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20 DE JULHO DE 2023

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A Sr.ª AnaBernardo (PS): — Elaborei um relatório que responde a cada uma das alíneas da resolução da

Assembleia da República, com rigor, fundamentado e com as conclusões que entendi serem honestamente

extraídas, à luz de toda a prova a que tivemos acesso e dentro do objeto definido pela resolução.

O Sr. Pedro Pinto (CH): — Ah, já estavam escritas!

A Sr.ª AnaBernardo (PS): — É, por isso, um relatório da TAP.

O Sr. Filipe Melo (CH): — Não diga isso!

A Sr.ª AnaBernardo (PS): — Evidentemente, não tem conclusões sobre factos que não se relacionam com

a TAP. Evidentemente, não tem as conclusões que muitos pretendiam — diria, até, que alguns já tinham tirado,

antes mesmo de termos iniciado os nossos trabalhos.

O Sr. Pedro Pinto (CH): — Também já estava escrito!

A Sr.ª AnaBernardo (PS): — E isso é especialmente visível na questão da ingerência ou da não ingerência

política na TAP.

Aplausos do PS.

Os factos discutidos na Comissão e que reportam a alegadas ingerências políticas, ao contrário do que

muitos repetem até à exaustão, estão vertidos no relatório.

A inexistência de interferência política foi afirmada pela quase totalidade dos atuais e ex-administradores da

TAP.

O Sr. André Ventura (CH): — Isso não quer dizer nada!

A Sr.ª AnaBernardo (PS): — Seria, assim, de esperar que factos isolados levassem à conclusão da

existência de uma prática reiterada de ingerência política?

Ingerência pontual, talvez, e até com consequências políticas já tiradas. Ingerência reiterada e com efeitos

práticos, claramente que não.

Mas creio que, além de esclarecer estas dúvidas, este relatório vai bem mais longe e contribui para algo

muito importante: recuperar a confiança sobre a gestão da TAP, recuperar a confiança na TAP.

O Sr. Filipe Melo (CH): — De quem? Do Governo?

A Sr.ª AnaBernardo (PS): — Quanto a isso, apurámos que, afinal, não existiam várias Alexandra Reis, que

os prémios e indemnizações elevados, pagos pela TAP, não ocorreram durante a gestão pública e que, no ano

de 2020, era mesmo necessário o Estado intervir na TAP.

Injetámos muito dinheiro na empresa e o esforço exigido aos portugueses e aos trabalhadores da TAP foi

elevado, mas o custo de não o fazer teria sido muito maior.

Antes de concluir o relatório, acolhi muitas propostas de alteração, apresentadas pelos grupos parlamentares

que o entenderam fazer. Lamento que outros não o tenham feito, que não tenham optado por ter uma postura

propositiva e construtiva, valorizando o processo democrático e a defesa do interesse público.

O Sr. Carlos Guimarães Pinto (IL): — Uma ficção, há oito anos!

A Sr.ª AnaBernardo (PS): — O relatório foi aprovado em Comissão, na globalidade, apenas com os votos

favoráveis do PS, sim,…

O Sr. Carlos Guimarães Pinto (IL): — Porque será?!

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