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I SÉRIE — NÚMERO 90

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condignamente, pela construção de um hospital que congregue todos os serviços que permitam dar resposta

adequada — ontem já era tarde!

Depois de muitos anos de desentendimentos, em 2021, foi dado um passo em frente pelos municípios da

região Oeste, com a realização de um estudo com o objetivo de apontar a melhor localização para o novo

hospital do Oeste através de uma entidade externa independente e da máxima reputação, como é a

Universidade Nova de Lisboa.

Ora, depois deste importante trabalho, que também foi da comunidade intermunicipal e que certamente

será tido em conta na decisão do Governo, não poderá ser o bairrismo a deitar tudo por terra e a deixar os

utentes do Centro Hospitalar do Oeste (CHO) entregues a um serviço incapaz de dar resposta à região.

Ao dia de hoje, qualquer comportamento que venha a colocar em causa este processo não está a defender

a saúde da população da região, mas sim a hipotecar o trabalho de anos e a atrasar ainda mais uma resposta

que os oestinos merecem.

Temos de respeitar o normal desenrolar deste processo, com bom senso, com espírito de abertura, com

consenso e com a verticalidade necessária. É mesmo tempo de todos os autarcas, de todos os representantes

políticos do Oeste terem a coragem de colocar em primeiro lugar o acesso à saúde na região, deixando de

parte o bairrismo que em nada contribui para a existência do tão esperado hospital do Oeste.

Isto porque sabem quem sofre? Quem sofre, no final, perante este bairrismo, são os utentes das Caldas da

Rainha, de Torres Vedras, são os utentes de todos os municípios servidos pelo Centro Hospitalar do Oeste.

Esse bairrismo dos últimos 20 anos tem sido a causa de não termos ainda, no nosso Oeste, um hospital

adequado aos dias de hoje. Querem os autarcas, querem todos os eleitos pela região Oeste, ficar com o ónus

de inviabilizarem ou atrasarem a construção do novo hospital do Oeste?

Pois saibamos todos, na região Oeste, aceitar, com serenidade, com responsabilidade, com elevação, em

prol da região Oeste, a decisão da rápida construção de um hospital digno e capaz de prestar uma boa

assistência a todos. Que não estrague o bairrismo o que a união e o sentido de responsabilidade têm feito até

agora.

Aplausos do PS.

O Sr. Presidente (Adão Silva): — Para pedir esclarecimentos, pelo Grupo Parlamentar da Iniciativa Liberal,

tem a palavra a Sr.ª Deputada Joana Cordeiro.

A Sr.ª Joana Cordeiro (IL): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, Sr. Deputado Hugo Patrício Oliveira,

agradeço-lhe por ter trazido este tema, que nos permite falar de transparência.

A decisão sobre a construção do novo hospital — da sua pertinência, da sua localização — deve ser,

sobretudo, técnica e não política, garantindo que todas as variáveis necessárias para uma decisão informada,

consciente e objetiva são avaliadas. Por exemplo: se existem ganhos com a abertura do novo hospital, quais

são as necessidades da região, quais são as respostas para essas necessidades, qual é a oferta disponível de

cuidados de saúde nos vários setores — público, privado ou social —, qual a distância, qual o tempo de

deslocação, quais as acessibilidades.

Neste sentido, importa que sejam realizados estudos independentes, sem qualquer tipo de influência

política e desprovidos de quaisquer outros interesses que não os interesses das populações.

Com a construção de um novo hospital, o que temos de garantir é que as pessoas tenham efetivamente

mais acesso a cuidados de saúde, e que esse acesso seja feito com qualidade e com mais segurança.

O Sr. João Dias (PCP): — Para a IL é bom se for privado!

A Sr.ª Joana Cordeiro (IL): — Depois, obviamente, temos de garantir que, no novo hospital, existem os

meios necessários para que o hospital funcione: que tenha profissionais de saúde em número adequado; que

esses profissionais de saúde tenham condições de trabalho adequadas e atrativas; que os gestores

hospitalares tenham autonomia de gestão para conseguir resolver problemas. Mas esta é toda uma outra

discussão.

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