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17 DE FEVEREIRO DE 2023

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O Sr. Duarte Pacheco (PSD): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, Sr.ª Deputada Sara Velez, a sua

intervenção e também algumas que a antecederam, incluindo da minha bancada, são um mau serviço ao

Oeste e um mau serviço para as populações do Oeste.

Durante anos, constatámos que não há condições de saúde capazes na região. O acesso à saúde não é

aquele que é desejável e não há condições para que os profissionais de saúde possam desenvolver a sua

atividade, como devem.

Sei que fazem o seu melhor. Tenho essa experiência. Repetidamente, o meu pai esteve internado em

Torres Vedras. O meu filho esteve internado em Torres Vedras. Passei lá muitas noites e sei da dedicação dos

profissionais. Não falo por ver ou por ouvir, falo por ter sentido. É necessário um novo centro hospitalar.

Sucessivos Governos — porque esta realidade e esta necessidade não são de ontem — não estiveram à

altura de tomar a decisão no momento certo. Uma das razões foi sempre a falta de entendimento, na região,

sobre onde se vai localizar o novo hospital.

Vocês não se entendem, e assim a decisão foi adiada sine die. Quem perdeu? As populações.

Finalmente, parecia que o bom senso tinha chegado aos autarcas: tinham encomendado um estudo a uma

entidade independente e esperava-se que a seriedade desses autarcas fosse até ao final, ou seja, que

respeitassem o resultado do estudo. Mas não, infelizmente, não foi isso que aconteceu.

Posso dar-lhe o exemplo da câmara de Torres Vedras, que é do maior concelho, que não é liderada pelo

meu partido, mas que teve a hombridade de dizer: «Somos o concelho com a maior população, temos a maior

dinâmica económica, mas estamos disponíveis para que, em torno do consenso, o hospital não fique em

Torres Vedras, mas no Bombarral.» Aqui se vê que há pessoas que são grandes e outras que são

simplesmente Deputados ou autarcas de bairro.

É por isso que lamento muito a sua intervenção, Sr.ª Deputada.

Espero que o Governo tome a decisão em tempo oportuno e que não a adie porque, se voltar a ser adiada,

isso há de pesar na consciência também dos que aqui estiveram hoje a intervir.

Aplausos do PSD.

O Sr. Presidente (Adão Silva): — Dou, agora, a palavra ao Sr. Deputado João Dias, do Grupo Parlamentar

do PCP.

O Sr. João Dias (PCP): — Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sr.ª Deputada Sara Velez, de facto, é assim

que este hospital nem sequer chega ao papel.

O Sr. Duarte Alves (PCP): — Exato!

O Sr. João Dias (PCP): — A verdade é que muitas vezes temos muitos projetos que não saem do papel,

mas este nem ao papel chega!

É assim que, tristemente, assistimos, até dentro do mesmo grupo parlamentar, a uns Deputados a

defenderem uma localização e outros a outra,…

O Sr. Pedro Pinto (CH): — No PCP não é assim! Falam todos com a mesma voz! Lá isso é verdade!…

O Sr. João Dias (PCP): — … não por interesse da população, mas por meros interesses que percebemos

que sejam de outra natureza, nomeadamente os eleitoralistas, o que não fica bem.

Sr. Deputado João Nicolau e Sr.ª Deputada Sara Velez, o PCP levanta esta questão — que é o que conta,

mais do que discutir agora a localização — para discutir a construção efetiva, porque, para a construção,

precisamos de dinheiro, de verba.

Quando o PCP propôs os 8 milhões de euros para este Orçamento do Estado para 2023, o PSD votou

contra, não os aprovou, num total de 172 milhões euros. É que, sem esta verba, não é possível. Este é um

passo fundamental!

Outra coisa que não se pode admitir é que façamos o que o Sr. Deputado João Nicolau aqui veio fazer, que

é dizer que a responsabilidade e a culpa de não se ter o hospital é das autarquias, quando a decisão é do

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