (PSD): — Os projetos de resolução apresentados pela Iniciativa Liberal e pelo

PAN inscrevem-se na tradição idealista das relações internacionais. Esta tem o mérito de permitir sermos fiéis

aos nossos princípios e oferece-nos a oportunidade de recuperarmos a nossa superioridade moral na defesa

dos nossos valores fundamentais. Todavia, temos de admitir que os Estados se relacionam num sistema

internacional anárquico e que, por isso, têm, acima de tudo, de defender os seus interesses pois, se não o

fizerem, não há mais nada nem ninguém para fazê-lo por eles.

Sem abdicarmos de ser idealistas, devemos olhar para a questão suscitada por estes projetos de resolução

com realismo, levando em consideração os interesses de Portugal e o lugar que neles ocupa a China.

É inegável que se vivem hoje tempos cruciais de transição de poder no sistema internacional. Os Estados

Unidos e a China assumem-se cada vez mais como as duas únicas grandes potências mundiais, e nenhum país

pode ser imune aos efeitos dessa mudança sistémica.

Não podemos ignorar os factos. A China é a segunda maior economia mundial, com enorme poder de

projeção dos seus interesses económicos a nível global. Na sua relação com Portugal, a China é o quinto país

que mais investe na economia portuguesa, representando 6,8 % do total de investimentos e ficando bem à frente

de países como, por exemplo, os Estados Unidos.

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