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4 DE MAIO DE 2024

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«A 1 de abril de 2024, sete trabalhadores da organização humanitária World Central Kitchen foram mortos

pelas forças armadas israelitas em Gaza, conforme já reconhecido pelo Governo do Estado de Israel. Estas

pessoas encontravam-se em missão humanitária de preparação e distribuição de refeições em Gaza.

Os sete elementos da organização humanitária faziam parte de um grupo que viajava em três veículos

blindados, devidamente assinalados com o logotipo da organização, numa viagem que ocorreu após a

coordenação dessa deslocação com o exército israelita. Nem isso impediu que tivessem sido vítimas de um

ataque aéreo mortal.

A morte de elementos de organizações de ajuda humanitária é um ataque aos seus trabalhadores, à

organização em causa, mas também a todas as organizações humanitárias que operam em cenários de guerra

e, de forma mais ampla, ao direito internacional humanitário.

As vítimas mortais tinham nacionalidade do Reino Unido, Austrália, Polónia, Palestina e ainda um elemento

com dupla nacionalidade do Canadá e Estados Unidos da América. Devido ao ataque que sofreu, a organização

humanitária suspendeu as suas operações, provocando ainda o regresso ao Chipre de um navio com 240

toneladas de ajuda humanitária.

Assim, a Assembleia da República, reunida em sessão plenária, manifesta o seu pesar pela morte de Damian

Soból, Jacob Flickenger, James Henderson, James Kirby, John Antony Chapman, Lalzawmi "Zomi" Frankcom

e Saifeddin Issam Ayad Abutaha.»

O Sr. Presidente: — Srs. Deputados, vamos votar a parte deliberativa do projeto de voto que acabou de ser lido.

Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade, registando-se a ausência do PAN.

Passamos ao Projeto de voto n. º8/XVI/1.ª (apresentado pelo PS) — De pesar pelo falecimento de Nuno

Júdice, tendo a palavra, para proceder à leitura, a Sr.ª Deputada Joana Lima.

A família está presente e a Mesa apresenta os seus sentidos pêsames.

A Sr.ª Secretária (Joana Lima): — Sr. Presidente e Srs. Deputados, o projeto de voto é do seguinte teor: «Faleceu no passado dia 17 de março, aos 75 anos, Nuno Manuel Gonçalves Júdice Glória, poeta, ficcionista,

ensaísta e académico.

Licenciado em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa e Doutorado pela Faculdade de Ciências

Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, em Literatura Medieval, onde foi professor de 1978 a

2015, Nuno Júdice nasceu em 1949 em Mexilhoeira Grande, no Algarve.

Poeta e ficcionista, a sua estreia literária deu-se com A Noção de Poema, em 1972, tendo recebido os mais

importantes prémios de poesia portugueses e estrangeiros, como o Prémio PEN Clube, em 1985, o Prémio D.

Dinis da Fundação Casa de Mateus, em 1990, e o Prémio da Associação Portuguesa de Escritores, em 1994,

com o livro Meditação sobre ruínas que foi também finalista do Prémio Europeu de Literatura Aristeion.

Em 2013 é galardoado pelo conjunto da sua obra com o XXII Prémio Ibero-americano Rainha Sofia, em 2018

recebe o prémio PEN do Clube Galego e em 2021 é distinguido com o Grande Prémio de Poesia Maria Amália

Vaz de Carvalho da Associação Portuguesa de Escritores, encontrando-se traduzido em inúmeros países e

línguas.

Enquanto ensaísta publicou estudos sobre teoria da literatura e literatura portuguesa, antologias, como a da

Poesia Futurista Portuguesa, edições críticas como a dos Sonetos, de Antero de Quental e teve uma

colaboração regular em jornais e revistas com críticas de livros e crónicas.

Exerceu as funções de Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal (1997-2004) e de Diretor do Instituto

Camões em Paris, foi Diretor das revistas literárias Tabacaria, editada pela Casa Fernando Pessoa (1996-1999)

e da Colóquio-Letras (desde 2009), Comissário para a área da Literatura da representação portuguesa à 49.ª

Feira do Livro de Frankfurt, que teve Portugal como País-tema, tendo, ainda, organizado a Semana Europeia de

Poesia no âmbito de Lisboa Capital Europeia da Cultura (1994).

Assim, a Assembleia da República, reunida em sessão plenária, manifesta o seu profundo pesar pelo

falecimento de Nuno Júdice, professor, académico, poeta, ficcionista e ensaísta, cuja poesia, extremamente

consciente da grandeza e dos limites do dizer poético, constitui uma obra de grande originalidade e de profunda

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