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I SÉRIE — NÚMERO 142

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Obrigada por ter mencionado Daphne Caruana Galizia. Posso dizer-lhe que, sendo alguém que fez uma

campanha muito ativa, foi por este motivo que vim para a política, foi por este motivo que entrei na política, para

combater a corrupção, mas também porque acreditava que o lugar do meu país era na Europa. Nada me teria

feito pensar que uma jornalista seria assassinada por fazer o seu trabalho. E faz hoje 68 meses que foi

assassinada. E a resposta que vimos do seu país, de diferentes países, no sentido de identificar e dizer que

nunca mais uma jornalista será impedida de fazer o seu trabalho simplesmente porque estava a investigar a

verdade. E estava a fazer perguntas incómodas aos políticos. Não é essa a União Europeia que eu quero ver,

nem no meu país, nem em lado nenhum. Obrigada por isso.

Aplausos do PS, do PSD, do CH, da IL, do PAN e do L.

Relativamente ao clima, muito obrigada por ter mencionado o ato legislativo sobre a restauração da natureza.

Este foi discutido ontem no Parlamento durante cerca de quatro horas, tendo sido efetivamente votado numa

das comissões do Parlamento, a Comissão do Ambiente. Foi um debate intenso e a maior parte dos votos ficou

dividida a 50-50. A votação não terminou, continuará no dia 27 deste mês. Mas, mais uma vez, foi a democracia

em ação. O nosso Parlamento leva muito a sério o seu papel de colegislador e faremos o nosso trabalho nesta

matéria.

No que se refere à proteção da diversidade e à proteção dos animais, concordo plenamente. O Parlamento

Europeu está do vosso lado nesta matéria.

No que se refere às mulheres afegãs e ao Irão, o que aí se passa continua a ser uma das nossas principais

preocupações e o lema «Mulher, Vida, Liberdade» ecoa agora em tudo o que dizemos e fazemos. Não o digo

apenas porque sou mulher e não o digo apenas porque o Parlamento ou a União Europeia pregam a democracia.

A questão é que, quando vemos violações dos direitos, quando as mulheres são assassinadas e quando as

minorias são ameaçadas, nós defendemo-las em todo o lado, tanto dentro como fora da União Europeia.

Mas gostaria de advertir, por outro lado, que, quando falamos da flexibilidade que é necessária, concordo. O

meu antecessor, o Presidente Sassoli, que infelizmente faleceu no ano passado, costumava falar da cruel

inflexibilidade das regras. Encontrámos essa flexibilidade durante a pandemia. Foi um trabalho árduo levado a

cabo também pela Presidência portuguesa. Não podemos esquecer-nos disso.

Mas é fácil esquecer. É fácil esquecer que o primeiro instinto dos Estados-Membros foi fechar as fronteiras

assim que a pandemia começou. É fácil esquecer isso quando vemos projetos a serem implementados na área

ecológica e digital e na área social. Concordo que é preciso fazer mais, mas, por favor, não se esqueçam de

que isto vem da União Europeia. Por favor, não se esqueçam disso.

Aplausos do PS, do PSD, do PAN e do L.

Se não fosse a União Europeia e os votos dos vossos Deputados no Parlamento Europeu, não teríamos o

NextGenerationEU, não teríamos o REPowerEU e não estaríamos, neste momento, a discutir como atenuar o

impacto social e económico de todas as medidas nos nossos cidadãos, nas nossas pequenas empresas e nas

nossas famílias.

No que se refere à igualdade, aprovámos a legislação mais avançada em matéria de igualdade de género,

falamos de igualdade de tratamento com grandes maiorias e transparência, lutamos contra a violência doméstica

e o feminicídio, apesar de este ser ainda demasiado frequente. Ainda há demasiadas mulheres a serem

assassinadas na nossa União e isso é algo contra o qual temos de lutar, não apenas a partir dos pódios, não

apenas tentando atacar o outro, mas compreendendo onde estão os nossos desafios sociais, no que falhámos

e onde falhámos.

Falarei agora sobre a revisão das taxas de juro. Sim, a revisão das taxas de juro é uma das decisões mais

difíceis. É assim que tentamos combater a inflação crescente, mas, ao mesmo tempo, precisamos, como disse,

de atenuar esse impacto. Se os nossos jovens nos dizem que estão a ser excluídos do mercado imobiliário por

causa dos preços, precisamos de os ouvir. Se as nossas pequenas empresas nos dizem que não conseguem

continuar a funcionar neste tipo de ambiente, precisamos de resolver isso. Uma coisa não exclui a outra. Trata-

se de fazer o que é correto, mas, ao mesmo tempo, garantir que atenuamos os efeitos.

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