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27 DE MAIO DE 2023

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Assim, a Assembleia da República, reunida em Plenário, expressa o seu mais profundo pesar pelas vítimas

das cheias ocorridas em Itália, enderençando os seus sentidos sentimentos às suas famílias e expressando toda

a sua solidariedade à população afetada pela subida das águas e ao Governo italiano.»

O Sr. Presidente: — Srs. Deputados, vamos votar a parte deliberativa do projeto de voto que acaba de ser

lido.

Submetida à votação, foi aprovada por unanimidade.

Peço a todos que me acompanhem num minuto de silêncio.

A Câmara guardou, de pé, 1 minuto de silêncio.

Peço desculpa, mas estou obrigado a recordar que, durante o período de votações, não podem estar na sala

senão Deputados. Peço desculpa, mas é assim.

De seguida, votaremos o Projeto de Voto n.º 353/XV/1.ª (apresentado pelo PAR e subscrito pelo PS, pelo CH,

pela IL, pelo BE e pelo L) — De saudação pelo centenário de Eduardo Lourenço, que passo a ler:

«No dia 23 de maio de 2023, celebrou-se o centenário do nascimento de Eduardo Lourenço. É preciso ganhar

fôlego para resumir a estatura de uma figura como Eduardo Lourenço e o impacto que tem na cultura portuguesa.

Professor, filósofo, crítico e ensaísta, contribuiu de forma indelével, através da sua obra escrita e da sua palavra,

para compreender melhor Portugal, a sua identidade e destino.

Os seus quase cem anos de vida (morreu aos 97 anos) começaram em São Pedro do Rio Seco, na Guarda.

Formou-se em Ciências Histórico-Filosóficas em 1946, na Universidade de Coimbra, onde foi assistente. A partir

de 1954, lecionou em várias universidades estrangeiras. Primeiro, em Hamburgo, depois, em Heidelberg,

Montpellier, São Salvador da Baía, Grenoble e Nice, onde se aposentaria em 1988, continuando a viver em

França, até regressar definitivamente a Portugal em 2013.

Prestando uma cuidada atenção à vida cultural e política do seu País, nunca se furtou, desde a sua primeira

obra, Heterodoxia I, de 1949, a pensar as grandes questões do Portugal contemporâneo, deixando-nos, em

dezenas de outros livros e ensaios, artigos, prefácios, críticas e recensões, pistas fundamentais para a sua

compreensão.

Neste ano de centenário do seu nascimento, Portugal só pode estar reconhecido pela sua prolífica atividade

e o legado que nos deixa, cobrindo uma ampla variedade de temas, da filosofia à política, passando pela religião,

a cultura, a literatura ou a música. Em toda a sua obra, a marca da sua curiosidade intelectual: a recusa de

qualquer dogmática, questionando certezas, propondo novas maneiras de ver velhas coisas.

O seu prestígio e a originalidade da sua intervenção na sociedade foram reconhecidos nos mais diversos

planos, tendo sido distinguido com quatro doutoramentos Honoris Causa, prémios nacionais (com destaque para

o Prémio Camões e o Prémio Pessoa) e internacionais, bem como condecorações do Estado português, francês

e espanhol.

Integrou, de 2016 a 2020, o Conselho de Estado por designação do Presidente da República.

Eduardo Lourenço era possuidor de um saber imenso, que partilhou com generosidade com os seus

contemporâneos, e a sua voz perdurará como referência intelectual, cultural, ética e cívica do nosso tempo.

A Assembleia da República, reunida em sessão plenária, evoca Eduardo Lourenço, saudando, por ocasião

do centenário do seu nascimento, o seu exemplo cívico, bem como a grandeza do seu pensamento e a

singularidade da sua obra.»

Srs. Deputados, vamos proceder à votação da parte deliberativa deste projeto de voto.

Submetida à votação, foi aprovada por unanimidade e aclamação, com aplausos do PS, do PSD, da IL, do

BE, do PAN, do L, de pé, do CH e do PCP.

Saúdo a presença, na galeria, de sua irmã, a Dr.ª Maria Alice Faria, a quem agradeço, em nome do

Parlamento, todo o trabalho que tem feito em prol da obra e da memória de Eduardo Lourenço.

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