27 DE ABRIL DE 2023
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A Sr.ª Fátima Ramos (PSD): — Muito bem!
O Sr. Miguel Matos (PS): — Vá ler o documento!
O Sr. Hugo Carneiro (PSD): — … e a ausência dessa estratégia é aquilo que está a levar a que Portugal,
ao contrário do que o Sr. Ministro disse, se afaste dos seus parceiros europeus.
É preciso ver que, por exemplo, no rendimento per capita em paridades de poder de compra, passámos de
15.º lugar, em 2000, para 21.º lugar, em 2022. É esta a realidade a que o Sr. Ministro, permanentemente, se
recusa a responder e vem ao Parlamento dizer: «Apresentamos resultados, resultados, resultados.»
Sr. Ministro das Finanças, não há resultados.
O Sr. Miguel Cabrita (PS): — Não há resultados?!
O Sr. Hugo Carneiro (PSD): — O sucesso de 2022 deve-se só às famílias e às empresas, bem como ao
benefício que o Governo retirou do imposto da inflação, do crescimento do PIB e da operação contabilística
relacionada com o gás.
Aplausos do PSD.
É esta a explicação do sucesso do Governo em 2022. Sim, não estranhe, é este o sucesso da estratégia do
Governo.
Portanto, perguntava-lhe quando é que vai apresentar ao Parlamento uma estratégia de crescimento, porque
nós não vemos nenhuma.
O Sr. Porfírio Silva (PS): —Abra os olhos!
O Sr. Hugo Carneiro (PSD): — Dizer que, em cinco anos, o País poderá crescer, em termos médios, 1,9 %
é muito pífio, é muito reduzido, é muito poucochinho. Acabou a borla da recuperação da pandemia, acabou essa
borla que alimentava o argumentário do Governo.
Perguntava-lhe também, sobre a execução do PRR, se vai ou não apresentar ao Parlamento o relatório
escondido da IGF (Inspeção-Geral de Finanças), que coloca em causa o cumprimento dos marcos relacionados
com essa mesma execução. Há países, como a Lituânia, a Polónia, a Hungria, que nos estão a ultrapassar.
Constatamos que, mesmo em termos de poupança, os portugueses já começam a retirar dos seus
mealheiros para conseguir fazer face às condições que temos, daí ser fundamental haver efetivamente uma
estratégia de crescimento, mas uma estratégia de crescimento que permita uma redução do esforço fiscal e da
carga fiscal.
Aqui também, Sr. Ministro, se comparar, por exemplo, com a Alemanha ou com a França, já que são esses
os países com os quais gosta de se comparar, verá que Portugal tem um esforço fiscal muito acima do deles.
Aplausos do PSD.
A medida que apresenta para a redução do IRS (imposto sobre o rendimento das pessoas singulares) ao
longo do tempo é uma medida que não está concretizada, que o Sr. Ministro não explica como é que vai fazer
e cujo impacto na carga fiscal é muito reduzido. São meros pontos percentuais. Quem sofre? A classe média. É
a classe média que sofre.
O Programa de Estabilidade também não tem uma estratégia para as empresas. Se olharmos para a Bulgária
ou a Lituânia, temos taxas de IRC (imposto sobre o rendimento das pessoas coletivas) de 10 % ou 15 %.
O Sr. Miguel Cabrita (PS): — E a Roménia?!
O Sr. Hugo Carneiro (PSD): — Em Portugal, ela é superior, com todos os adicionais, a 30 %. Onde é que
está a estratégia do Governo? Vai baixar o IRC ou não?