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I SÉRIE — NÚMERO 21

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O Sr. Jorge Pinto (L): — Não, não! Não foi o Sr. Deputado, foi ali de outro grupo parlamentar! Indo ao que interessa — e porque também tocou, na sua intervenção, em vários temas, da habitação aos

novos modelos de trabalho —, na verdade é neste ponto dos novos modelos de trabalho que me quero focar,

porque realmente os há e o Livre, como esquerda do século XXI, é quem tem trazido para debate muitos desses

temas, alertando para a necessidade de reforçar o Estado social para esses desafios do século XXI. Só que da

sua bancada temos ouvido muito pouco. Já perguntámos várias vezes ao Governo, que o Sr. Deputado apoia,

coisas muito concretas em relação à semana laboral de quatro dias.

O relatório que já existe, e já aqui foi referido, é claríssimo nas suas conclusões; portanto, a minha principal

pergunta é se o senhor, se o seu partido e o Governo que o senhor apoia estão disponíveis, ou não, para,

olhando para aquelas conclusões, reforçar e alargar este projeto-piloto da semana laboral de quatro dias,

porque, sabemos bem, a vida boa é, realmente, uma vida com novos modelos de trabalho, mas que não podem

e não devem ser modelos de trabalho que, mascarados com novas expressões do século XXI, no fundo, nos

queiram atirar para a precariedade e para a falta de proteção do século XIX.

Pensar nestes novos modelos de trabalho é essencial, mas isso não se faz com menos Estado social, mas,

sim, com mais Estado social, e esse Estado social passa, certamente, por menos tempo dedicado ao emprego,

para que possamos ter mais tempo para nós e para que possamos ter mais tempo para nós enquanto sociedade,

porque Portugal é dos países da Europa onde há menor participação cívica e onde, coincidentemente, há menor

confiança interpessoal.

E estas coisas não são alheias uma à outra e são, certamente, também porque temos pouco tempo. Por isso,

dar mais tempo a todos é bom para nós, enquanto indivíduos, mas é também bom para nós, enquanto

comunidade e enquanto sociedade.

Aplausos do L.

O Sr. Presidente: — Para pedir esclarecimentos, dou a palavra à Sr.ª Deputada Maria Begonha, do Partido Socialista, que dispõe de 50 segundos.

A Sr.ª Maria Begonha (PS): — Sr. Presidente, vou ser muito rápida. Sr. Deputado, ouvimo-lo dizer algo extraordinário, ou seja, que há muitos jovens que querem trabalhar sete

dias seguidos ou que não querem trabalhar de todo.

Sr. Deputado, o PSD insiste em ficar preso no passado, como já foi aqui dito. O PSD acha que o que é

preciso é flexibilidade.

Protestos do Deputado do PSD Gonçalo Lage.

Foi o que o Sr. Deputado quis dizer. É preciso flexibilidade nos modelos de trabalho, tal como diz que é

preciso flexibilidade na habitação, o que faz parte de todo um programa e de um ideário.

Mas gostava de dizer ao Sr. Deputado que a palavra não é flexibilidade, a palavra deve ser estabilidade. O

que é que os jovens também gostavam de ter? Estabilidade, para se poderem emancipar, para terem um

arrendamento que consigam, de facto, suportar.

Portanto, o Sr. Deputado em vez de falar de flexibilidade devia falar de estabilidade e deixe-me devolver-lhe

a pergunta: mas, então, se o PSD levar a sua avante,…

O Sr. Pedro Pinto (CH): — Avante?!

O Sr. Hugo Soares (PSD): — Avante é do PCP!

A Sr.ª Maria Begonha (PS): — … que não é o que diz o Sr. Ministro, se o PSD desregular, desproteger o inquilino, liberalizar mais o mercado, que casas é que traz e o que é que isso resolve do problema da estabilidade

— não da flexibilidade, Sr. Deputado — que, de facto, se procura neste País? Falo, por exemplo, de estabilidade

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