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5 DE JULHO DE 2023

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Geral pede donativos aos funcionários, pagos, certamente, principescamente, para comprar uma viatura pode

ser inédito e inaceitável.

Aplausos do PSD.

Mas é ilustrativo do colapso a que a Administração Pública chegou. Até pode ser ironia, mas retrata de modo

magistral o desgoverno a que Portugal foi votado, ou melhor, e para sermos justos, o estado a que o Governo o

conduziu.

Aplausos do PSD.

A Sr.ª Presidente (Edite Estrela): — Para uma intervenção, tem a palavra a Sr.ª Deputada Isabel Pires, do

Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda.

A Sr.ª Isabel Pires (BE): — Sr.ª Presidente, Srs. Deputados, Sr.as Deputadas: Temos vários projetos, neste

ponto, que têm algo em comum, mas que acabam por abordar temáticas diferentes e apresentar soluções

também elas diferentes e partir, na verdade, de pressupostos diversos.

Falando da questão dos carros elétricos, eles são, efetivamente, uma peça para a descarbonização da

economia e da mobilidade. Não desprezamos isso nem o desvalorizamos, mas também sabemos que essa não

é a principal medida para descarbonizar a mobilidade. Sabemos que isso não resolve vários dos problemas dos

atuais carros a combustão, pois os carros elétricos continuam a fazer engarrafamentos, continuam a precisar de

muito espaço nas cidades e nas ruas, de muito espaço para estacionamento e de muita produção elétrica,

apesar de serem mais sustentáveis.

Portanto, há outros problemas associados, mas não desvalorizamos e temos vindo a acompanhar muitas

das matérias que têm sido apresentadas relativamente aos carros elétricos.

A verdade é que a principal peça para a descarbonização — porque é da descarbonização da mobilidade

que estamos a falar— é mesmo o investimento em transportes públicos. É nesta matéria, no investimento em

mais e melhores transportes públicos e em transportes públicos coletivos mais eletrificados, que Portugal

continua a estar muito atrasado.

O Sr. Pedro Filipe Soares (BE): — Muito bem!

A Sr.ª Isabel Pires (BE): — Portanto, não podemos continuar, de facto, a insistir, ano após ano após ano,

em medidas de aparente política verde para a mobilidade, assentes no automóvel individual e que continuam a

deixar de fora o grande investimento público de que necessitamos nos transportes coletivos.

Ainda assim, como disse anteriormente e temos vindo a dizer nos últimos anos, não temos sido contra apoios

pontuais do Estado, desde que esse não seja o elemento principal das políticas públicas, até porque quem

beneficia efetivamente desses apoios é, regra geral, quem tem mais rendimentos e quem já tem capacidade

para adquirir esses veículos.

Posto isto, iremos acompanhar o projeto de resolução do PAN, mas alertamos que, de facto, estamos numa

fase em que precisamos de passar a olhar mais para o investimento no transporte público.

No caso do projeto da Iniciativa Liberal, compreendendo que se trata da aparente correção de uma falha

identificada, a verdade é que gostaríamos de colocar aqui um outro ponto, que tem a ver com o facto de apenas

se falar em carros híbridos. A verdade é que o Bloco de Esquerda não tem sido favorável a apoios ou benefícios

a carros híbridos, porque há vários estudos que já nos indicam que estes modelos não poupam assim tanto nas

emissões acabando por não ter o impacto, do ponto de vista ambiental, que se esperava inicialmente.

O Sr. Pedro dos Santos Frazão (CH): — Temos de andar de carros de bois, qualquer dia!

A Sr.ª Isabel Pires (BE): — Por fim, quanto aos projetos que se direcionam para isenções a veículos para

pessoas com deficiência, há várias das matérias que nós acompanharemos. Aliás, quando olhamos para a

situação das pessoas com deficiência…

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