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20 DE DEZEMBRO DE 2023

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O Sr. Pedro Delgado Alves (PS): —Para além disso, Europa fora, Estados Unidos fora, em vários pontos

do mundo, têm garantido um recrudescimento do antissemitismo como não se via desde a década de 30 do século passado.

O Sr. Pedro Pinto (CH): — Este é um debate entre o PS! Protestos do Deputado do PCP Bruno Dias. O Sr. Pedro Delgado Alves (PS): — E é isso que nos deve fazer pensar sobre os monstros que soltamos e

que voltamos a colocar na rua. Desde a islamofobia, aproveitada pelas extremas-direitas da Europa fora como forma de marcar pontos, ao antissemitismo que cresce em vários locais e onde hoje temos comunidades judaicas que voltam a ter medo. Voltam a ter medo porque as suas sinagogas são atacadas, voltam a ter medo porque as paredes das suas escolas são pichadas com dizeres que os atacam e voltam a ter medo porque são discriminadas, quando pensávamos que, na Europa, não tínhamos de assistir a isto de novo.

E tudo isto é alimentado porque, de lado a lado e em muitos locais… Isto, obviamente, sem generalizações: quando se diz «de lado a lado», não estamos a tentar culpabilizar os palestinianos e os israelitas, que só querem viver uma vida decente, só querem chegar vivos ao final da semana. Não são esses os culpados do que está a acontecer, mas são aqueles que os instrumentalizam, a si, à sua dor e ao seu sofrimento, para alcançar algo de si diferente.

Como eu dizia, aquilo a que hoje, pela Europa e pelo mundo fora, assistimos deve-nos fazer refletir que este é um debate sobre o Estado da Palestina, mas é também um debate sobre o Estado de Israel. E não esqueçamos, também, que eles têm de existir os dois. Portanto, é importante não esquecer e tentar perceber algo que é talvez tão difícil de fazer nestes tempos, a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro — e do «outro» é dos «outros», dos outros dois — e tentar perceber porque é que Israel, ao fim de tantos anos de existência, ainda se sente cercado e ainda sente a necessidade de defender o seu Estado nacional.

É que trata-se de uma aspiração com dois milénios. Trata-se de uma aspiração daqueles que, todos os anos, repetiam: «para o ano em Jerusalém», porque queriam e aspiravam à sua origem.

Mas, naturalmente, isso não se pode fazer ao arrepio dos direitos dos outros, que ambicionam ter o seu Estado nacional. Portanto, não reescrevamos a história em conveniência dos argumentos que vamos querer usar em cada um dos momentos, e façamos um exercício mais difícil: percebamos porque é que os israelitas também continuam a ter, todos os dias, um sentimento de que têm de lutar pela garantia de que há, no planeta, um Estado onde os judeus se podem sentir em segurança.

O que sabemos, quando ouvimos gritar «do rio ao mar» em manifestações ou em discursos políticos, é que do rio até ao mar significa que não há espaço para o Estado de Israel. Do rio até ao mar significa que alguém se quer substituir àqueles que ali vivem há 75 anos,…

O Sr. Pedro Pinto (CH): — Essa é que é essa! O Sr. Pedro Delgado Alves (PS): — … àqueles que ali vivem há 100 anos, àqueles que ali vivem também

há milhares de anos — porque existem judeus no território de Israel e da Palestina há milhares de anos, ininterruptamente. E, se não atendermos a estes dois lados, a estas duas realidades, a estes dois povos que têm e vão ter de conviver naquele local, não estaremos a fazer um serviço adequado a esta causa.

O Sr. Eurico Brilhante Dias (PS): — Muito bem! O Sr. Pedro Delgado Alves (PS): — Mas, tendo eu dito isto, também é importante não esquecer que hoje,

em Israel, o extremismo do seu Governo é o pior inimigo da paz e de uma solução duradoura. O Sr. Eurico Brilhante Dias (PS): — Muito bem!

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