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21 DE SETEMBRO DE 2024

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Foi produtor executivo no Departamento de Programas Musicais da RTP (Rádio e Televisão de Portugal) e

participou na criação de espetáculos de teatro musical, deixando uma marca relevante na crítica das artes em

Portugal, em particular na música e no cinema, sendo ainda responsável por vários ciclos de cinema,

nomeadamente, desde 2007, o Doclisboa.

Entre outros projetos, fez parte da equipa de A Revista do Expresso, liderada por Vicente Jorge Silva, onde

a crítica do cinema viveu momentos de grande destaque e prestígio durante uma década decisiva na

transformação de Lisboa, que viu nascer uma geração de intelectuais ligados à noite do Bairro Alto e à boémia

lisboeta, onde teceu cumplicidades e antagonismos.

A sua memória tornava Augusto M. Seabra uma enciclopédia que acrescentava à sua crítica a história e a

capacidade de pensar pela sua própria cabeça, sem se deixar levar pelas conjunturas do momento, numa altura

em que a opinião crítica no espaço público mantinha, ainda, uma centralidade decisiva na formação do espaço

público.

Assim, a Assembleia da República, reunida em sessão plenária, expressa o seu pesar pelo falecimento de

Augusto M. Seabra e endereça as mais sentidas condolências à família e amigos, reconhecendo o seu legado

na promoção das artes em Portugal e o papel único na discussão política e cultural no nosso País.»

O Sr. Presidente: — Srs. Deputados, vamos votar a parte deliberativa do projeto de voto que acaba de ser

lido.

Submetida à votação, foi aprovada por unanimidade.

De seguida, temos o Projeto de Voto n.º 317/XVI/1.ª (apresentado pelo PS) — De pesar pelo falecimento de

Graça Lobo.

A sua leitura será feita pela Sr.ª Secretária Joana Lima.

A Sr.ª Secretária (Joana Lima): — Sr. Presidente, o projeto de voto é do seguinte teor:

«No passado dia 9 de setembro faleceu Graça Lobo, aos 85 anos, mulher irreverente que se tornou uma

referência para várias gerações de atores e encenadores que com ela trabalharam, deixando um importante

legado para o teatro português.

Nascida a 12 de abril de 1939, destacou-se como atriz e encenadora, representando, ao longo da sua

carreira, textos que definiram o teatro contemporâneo, como os de Luigi Pirandello, Samuel Beckett, Jean Genet

ou Harold Pinter.

Em fevereiro de 1967 estreia-se na Casa da Comédia, nas Noites Brancas, de Dostoievsky, com encenação

de Norberto Barroca, quando ainda era aluna do Conservatório Nacional, tendo ainda feito parte do Teatro

Estúdio de Lisboa e do Teatro Experimental de Cascais, de Carlos Avilez.

Se no início da sua carreira foi pioneira no teatro independente, desafiando os anos da ditadura, em 1979

sente necessidade de fundar a Companhia de Teatro de Lisboa, onde põe em cena James Joyce, Harold Pinter,

Noel Coward, Alan Ayckbourn, Miguel Esteves Cardoso, entre outros autores.

Foi Molly Bloom, a partir de Ulisses, de James Joyce, e as Cartas Portuguesas atribuídas a Mariana

Alcoforado, que pôs em cena no Teatro Nacional D. Maria II, o que lhe abriu as portas dos palcos internacionais,

de Liubliana, Tóquio e São Paulo a São Francisco e Nova Iorque.

Entre os seus espetáculos mais recentes contam-se Aqui Estou Eu Vírgula Graça Lobo, que estreou em 2003

no Teatro São Luiz, subindo pela última vez ao palco em 2015, com a peça As Três (Velhas) Irmãs, a partir do

clássico de Anton Tchékhov, com Mariema e Paula Só, peça encenada por Martim Pedroso, no Teatro D. Maria

II.

Assim, a Assembleia da República, reunida em sessão plenária, manifesta o seu profundo pesar à família e

amigos pela morte de Graça Lobo, reconhecendo o legado que deixa de irreverência, dedicação, talento, paixão

e coragem na arte de representar e a perda que o seu desaparecimento representa para a cena artística

portuguesa.»

O Sr. Presidente: — Srs. Deputados, vamos votar a parte deliberativa do projeto de voto que acaba de ser

lido.

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