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I SÉRIE — NÚMERO 111

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O Sr. Rodrigo Saraiva (IL): — Penso que há um consenso nesta Casa, e ninguém discordará: de facto,

temos um problema de desertificação, um problema de um território que está inclinado para o litoral. Estamos

de acordo. E, acho que também estaremos todos de acordo, esse problema seria bem pior se não tivéssemos

tido a implementação de uma dinâmica e de algumas instituições, que foram os institutos politécnicos, por

esse País fora.

O que seria de Bragança ou Portalegre, para dar dois exemplos mais paradigmáticos, se não tivessem tido,

há uns anos, a implementação dos seus institutos politécnicos e também de algumas universidades?

O Sr. Rui Tavares (L): — Ou seja, o que seria sem o Estado? O que seria sem políticas públicas?

O Sr. Rodrigo Saraiva (IL): — Olhemos para o distrito de Castelo Branco. O que seria do distrito de

Castelo Branco se a sua capital não tivesse um instituto politécnico, ou se não tivesse o polo em Idanha? Ou,

se não existisse a Universidade da Beira Interior, na Covilhã, o que é que teria sido da Covilhã? O problema

seria bem pior.

Portanto, são um bom exemplo de como organismos, neste caso organismos públicos, estando no interior,

criam toda uma dinâmica não só de fixação de quem lá nasceu e de quem lá reside, como de levar pessoas

para essas localidades.

O Sr. Rui Tavares (L): — Ou seja, o que seriam sem políticas públicas?

O Sr. Rodrigo Saraiva (IL): — Voltando ao exemplo de Castelo Branco, se não sabem, houve muitos

portugueses, jovens portugueses, que não eram de Castelo Branco, foram estudar para lá, para a Escola

Agrária,…

O Sr. António Monteirinho (PS): — E a Guarda?

O Sr. Rodrigo Saraiva (IL): — … depois integraram os quadros de uma empresa que existia lá e que é

uma multinacional, a Danone, e, hoje em dia, estão por esse mundo fora e são altos quadros dessa

multinacional.

Portanto, trata-se de uma boa dinâmica, também, de como não só, durante um tempo, se criam bons

resultados nessas regiões, nessas localizações, mas também se potencia aquele que é o talento português

por esse mundo fora.

Depois, foi engraçado, porque ouvi algumas intervenções dos Deputados do Partido Socialista que foram

falando, nomeadamente de dois ex-autarcas, mas não tocaram num ponto. E eu fiquei: «Bem, se calhar vão

ter algum pudor e não vão falar da questão que outros Deputados estavam a referir, que é a preocupação com

os trabalhadores: como é que ficam os trabalhadores destes organismos que a Iniciativa Liberal propõe

deslocalizar?»

Não estavam a tocar nesse ponto, estavam outros partidos, até que o Deputado Eduardo o focou e não

teve esse cuidado. É uma hipocrisia estarem a vir demonstrar preocupação com os trabalhadores destes

institutos cuja deslocalização estamos a propor, quando estão a fazer aquilo que estão a fazer aos

trabalhadores do SEF.

É que os trabalhadores do SEF já nem querem perguntar para onde é que vão, é quando é que vão. Como

se isso não fosse suficiente, ontem, numa reunião que tiveram com os representantes dos trabalhadores do

SEF, deram-lhes uma novidade: também podem ir para a Autoridade Tributária. Os trabalhadores do SEF já

não querem saber para onde vão, é quando!

Portanto, sim, é preciso fazer um processo para essas coisas e ter cuidado com os trabalhadores, e

algumas das preocupações que foram transmitidas em várias intervenções foram relativas aos trabalhadores,

àquela que é a realidade dos organismos, à prestação dos serviços aos cidadãos, ao sentido das localizações,

aos critérios, aos impactos financeiros — quase parece que a Iniciativa Liberal já está no Governo, muito

obrigado a todos.

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