I SÉRIE — NÚMERO 120
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O Sr. Miguel Matos (PS): — E o IRS? O IRS vocês não queriam baixar!
O Sr. Hugo Carneiro (PSD): — Portanto, pergunto-lhe se está disponível para apresentar um novo programa
de estabilidade, se vai continuar a conduzir o Governo como se estivesse a conduzir um avião sem instrumentos,
até se despenhar, e se verdadeiramente já começou a campanha eleitoral do PS.
Aplausos do PSD.
O Sr. Presidente: — Tem agora a palavra, para um pedido de esclarecimento em nome do Grupo
Parlamentar da Iniciativa Liberal, o Sr. Deputado João Cotrim Figueiredo.
O Sr. João Cotrim Figueiredo (IL): — Sr. Presidente, Sr.as Ministras, Sr.as e Srs. Deputados, Sr. Ministro,
antes fosse este Programa de Estabilidade um parecer, porque, nesse caso, provavelmente não existiria.
Risos dos Deputados do PS Miguel Cabrita e Miguel Matos.
Eu não vou insistir na pergunta, porque já sei que os senhores gostam de fazer censura aos temas que
escolhemos.
O Sr. Pedro Pinto (CH): — Não são os únicos!
O Sr. João Cotrim Figueiredo (IL): — Vou-me centrar no Programa de Estabilidade, porque a forma triste,
um bocadinho apática, como interveio nesta Câmara há bocadinho lembrou-me também a tristeza que senti
quando, nos últimos dois dias, li este Programa.
Trinta e sete anos após a adesão à Comunidade Económica Europeia, o que se conclui da leitura do
Programa de Estabilidade e do Programa Nacional de Reformas (PNR) é que continuamos dependentes da
Europa para tudo: continuamos dependentes da Europa para ter documentos que digam alguma coisa que se
assemelhe a uma estratégia e continuamos dependentes da Europa para ter alguma coisa que se assemelhe a
crescimento.
De facto, olhando para a Lei das Grandes Opções, que também faz parte deste processo orçamental, e
comparando-a com os programas e os documentos que são exigência do Semestre Europeu, a diferença de
organização é absolutamente brutal: uns podem servir para alguma coisa, outros para muito pouco. E, olhando
para os níveis de crescimento, descontando daquilo que o PRR traz, muito pouco ficaria se não fosse a Europa.
Portugal não teria nem estratégia nem crescimento sem a Europa, mas o Governo do PS assegura que,
mesmo sem a Europa, continuaríamos a ter muita propaganda, que é como quem diz: muito foguetório, muitos
foguetes para o ar, quando as coisas correm bem e muito assobiar para o ar quando as coisas correm mal.
Há muitos foguetes para o ar quando convergimos com a União Europeia e assobia-se para o ar quando
temos divergências com os países da coesão e temos as tais ultrapassagens sucessivas, que já tantas vezes
foram aqui referidas.
Sei que o PS, agora, tem um mantra novo para isto: «Ah, esses países têm uma dívida pública menor que a
nossa, esses países têm mais qualificações que nós…»
O Sr. Miguel Cabrita (PS): — É verdade!
A Sr.ª Vera Braz (PS): — É mentira?!
O Sr. João Cotrim Figueiredo (IL): — Mas quem é que esteve no Governo estes anos todos?
O Sr. Rui Rocha (IL): — Pois é!
A Sr.ª Patrícia Gilvaz (IL): — Exatamente!