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5 DE JULHO DE 2023

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Gostamos que Portugal seja um país aberto, acolhedor, cosmopolita. Termos entre nós centenas de milhares

de jovens oriundos de mais de 150 países é, só por si, uma boa notícia e um excelente sinal.

Recebermos pela primeira vez, em Lisboa, o Papa Francisco, uma das grandes figuras ecuménicas do nosso

tempo, seja qual for a convicção religiosa de cada um, é igualmente muito positivo.

Tudo isto merece aplauso, mas só até este ponto, porque, a partir daqui, não faltam motivos de preocupação

devido à impreparação do Governo, incapaz de se mostrar à altura de um acontecimento como este, com

inegável impacto mediático à escala mundial.

Faltam 28 dias para o início da Jornada Mundial da Juventude. Qual é o ponto da situação? O Governo veio

sempre dizendo que tudo ia bem, mas não vai. Todas as evidências nos indicam o contrário.

O plano de mobilidade, peça-chave para este evento, ainda é uma incógnita, como se fosse segredo de

Estado.

O Sr. Rui Rocha (IL): — Como o Galamba!

A Sr.ª Patrícia Gilvaz (IL): — Vai ser cortado o Eixo Norte-Sul, como algumas notícias já sugeriram? Esse

corte de uma via estruturante da cidade será parcial ou total? Durará o dia inteiro ou apenas algumas horas,

enquanto decorrer a Jornada?

A Ponte Vasco da Gama será fechada ao trânsito de viaturas privadas? Outra pergunta sem resposta por

parte dos nossos governantes.

Como será a coexistência entre o trânsito habitual em Lisboa, mesmo sendo agosto, servindo quem aqui vive

e trabalha, e o aguardado fluxo de autocarros que transportarão os peregrinos?

O próprio presidente da Câmara Municipal de Loures, que é socialista, não tem escondido a sua preocupação

perante esta opacidade do Governo, mostrando-se até perplexo com a ausência de um plano de mobilidade

devido a, e cito, «dificuldades de articulação com um conjunto de entidades».

O plano de segurança também ainda se desconhece. Após sucessivos adiamentos, diz-se agora que será

divulgado no dia 15, a escassas duas semanas da chegada do Papa a Portugal.

Ontem, ficámos a saber que, precisamente na semana da Jornada Mundial da Juventude, haverá greves e

paralisações convocadas pela Confederação das Forças de Segurança, que engloba elementos da PSP (Polícia

de Segurança Pública), da GNR (Guarda Nacional Republicana), da ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar

e Económica), da Polícia Marítima e da Guarda Prisional.

Também ontem, tomámos conhecimento de que as forças de segurança agendaram uma manifestação, junto

à Presidência da República, para 2 de agosto, dia em que o Chefe de Estado ali receberá o Papa, além de

anunciarem protestos em aeroportos, portos e fronteiras.

Como é possível o Governo do Partido Socialista ter deixado degradar a situação a este ponto?

Os portugueses têm motivos para se sentirem inquietos, e nós, enquanto fiscalizadores, temos a obrigação

de assinalar o que não está a correr bem, esperando que, havendo tempo de ser corrigido, assim o seja, porque

o Governo vem garantindo que está tudo salvaguardado, mas as evidências mostram-nos o contrário.

O plano de saúde, embora tarde, foi entretanto divulgado, mas subsistem várias incógnitas relacionadas com

as limitações em equipamentos hospitalares na cidade, nomeadamente no Hospital de Santa Maria. Que

alternativas tem o Governo em vista? E onde ficarão localizados os anunciados hospitais de campanha?

Não nos podemos esquecer, Sr.as e Srs. Deputados, de que a Jornada Mundial da Juventude acontecerá em

agosto, mês que costuma ser crítico para a prestação de cuidados de saúde em Portugal, mesmo sem o reforço

tão grande de visitantes estrangeiros que agora se espera. Não há nem uma palavra da parte de quem deveria

tomar decisões em tempo útil e com a transparência que a democracia exige.

Todas as dúvidas que persistem são incompreensíveis, sabendo-se, ainda por cima, que se trata de um

evento que foi anunciado em 2019 e que deveria ter ocorrido em 2022, mas que acabou por sofrer um adiamento

devido à pandemia.

Houve tempo mais do que suficiente para preparar tudo e evitar estas improvisações com a chancela do

Governo socialista, a começar pelas contas, que deram sempre a ideia de terem sido feitas em cima do joelho

e que pecaram por falta de rigor desde o início,…

O Sr. Bernardo Blanco (IL): — Muito bem!

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