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I SÉRIE — NÚMERO 21

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Aplausos do PS.

O Sr. Presidente: — Para pedir esclarecimentos, tem a palavra o Sr. Deputado João Vale e Azevedo.

O Sr. João Vale e Azevedo (PSD): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, Sr.ª Deputada Mariana Mortágua, com as propostas hoje apresentadas, o Bloco de Esquerda pretende resolver problemas através do

conflito e fugindo à concertação, proibindo, obrigando e prejudicando todos.

Vejamos, na habitação, medida: proibir novos hotéis; resultado: o setor não cresce e quem já tem hotéis fica

protegido, pois praticará preços mais altos e salários mais baixos, por haver menor concorrência.

O Sr. Paulo Núncio (CDS-PP): — Bem trabalhado…!

O Sr. João Vale e Azevedo (PSD): — Medida: limitar fortemente o alojamento local; resultado: destruição de investimentos e emprego. Com as regras que defendem, essas casas serão vendidas no mercado de

aquisição a quem as puder pagar, pelo que não serão arrendadas.

Medida: congelamento de rendas; resultado: destruição das nossas cidades, como vimos no passado, e

desaparecimento do novo mercado arrendamento.

Construção não pode haver, só se for de casas públicas, porque à outra chamam especulação.

O Sr. Gonçalo Lage (PSD): — Bem lembrado!

O Sr. João Vale e Azevedo (PSD): — Resultado: os preços das casas aumentam, os ricos ficam mais ricos e os pobres ficam mais pobres e afastados da compra de casa, ou seja, privados de uma forma de poupança

que poderiam deixar aos seus filhos, como fazem os ricos.

Vozes do PSD: — Muito bem!

O Sr. João Vale e Azevedo (PSD): — Primeira pergunta: o Bloco tem alguma coisa contra os mais pobres? Além de desafiar as leis da economia, o Bloco desafia as leis da física, querendo, na prática, colapsar tudo

o que está à volta de Lisboa e do Porto, dos seus centros, qual buraco negro.

Quando alguém propõe melhorar a rede de transportes ou a criação de novas centralidades, o Bloco acusa

que querem atirar as pessoas para os subúrbios.

De acordo com a Sr.ª Deputada Mariana Mortágua, os subúrbios ficam, e passo a citar: «sabe-se lá onde».

Os subúrbios ficam «sabe-se lá onde»?

O Sr. Paulo Núncio (CDS-PP): — É um ataque ao eleitorado!

O Sr. João Vale e Azevedo (PSD): — Pergunto à Sr.ª Deputada Mariana Mortágua, onde é que fica o «sabe-se lá onde»? Em relação a Lisboa, será em Alhandra, em Alverca, na Póvoa de Santa Iria, em Loures, em Olival

Basto, em Odivelas, na Amadora, em Massamá, em Rio de Mouro, em Mem Martins ou no Barreiro, no Seixal,

em Fernão Ferro, na Amora ou em Almada? É aqui o «sabe-se lá onde»?

Aplausos do PSD.

É onde moram pessoas briosas, trabalhadoras que merecem respeito, pessoas que, se ambicionam morar

no tal centro, têm no Bloco o seu maior inimigo, um inimigo do elevador social e da criação de oportunidades.

Poderei estar enganado e por isso pergunto: onde fica, afinal, o «sabe-se lá onde»?

Aplausos do PSD e do CDS-PP.

O Sr. Presidente: — Para responder, vou dar a palavra à Sr.ª Deputada Mariana Mortágua.

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