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I SÉRIE — NÚMERO 119

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Hoje mesmo, soubemos que a ex-Presidente da Autoridade da Concorrência tem direito a um subsídio de 7934 €.

Este, digam-me se é o País de Abril. Este, digam-me se é o País que queremos — a manhã clara e nobre, em que uns, feridos em combate, têm 237 € e outros, escondidos nos gabinetes, têm 7900 €, todos os meses.

Aplausos do CH. É esta a manhã clara e nobre de Abril? Sr. Presidente, de nada vale celebrar Abril, se não concretizarmos aquilo que os portugueses mais

esperam de nós: que a justiça verdadeiramente chegue a este País, mas ela tarda tanto, tanto, tanto, que muitos já perderam a fé e a esperança. Temos de a devolver a Portugal.

Os milhões que hoje não estão nem na praia, nem no carro, nem em viagem estão a ver-nos e sabem que já não vale de nada estarmos a celebrar isso, se a conta não chegar para o supermercado, se, quando vão a tribunal, perdem o ordenado para pagar custas judiciais e se, quando chegam ao fim do mês, têm a Autoridade Tributária a pedir impostos, mas veem que outros, que nada pagam, têm todas as benesses e benefícios do Estado.

E querem que eles celebrem Abril? Querem que eles cantem e digam «fantástica manhã esta, que me deu a ganhar 297 €, enquanto outros se enchem com o dinheiro que é de todos»? Isto é que nos devia fazer pensar Abril.

E que pensar Abril é este, que esqueceu os milhões de retornados e espoliados do Ultramar, a quem nunca demos a dignidade que mereciam?

Aplausos do CH. Para eles, para esses milhões que nos estão a ver, que vieram de uma África abandonada e esquecida,

onde muitos têm os seus familiares enterrados e onde muitos deixaram a farda dos seus filhos, deixamos aqui a palavra de que, se essa alternativa um dia chegar, a nossa primeira prioridade vai ser para esses homens e mulheres, para esses milhões de famílias que, enquanto viam outros roubar tudo, ficaram sem nada em Portugal.

Aplausos do CH, de pé. Também não se esperava que Abril trouxesse esta tradicional e parola subserviência portuguesa. Ontem,

disse o Primeiro-Ministro, António Costa, aqui presente: «O que eu gostava mesmo, e tenho pena, é que Portugal não falasse com o sotaque brasileiro».

Isto foi dito ontem pelo Primeiro-Ministro desta Nação, desta Nação com oito séculos de história, e que nos governa. Temos um Primeiro-Ministro que diz que preferia não falar com o sotaque do Porto, de Braga, do Alentejo, dos Açores, da Madeira ou de Coimbra. Preferia o sotaque brasileiro.

Sr. Primeiro-Ministro, então, faça-nos um favor: arrume as suas malas, junte-se ao seu amigo José Sócrates e parta para o Brasil de vez, porque era o melhor que fazia a Portugal.

Aplausos do CH. Estamos, Sr. Presidente, num País que passou de um País de emigração para um País de imigração. E

Portugal tem esse dever histórico de acolher bem, porque também outros nos acolheram bem, mas os nossos, que foram para trabalhar e que foram para se integrar e ali constituíram família, sabem bem o sacrifício de ser imigrante. O que pedimos a este País é que acolha bem, acolha com regra, mas não se deixe invadir por manifestações que não são suas nem podem nunca sê-lo.

Para nós, Portugal é de matriz cristã e é sempre assim que deverá ser, durante a sua história secular. Para nós, não faz sentido dar a outros o que não temos para nós próprios. Por isso, Sr. Primeiro-Ministro, nunca ficaremos de bem com a consciência, enquanto dermos subsídios e casas a quem chega e os lesados da banca ainda não tiverem uma palavra do Estado português.