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I SÉRIE — NÚMERO 69

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públicos em que Alberto Coelho estava presente como jurado, este Ministro que aqui temos manteve confiança

inabalável neste homem.

As obras no hospital militar custaram o triplo do que deveriam ter custado, passando de 700 000 € para 3

milhões de euros, algo que um Ministro da República achou que não devia ver, ou não quis ver, ou entendeu

que não o devia fazer. Houve contratos que foram mantidos confidenciais sem nenhum segredo militar ou

segredo de Estado. Houve relatórios e perícias enviados ao Ministério Público seis meses depois de terem sido

conhecidos e enviados a outras entidades.

O Sr. Pedro Pinto (CH): — Muito bem!

O Sr. André Ventura (CH): — Hoje, o Sr. Ministro que aqui está não tem de responder só perante este

Parlamento, tem de responder perante os portugueses. Como é possível que uma obra para receber doentes

assintomáticos ou ligeiros da covid-19 tenha passado de 700 000 € para 3 milhões de euros? Tudo neste dossiê,

como noutros que hoje apresentaremos, tudo, cheirava a suspeita, aparentava suspeita e, de uma forma ou de

outra, encenava a suspeita que a Polícia Judiciária viria a confirmar.

É verdade, Srs. Deputados e Sr.as Deputadas, que, até ao dia de hoje, nenhum destes homens ou mulheres

foi condenado pela justiça e, tanto quanto sabemos, este Sr. Ministro não está no alvo desta operação. Mas foi

o Ministro João Cravinho que, contra todas as evidências, contra as inúmeras questões da oposição, contra as

consecutivas chamadas de atenção por parte deste Parlamento, decidiu manter confiança…

O Sr. Pedro Pinto (CH): — Muito bem!

O Sr. André Ventura (CH): — … em homens nos quais sabia — e não podia desconhecer, porque eram

muitos os relatórios — que não a podia manter.

Aplausos do CH.

Hoje, vamos sabendo a conta-gotas de um circuito e de um esquema, montados dentro da Direção-Geral de

Recursos da Defesa Nacional, de milhões e milhões de euros, tudo com o beneplácito ou a cumplicidade de

João Cravinho.

João Cravinho é, hoje, Ministro dos Negócios Estrangeiros, mas, antes de sair, nomeou este mesmo homem

para uma outra empresa na área da Defesa, quando já se sabia que a sua gestão não era outra que não a de

acumular prejuízos, desvios e verbas pouco claras, mesmo à luz do Tribunal de Contas.

O que temos hoje aqui, Sr. Presidente e Srs. Deputados, é um caso típico de como o poder se protege a si

próprio e de como, em muitas circunstâncias, num Estado de direito democrático, é difícil que um ministro seja

chamado à responsabilidade. Mas o Chega queria que este debate de hoje fosse uma possibilidade para o

Ministro João Cravinho — que evitou, que fugiu a dar esclarecimentos — dar explicações, aqui, hoje.

Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sr. Ministro, dirijo-me a si pessoalmente para lhe fazer uma pergunta, à qual

esta Câmara gostaria de saber se é hoje que vai responder perante os portugueses: quando é que teve

conhecimento da derrapagem financeira das obras no Hospital Militar de Belém?

O Sr. Pedro Pinto (CH): — Muito bem!

O Sr. André Ventura (CH): — Deu ou não autorização para que o valor destas obras triplicasse? Disse a

quem tinha responsabilidade para avançar, e cito, «a todo o gás»? É ou não verdade, Sr. Ministro, que, quando

já conhecia os resultados da auditoria, considerou Alberto Coelho idóneo e o homem certo para nomear para a

ETI (Empordef – Tecnologias de Informação), uma empresa na área da Defesa, no âmbito de dinheiros públicos?

E a pergunta que, hoje, os portugueses colocam é esta: porque é que alguém que não tinha competência ou

idoneidade para ser diretor-geral na Defesa pôde ser nomeado administrador de uma empresa na área da

Defesa?

O Sr. Pedro Pinto (CH): — Ora aí está!

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