O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

I SÉRIE — NÚMERO 10

42

O Sr. Presidente: — Para uma intervenção, dou a palavra à Sr.ª Deputada Mariana Mortágua, do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda.

A Sr.ª Mariana Mortágua (BE): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Passaram-se dias desde que o choque fiscal da direita foi desmascarado, e sobre esta polémica, que já fez correr muitas palavras, muita tinta,

gostaria apenas de acrescentar uma nota final: a propaganda eleitoral é um exercício legítimo, e é normal que

cada partido, no âmbito de uma campanha, possa simplificar ou destacar aspetos de uma proposta, mas há uma

linha que separa a propaganda do engano.

Quando ficou claro que a proposta do PSD para reduzir o IRS era marginal em face do que já estava em

vigor, o Governo passou a defender-se dizendo que usou sempre a mesma formulação, uma formulação

cuidadosamente concebida para nunca revelar a verdade e nunca poder ser acusada de mentira. O truque,

neste caso, é o termo «perfaz»: « […] perfaz um alívio de 1500 milhões de euros.»

Paradoxalmente, este cuidado do Primeiro-Ministro com as palavras é a prova mais contundente de que a

formulação foi cuidadosamente criada para iludir,…

O Sr. Rui Tavares (L): — É verdade!

A Sr.ª Mariana Mortágua (BE): — … para criar uma ideia que o Governo nunca desmentiu, mesmo sabendo que não era verdadeira.

A linha entre a propaganda e o engano foi ultrapassada, e é só quando o engano é exposto que a política do

Governo ganha alguma transparência.

Durante os últimos anos, ouvimos o PSD falar de uma asfixia, de um esbulho fiscal, do brutal aumento dos

impostos indiretos, da necessidade de um choque fiscal. Garantiram a quem trabalha que a culpa do curto

rendimento no fim do mês é dos impostos altos, e não dos salários baixos.

O Sr. Carlos Guimarães Pinto (IL): — É dos dois!

A Sr.ª Mariana Mortágua (BE): — Chegadas aqui, essas pessoas que ouviram o PSD na campanha têm duas certezas. A primeira é a de que a redução de IRS proposta pelo Governo equivale a 1,80 € num salário de

1000 €; e, pior, 75 % do impacto está concentrado em quem ganha mais.

A solução do PSD para os «mileuristas» é aumentar o salário pela via fiscal para 1002 €: está apresentado

o choque fiscal da direita!

A segunda certeza que têm é a de que o IVA sobre a energia e as telecomunicações — o IVA que é pago a

23 % por quem ganha 1000 €, por quem ganha 5000 €, por quem ganha 10 000 € —, esse, não vai mudar, vai

ficar igual.

Sr.as e Srs. Deputados, o que sobra então deste choque fiscal da direita? Sobra a medida que de facto

importa, que pesa no orçamento, que é incondicional, que vai mesmo para a frente, que é para valer: a redução

do IRS.

Essa medida está calendarizada: menos 2 pontos percentuais ao ano. Essa medida está quantificada: 1500

milhões de euros — pelo menos, porque não sabemos quando custará a derrama.

Sobre a descida do IRC, há três coisas a dizer. A primeira é que ela é ineficaz para promover o investimento,

e isto por uma razão lógica: o IRC é pago sobre os lucros. Ou seja, é pago depois de o investimento ter sido

feito,…

O Sr. Carlos Guimarães Pinto (IL): — Ah!…

A Sr.ª Mariana Mortágua (BE): — … depois de os salários terem sido pagos, e é por isso que é falso que descer o IRC aumente o investimento e aumente os salários.

Mas também é verdade que, nos últimos 30 anos, a taxa do IRC baixou 15 pontos percentuais — não há

nenhum imposto em Portugal que tenha descido tanto e de forma tão estrutural como o IRC —, e, quando

olhamos para os dados do investimento privado nos últimos 30 anos, o que vemos é que o investimento

continuou sempre baixo, sempre muito abaixo da média europeia, sempre muito abaixo dos outros países.

Páginas Relacionadas
Página 0003:
26 DE ABRIL DE 2024 3 A Sr.ª Presidente (Teresa Morais): — Muito boa tarde, Sr.as e
Pág.Página 3
Página 0004:
I SÉRIE — NÚMERO 10 4 Além da aposta na transformação estrutural da economia
Pág.Página 4
Página 0005:
26 DE ABRIL DE 2024 5 A Sr.ª Presidente (Teresa Morais): — Muito bem. Tem, e
Pág.Página 5
Página 0006:
I SÉRIE — NÚMERO 10 6 O Sr. Hugo Carneiro (PSD): — Que coerência é que o Par
Pág.Página 6
Página 0007:
26 DE ABRIL DE 2024 7 Públicas apresentou 0,5 %, e o Sr. Ministro sabe que recebeu
Pág.Página 7
Página 0008:
I SÉRIE — NÚMERO 10 8 Um cenário de políticas invariantes é exatamente o que
Pág.Página 8
Página 0009:
26 DE ABRIL DE 2024 9 É isso que queríamos saber, Sr.ª Presidente. Ap
Pág.Página 9
Página 0010:
I SÉRIE — NÚMERO 10 10 O Sr. Ministro de Estado e das Finanças: — Sr.ª Presi
Pág.Página 10
Página 0011:
26 DE ABRIL DE 2024 11 O Sr. Rui Tavares (L): — … que culpas havia em relação ao ce
Pág.Página 11
Página 0012:
I SÉRIE — NÚMERO 10 12 Sr. Ministro, não leve a mal, mas eu vinha devolver-l
Pág.Página 12
Página 0013:
26 DE ABRIL DE 2024 13 Nós achamos que algumas delas são manifestamente insuficient
Pág.Página 13
Página 0014:
I SÉRIE — NÚMERO 10 14 O Sr. Hugo Soares (PSD): — Boa! O Sr. Alfredo
Pág.Página 14
Página 0015:
26 DE ABRIL DE 2024 15 O Sr. Hugo Soares (PSD): — Ainda não perceberam!
Pág.Página 15
Página 0016:
I SÉRIE — NÚMERO 10 16 O Sr. Paulo Núncio (CDS-PP): — No limite, o Go
Pág.Página 16
Página 0017:
26 DE ABRIL DE 2024 17 vindo a afundar o País. Prometiam um espírito reformista e t
Pág.Página 17
Página 0018:
I SÉRIE — NÚMERO 10 18 trajetória —, uma trajetória definida lá atrás, há oi
Pág.Página 18
Página 0019:
26 DE ABRIL DE 2024 19 Portanto, uma vez mais, apresentam-se aos portugueses
Pág.Página 19
Página 0020:
I SÉRIE — NÚMERO 10 20 Aplausos do PS. Entretanto, assum
Pág.Página 20
Página 0021:
26 DE ABRIL DE 2024 21 Vozes do PSD: — Muito bem! Protestos do PS.
Pág.Página 21
Página 0022:
I SÉRIE — NÚMERO 10 22 têm de fazer essa autocrítica à governação do Partido
Pág.Página 22
Página 0023:
26 DE ABRIL DE 2024 23 O Sr. Presidente: — Para uma intervenção, dou a palavra à Sr
Pág.Página 23
Página 0024:
I SÉRIE — NÚMERO 10 24 impacto económico das medidas de redução de receita e
Pág.Página 24
Página 0025:
26 DE ABRIL DE 2024 25 uma vez que, já na próxima semana, entram em vigor as novas
Pág.Página 25
Página 0026:
I SÉRIE — NÚMERO 10 26 A redução da burocracia e a aprovação das candidatura
Pág.Página 26
Página 0027:
26 DE ABRIL DE 2024 27 … Portugal, com um crescimento em torno de 2 %, qualifica, j
Pág.Página 27