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20 DE DEZEMBRO DE 2023

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Ronald Reagan dizia: «Nunca negociamos com terroristas e, quando começamos a negociar com eles, é o início da nossa fraqueza.»

O Sr. Francisco César (PS): — Nós fartámo-nos de negociar com terroristas! O Sr. André Ventura (CH): — Não sei que esquerda temos, nem sei que domínio querem que Portugal tenha

na Europa, mas sei uma coisa: sei que, quando começamos a ceder ao terrorismo, sobretudo aquele pior, que não respeita os direitos humanos de ninguém, sobretudo das minorias — é nesses sítios que são atacadas violentamente —, começamos a apresentar a nossa própria derrota.

Vozes doCH: — Muito bem! O Sr. André Ventura (CH): — Diz a esquerda: «Haja memória.» Haja mesmo memória, porque sabemos

quem, nos últimos anos, tem provocado o terror no mundo inteiro. Sem dúvida, Israel tem de cumprir o direito humanitário internacional. Sem dúvida, Israel tem direito a

defender-se. Mas não nos peçam, nunca nos peçam, porque não o faremos, para apoiar terroristas, que só sabem usar como palavra uma bazuca ou uma pistola.

Aplausos do CH.Entretanto, assumiu a presidência o Vice-Presidente Adão Silva. O Sr. Presidente: — Cumprimento todas as Sr.as e Srs. Deputados. Se me permitem, apresento um cumprimento muito especial ao Sr. Deputado Pedro Nuno Santos, eleito

Secretário-Geral do Partido Socialista. O Sr. André Ventura (CH): — Ninguém bate palmas?! O Sr. Presidente (Adão Silva): — Saúdo também os cidadãos que participam, nas galerias, nesta nossa

sessão, particularmente os jovens. É sempre um prazer ter-vos connosco nestes trabalhos parlamentares. Agora, tem a palavra o Sr. Deputado Tiago Moreira de Sá, para uma intervenção. O Sr. Tiago Moreira de Sá (PSD): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Corria o ano de 1927. Em

França, crescia o sentimento de insegurança perante uma Alemanha em acelerado rearmamento, através da revisão das cláusulas do Tratado de Versalhes. Incapazes de encontrar alternativas credíveis para atenuar a ameaça à sua segurança, os dirigentes franceses trocaram a orientação estratégica pelas proclamações espetaculares de princípios e boas intenções, tendo o Ministro dos Negócios Estrangeiros Aristide Briand proposto ao seu homólogo norte-americano, Frank Kellogg, uma espécie de compromisso universal e perpétuo de paz.

No ano seguinte, em Paris, foi assinado com pompa e circunstância o Pacto Briand-Kellogg, que consagrava a renúncia coletiva à guerra nas relações entre os Estados. Onze anos depois, começava a II Guerra Mundial.

Com boa vontade e ignorando, por momentos, que alguns apenas pretendem trazer um viés ideológico para a política externa e atacar certos países, podemos considerar que, por estes dias, está de regresso, com grande vigor, o espírito idealista, dos idealistas do período entre guerras mundiais, cuja ingenuidade acabou em tragédia.

Para o idealista, a política consiste em atingir o ideal sem olhar a meios, a contextos e a realidades de poder e segurança. O idealista abandona-se à fantasia dos seus ideais, desprezando a realidade. O idealista vê o mundo como queria que ele fosse e não como ele é, e, ao fazê-lo, adota políticas erradas que, na maioria das vezes, acabam muito mal.

Mesmo que nunca devamos abdicar de lutar pelo mundo como ele deve ser, não podemos jamais ignorar o mundo como ele é. Isso é ainda mais importante neste tempo de regresso da guerra e da anarquia ao centro do sistema internacional.

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