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I SÉRIE — NÚMERO 151

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O Sr. João Dias (PCP): — Quanto à Sr.ª Deputada Joana Cordeiro, também lhe quero dizer que os

problemas do Serviço Nacional de Saúde não se resolvem como o Sr. Deputado Paulo Marques veio aqui dizer,

jogando dinheiro para cima dos problemas.

Protestos da IL.

É que a dependência que temos, neste momento, do privado é brutal.

A Sr.ª Joana Cordeiro (IL): — Isso é na vossa visão!

O Sr. André Ventura (CH): — Vocês é que aprovaram os Orçamentos!

O Sr. João Dias (PCP): — O défice do SNS, no ano de 2022, foi de 1100 milhões de euros. Significa isto

que não há…

Protestos do Deputado do PS Paulo Marques.

Onde é que está o financiamento aqui, Sr. Deputado?

Veja bem, um défice de 1100 milhões de euros. Na sua maioria, sabe ao que esse deve? É a compra ao

privado. Quanto mais compramos ao privado mais dependentes ficamos dele.

Aplausos do PCP.

Protestos de Deputados do CH e da IL.

O Sr. Presidente: — Para uma intervenção em nome do partido Livre, tem a palavra o Sr. Deputado Rui

Tavares.

O Sr. Rui Tavares (L): — Sr. Presidente, Caras e Caros Colegas, Caros Concidadãos nas galerias: A única

coisa que não é ideológica, neste debate, é que todos precisamos de saúde e estamos dispostos a investir nela.

A partir daí, se investimos coletivamente, enquanto comunidade politicamente organizada, para ter um Serviço

Nacional de Saúde, ou se decidimos ter um sistema misto ou um sistema privado, tudo é ideológico e não há

que ter vergonha disso.

É tão legítimo defender a privatização da saúde ou o salto para um sistema misto, tal como existe noutros

países, como também é legítimo defender, como o Livre defende — e orgulha-se disso —, que o Serviço

Nacional de Saúde preste a sua missão no Portugal democrático, que tem funcionado até hoje e que nós

acreditamos que pode continuar a funcionar, desde que haja um investimento adequado no Serviço Nacional de

Saúde.

Mais: acreditamos que os portugueses e as portuguesas preferem certamente melhorar aquilo que já têm do

que dar um salto no escuro para um sistema misto, que alguns podem vender como sendo o da Alemanha ou

dos Países Baixos, mas também pode acabar sendo o da Roménia ou da Bulgária.

Não troco, em nenhum momento do dia — e creio que a grande maioria dos nossos concidadãos também

não —, o Sistema Nacional de Saúde, que nos deu taxas de vacinação próximas dos 100 %, por sistemas mistos

de saúde que ficaram nas taxas de vacinação dos 28 % ou 30 %, em plena pandemia.

A partir daí, não é no meio que está a virtude, lamento dizer, Sr. Deputado Paulo Marques. Não há nenhuma

virtude nas meias tintas num debate como estes.

Protestos do Deputado do PS Paulo Marques.

Nem há virtude nenhuma em dizer-se uma coisa e em fazer-se outra. Aqui, o debate é muito claro e é feito

— podemos dizê-lo — num binómio, em que podemos ou não apostar num Serviço Nacional de Saúde que

tenha os meios suficientes, isto é, onde se façam residências para médicos e para outros profissionais de saúde,

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