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30 DE JUNHO DE 2023

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Portanto, sejam bem-vindos ao debate!

Vozes do CH: — Muito bem!

A Sr.ª Rita Matias (CH): — Mas gostava também de começar esta intervenção por citar alguém que deve

ser caro à esquerda, Alexandra Kollontai, uma feminista que participou na liderança da Revolução Soviética,

que dizia que a família deixava de ser necessária para o Estado, como foi no passado: «Pode chamar-se a isto

destruição da família por meios violentos? Ou separação forçada da criança da sua mãe?»

O Sr. Manuel Loff (PCP): — Oh, santa paciência!

O Sr. Pedro dos Santos Frazão (CH): — Oiçam! Oiçam!

A Sr.ª Rita Matias (CH): — «Deve dizer-se, antes, “já passou o tempo da família antiga”», dizia Alexandra

Kollontai.

Isto, porque há uma ideia marxista, que chegou até aos dias de hoje, muito perversa, e que precisa de ser

combatida: as crianças não são propriedade do Estado, nunca!

Aplausos do CH.

O Sr. Manuel Loff (PCP): — O que é que isso tem a ver? Não há paciência para aturar isto!

A Sr.ª Rita Matias (CH): — O Estado é um conceito posterior ao conceito de família natural e é por isto

mesmo que o Estado não pode pôr e dispor da vida das crianças, ignorando o seu superior interesse, o seu

bem-estar e o bem-estar das suas famílias.

Em Portugal, centenas de crianças são retiradas das suas famílias arbitrariamente ou em função da sua

pobreza — isto no País onde o socialismo só soube multiplicar pobres.

Vozes do CH: — Muito bem!

A Sr.ª Rita Matias (CH): — Fomos sucessivamente condenados pelo Tribunal Europeu de Direitos Humanos

por retiradas abusivas de crianças às suas famílias. É por isto que, em Portugal, temos histórias de famílias

como a de Liliana Melo, a quem retiraram sete filhos, não porque faltava amor naquela casa, não porque havia

abusos ou maus-tratos, mas apenas e só porque existiam carências económicas.

O Sr. Pedro dos Santos Frazão (CH): — Muito bem!

A Sr.ª Rita Matias (CH): — Pelo caminho, separaram irmãos, estas crianças passaram anos

institucionalizadas e a mãe viu ser-lhe proposta a medida de laqueação de trompas. Tudo isto aqui, no País dos

direitos humanos, no País dos direitos das mulheres.

O Sr. Pedro dos Santos Frazão (CH): — É uma vergonha! Muito bem!

A Sr.ª Rita Matias (CH): — Não é simpático dizê-lo, mas é necessário: há uma hipocrisia do Estado social

que precisa de ser denunciada. Este Estado social, muitas vezes, serve-se a si mesmo e não aos cidadãos —

e isto não é querer acabar com o Estado social, mas sim devolver-lhe o seu propósito inicial.

Que diferença não fariam os 1000 € e pouco que cada IPSS (instituição particular de solidariedade social)

recebe por cada criança se este valor tivesse sido atribuído às mãos daquela mãe que ficou sem os seus filhos!

Que diferença não faria se aquelas técnicas se tivessem sentado com aquela mãe e lhe tivessem perguntado

«como é que a posso ajudar?»!

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