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I SÉRIE — NÚMERO 151

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O Sr. Pedro dos Santos Frazão (CH): — E o populista sou eu!

O Sr. João Dias (PCP): — … fazendo o mesmo que o PSD, a Iniciativa Liberal e o Chega fariam se

estivessem no Governo.

O Sr. André Ventura (CH): — Olhe que não!

O Sr. João Dias (PCP): — Por outro lado, as dificuldades em assegurar o acesso aos cuidados de saúde de

que a população precisa resultam também da conivência do Governo, que permite aos privados apropriarem-se

do SNS, abocanhando para o seu negócio um serviço essencial ao povo.

A Sr.ª Alma Rivera (PCP): — Tal qual!

O Sr. João Dias (PCP): — Se de melhor exemplo precisássemos, Srs. Deputados, o encerramento

apressado e mal explicado do bloco de partos do Hospital de Santa Maria é esclarecedor no que respeita a

quem vai servir.

O Sr. Bruno Dias (PCP): — Isso mesmo!

O Sr. João Dias (PCP): — Ainda assim, é notável a capacidade do SNS em resistir e responder aos

problemas de saúde da população, uma capacidade de atender e cuidar que só é possível graças à sua forte

ligação à população e, muito também, ao empenho e dedicação dos seus profissionais.

Srs. Deputados, estamos pois confrontados com uma transferência do SNS para o privado, a par da qual foi

criada uma intensa ofensiva de propaganda para justificar o brutal favorecimento do setor privado da saúde.

É, propositadamente, criada a ideia de que a saída dos profissionais para o privado é inevitável. Só será uma

fatalidade se o Governo resistir aos apelos dos profissionais de saúde, que, por estes dias, se manifestam com

greves e paralisações pelo aumento dos seus salários, pelo desenvolvimento das suas carreiras e pelas suas

condições de trabalho.

Nesta campanha de propaganda, há mesmo quem diga que temos médicos a mais no nosso País. Então, se

isso é verdade, onde estão eles?

O Sr. Bruno Dias (PCP): — Muito bem!

O Sr. João Dias (PCP): — O que a população sabe é que não tem médico de família, que há atrasos nas

consultas, nos exames, nos tratamentos, nas cirurgias. Enfim, o que todos sabemos é que faltam médicos nos

serviços públicos.

Se há médicos a mais, não é no SNS, com certeza.

Depois vêm sempre com o discurso do preconceito ideológico, como aqui já assistimos. Não acham curioso

que só existam preconceitos ideológicos para quem defende os serviços públicos?

O Sr. Duarte Alves (PCP): — Exatamente!

O Sr. João Dias (PCP): — Então, e quem defende o negócio do privado é o quê? Claro que tem uma opção

ideológica de favorecimento a quem lucra milhões à custa da doença dos portugueses. Ou melhor, é uma opção

ideológica da direita no sentido, por um lado, de transformar o SNS num serviço desvalorizado pela falta de

recursos — para os mais pobres, claro! — e, por outro lado, da prestação privada dotada de meios a que só

alguns têm acesso.

O Sr. Pedro Melo Lopes (PSD): — Acabe-se o negócio! Vamos fazer uma sociedade sem empresas!

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