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I SÉRIE — NÚMERO 112

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Mas, se é um setor que merece respeito, é um setor que não tem recebido respeito nenhum, sobretudo

porque está dependente de um ministério que é gerido por alguém cuja conduta se pauta pela maior

incompetência, alguém que não consegue pôr o Portugal 2020 a ser executado — haverá centenas de milhões

de euros desperdiçados no PDR —, alguém que não consegue programar o Portugal 2030.

Protestos do PS.

O PEPAC foi aprovado tarde e vai ser mal aplicado. Além disso, não consegue pôr a funcionar o Programa

Nacional de Regadios nem sabe o que há de fazer à EDIA (Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do

Alqueva), quando a água é absolutamente essencial não só para a agricultura, mas também para as famílias

que possam beneficiar dessas capturas.

Para mais, não consegue perceber a loucura que foi — ainda há 15 dias falámos disso aqui — voltar a ter a

Casa do Douro constituída em grémio corporativo público e de inscrição obrigatória. Como se aquilo que

descobrimos agora, todos os dias, sobre a TAP não nos dissesse que entregar os produtores do Douro à gestão

pública não vai ser uma autêntica catástrofe.

Vozes da IL: — Muito bem!

O Sr. João Cotrim Figueiredo (IL): — Temos, então, um ministério entregue a uma ministra incompetente,

que tem pouco jeito para a matéria e ainda menos força política.

Aliás, é por não ter força política nenhuma que o Sr. Primeiro-Ministro se sentiu à vontade para a desautorizar

completamente.

Na verdade, neste pacto com os distribuidores e produtores de bens alimentares, o Primeiro-Ministro

negociou diretamente os apoios aos produtores e, mais, reverteu a famosa delegação, a transferência das DRAP

para as CCDR, completamente à revelia da ministra.

Portanto, a pergunta que gostava de fazer, Sr. Deputado, é a seguinte: porque é que acha que o Partido

Socialista e o Governo do Partido Socialista se dão ao luxo de tratar a agricultura com tanta falta de respeito? É

porque a agricultura é uma coisa muito básica, do passado, que os urbano-depressivos que mandam no PS não

percebem?

A Sr.ª Presidente (Edite Estrela): — Peço-lhe que conclua, Sr. Deputado.

O Sr. João Cotrim Figueiredo (IL): — Vou concluir, Sr.ª Presidente.

Ou é porque as regiões do interior e mais rurais dão poucos votos e isso não interessa? Ou é porque a

agricultura e os agricultores sempre foram cordatos e não faziam muito barulho e, por isso, não era preciso ligar

muito?

É porque, se for por este último motivo, Sr.ª Presidente, ainda bem que os agricultores vieram para a rua,

ainda bem que se fizeram ouvir. A nossa solidariedade está com eles e espero que isso seja o fim desta

desculpa.

Aplausos da IL.

A Sr.ª Presidente (Edite Estrela): — Para responder, tem a palavra o Sr. Deputado Pedro Frazão, do Grupo

Parlamentar do CH.

O Sr. Pedro dos Santos Frazão (CH): — Sr.ª Presidente, Srs. Deputados, muito agradeço as perguntas

colocadas pelo Sr. Deputado João Moura e pelo Sr. Deputado João Cotrim Figueiredo.

No entanto, antes de vos responder dignamente, deixem-me registar as não perguntas da bancada da

esquerda. Isto porque as não perguntas da bancada da esquerda também são muito «diagnosticantes». São

«diagnosticantes» do ódio que têm à agricultura e aos agricultores, já que são as mesmas bancadas que se

preparam para aplaudir Lula da Silva, aqui, no 25 de Abril, que agora já não é eco criminoso.

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