I SÉRIE — NÚMERO 13
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Segundo um outro estudo, do matemático Henrique Oliveira, do Instituto Superior Técnico (IST), o número
pode mesmo chegar a 1 milhão e 200 mil votos que não foram convertidos em mandatos, o que representaria
praticamente 20 % do total de votos expressos.
Por isso, vemos que este Parlamento não representa totalmente a vontade dos portugueses expressa nas
urnas: o PAN, que teve 1,95 % dos votos, representa apenas 0,4 % dos mandatos; o Livre, que teve 3,16 % dos
votos, tem apenas 1,7 % dos mandatos; o Bloco, que teve 4,36 % dos votos, tem apenas 2,2 % dos mandatos.
Protestos do Deputado do CH Miguel Arruda.
Pelo contrário, a AD, que teve 28,9 % dos votos, tem 35,7 % dos mandatos. O Partido Socialista, que teve
28 % dos votos, tem 34 % dos mandatos. E o Chega, que teve 18 % dos votos, tem 21,7 % dos mandatos.
Mas, Srs. Deputados, se de alguns se pode dizer que foram, e são, beneficiados por esse sistema eleitoral,
os verdadeiros prejudicados são os nossos concidadãos, que têm o direito, protegido pela nossa Constituição,
de poderem votar no partido que entenderem e de, se um número suficiente de outras pessoas pensar da mesma
forma, essas ideias obterem representação parlamentar.
Não são o Livre, o PAN, a IL, o PCP ou o Bloco que são prejudicados — é a própria saúde da democracia.
Quando o sistema eleitoral não cria vias de representação do pluralismo da nossa sociedade, mas, ao
contrário, reforça uma chantagem eleitoral constante sobre as pessoas — «olha que se não votares assim, o
teu voto vai para o lixo» —, essa frustração e essa falta de representação, mais tarde ou mais cedo, viram-se
contra o próprio sistema e põem-no em causa.
É por isso, Sr.as e Srs. Deputados, que apresentamos este projeto de lei para a criação de um círculo nacional
de compensação nas eleições legislativas, uma forma de mantermos o nosso sistema eleitoral relativamente
intacto, ao mesmo tempo que aumentamos a proporcionalidade e a representatividade que os portugueses
merecem.
É um sistema bom o suficiente para os nossos concidadãos açorianos, criado — justiça seja feita — por um
acordo entre PS e PSD. E foi precisamente um antigo Presidente da Assembleia Legislativa da Região
Autónoma dos Açores, do PSD, Humberto Melo, que disse, em declarações ao Expresso, que o círculo nacional
de compensação, e cito: «Aumentou a pluralidade, a representação sob o ponto de vista político mais abrangente
e isso também trouxe benefícios à democracia e à própria representação dos eleitores, pois há sempre
sensibilidades diferentes.»
Podemos — e certamente haverá tempo para isso neste debate e no debate em sede de especialidade, caso
estas propostas sejam aprovadas — debater os detalhes: se o círculo deve ser maior ou mais pequeno, se deve
ou não incluir os círculos de emigração, ou se deve implicar um redesenho dos restantes círculos eleitorais.
Mas nos 50 anos do 25 de Abril, da conquista da democracia representativa e do pluralismo partidário, estou
certo de que todos concordaremos que o nosso País precisa de um sistema eleitoral que trate todos os cidadãos
por igual e que garanta uma representação proporcional e plural neste Parlamento. É isso que o respeito pela
nossa Constituição nos exige.
Aplausos do L e de Deputados do BE.
O Sr. Presidente: — Sr. Deputado, tem dois pedidos de esclarecimento. Dir-me-á se responde em conjunto ou individualmente.
O Sr. Paulo Muacho (L): — Em conjunto, Sr. Presidente.
O Sr. Presidente: — Dou, então, a palavra ao Sr. Deputado Pedro Neves de Sousa, do Partido Social Democrata, para um primeiro pedido de esclarecimento.
O Sr. Pedro Neves de Sousa (PSD): — Sr. Presidente, Sr.as Deputadas e Srs. Deputados, entendemos que este deve ser um debate sério, é um debate importante e, a nosso ver, devia ser até um debate sobre
organização e sobre o próprio sistema político, e não apenas restrito à questão eleitoral, como aqui vem a ser
apresentada.