15 DE ABRIL DE 2023
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Vamos ver quem o ganha hoje.
Faça favor, Sr.ª Deputada.
A Sr.ª Isabel Pires (BE): — Qual é o prémio?
O Sr. Bruno Dias (PCP): — Está cada vez mais difícil!
A Sr.ª Alma Rivera (PCP): — Sr. Presidente, procurarei corresponder ao apelo.
Sr. Presidente, Srs. Deputados e Sr.as Deputadas: «Deus, Pátria e Família» guiou a sociedade portuguesa
até ao 25 de Abril de 1974.
O Sr. André Ventura (CH): — Mas qual é o problema?!
A Sr.ª Alma Rivera (PCP): — No fascismo, este era o desígnio que guiava o Estado português, a família
portuguesa, os valores e a sociedade de então. Passava-se fome, miséria, num atraso total. A maior parte da
população portuguesa era analfabeta, o que era um elemento fundamental para a submissão e opressão.
O Sr. André Ventura (CH): — É como na Coreia do Norte!
A Sr.ª Alma Rivera (PCP): — Os direitos eram muito poucos para todo o povo, mas, para as mulheres, então,
eram mesmo inexistentes.
O Sr. Bruno Dias (PCP): — Essa é que é essa!
A Sr.ª Alma Rivera (PCP): — O trabalho fora de casa era visto como uma ameaça a este modelo familiar
vigente e era significativamente mais mal remunerado do que o dos homens.
Fez-se a Revolução, as mulheres lutaram muito; as mulheres fizeram a revolução, lembrando-nos de que
nada do que temos está garantido.
Protestos da Deputada do CH Rita Matias.
E as coisas, de facto, mudaram.
Acabaram as profissões proibidas às mulheres; os direitos dos maridos de pôr e dispor sobre a vida
profissional das mulheres acabaram; conquistaram-se direitos de maternidade e um conjunto de direitos sociais;
ficou definido que, para trabalho igual, salário igual.
As mulheres têm direitos na lei, são iguais na lei. As mulheres e todos os cidadãos são iguais,
independentemente, como diz a nossa Constituição, do género, da idade, da origem étnica, da orientação
sexual.
Mas ainda há muito por fazer. Sabemos que a igualdade na lei e na vida ainda não é realidade na vida das
mulheres.
A verdade é que as mulheres agora ocupam o mundo do trabalho. Há, aliás, setores que são altamente
feminizados, em que a presença das mulheres é esmagadora, como o da educação, da saúde, das atividades
de apoio social, do alojamento, da restauração e similares.
Na União Europeia, por exemplo, calcula-se que 80 % de todos os empregados de caixa de supermercados
e 95 % dos trabalhadores nas áreas de limpeza doméstica e ajuda ao domicílio sejam, de facto, mulheres, mas,
também nas administrações públicas, mais de metade dos trabalhadores são mulheres e, quanto aos
enfermeiros, há uma taxa esmagadora de 83 % de mulheres.
Isto diz-nos o quê? Dá vontade de perguntar: o que é que têm em comum estas profissões? Quem são,
então, os inimigos da igualdade?
E nós respondemos: os inimigos da igualdade são aqueles que põem estas profissões a serem mal pagas,
estas mulheres a terem um trabalho com pouca segurança, com precariedade.