27 DE SETEMBRO DE 2024
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acrescentava — e chamo a atenção para esta questão — que essa seria a única forma de ultrapassar a tradição
portuguesa da dicotomia entre educar e cuidar.
Temos de responder a este apelo, e já é tarde para o fazer,…
Protestos do Deputado do CH Pedro dos Santos Frazão.
… além de que é também a única forma de garantir uma rede pública de creches, universal e gratuita, que
cumpra o direito das crianças e das famílias tanto à educação quanto ao cuidado.
O custo das creches, hoje, para as famílias portuguesas relaciona-se com duas opções erradas. Uma é a de
não incluir as creches no sistema educativo, mas sim no campo da ação social. Isso faz com que se percecionem
as creches como uma assistência à família, e não como um direito das crianças; como uma assistência à família,
que deve estar orientada por princípios de remuneração das famílias ou condicionada, até, por princípios de
rendimento das famílias, e não um direito das crianças que deve ser universal, acessível, em igualdade para
todas as crianças.
Esta perspetiva assistencialista sobre o direito das crianças à creche desresponsabiliza o Estado.
A recomendação do Conselho Nacional de Educação, de 2011, diz que a educação dos 0 aos 3 é um fator
de igualdade de oportunidades, de inclusão e de coesão social. O Conselho Nacional de Educação tem vindo a
dizer que a frequência da creche não deve ser obrigatória, mas deve ser universal, e que deve ser o Ministério
da Educação a incluir progressivamente uma responsabilização pela tutela da educação da faixa etária dos 0
aos 3.
É por estas razões, e também por reconhecer que o trabalho dos educadores de infância em creches é um
trabalho especializado de pessoas que estudaram a educação de infância, que temos de reconhecer este direito.
Aplausos do BE.
O Sr. Presidente: — Para a apresentação do Projeto de Lei n.º 246/XVI/1.ª, do Chega, tem a palavra o
Sr. Deputado Eliseu Neves, que dispõe de 6 minutos.
O Sr. Eliseu Neves (CH): — Ex.mo Sr. Presidente da Assembleia, Ex.mos Srs. Deputados e Deputadas: O
trabalho é, sem dúvida, a força motriz que organiza a vida dos indivíduos, garante o sustento das famílias e
promove a estabilidade social, bem ao contrário do que dizem certas ideologias, que tentam iludir o povo com
promessas para que este se convença de que o trabalho é sinal de servidão.
Contudo, estes que odeiam o trabalho, mas adoram os subsídiodependentes,…
Risos da Deputada da IL Patrícia Gilvaz.
… são os mesmos que não se importam que a vida laboral comprometa o núcleo essencial da nossa
sociedade, a família. É simples, meus caros: os socialistas e marxistas, mais ou menos travestidos, odeiam o
trabalho, odeiam a família.
Pois para nós, Srs. Deputados, a defesa da família é um pilar inquestionável, e cabe ao Estado criar
condições para que os pais possam estar presentes na educação dos seus filhos, sobretudo quando há desafios
adicionais. Srs. Deputados, para nós, não há fonte mais genuína que impulsione a produção dos valores morais
do que a família.
Posto isto, Sr. Presidente e Srs. Deputados, fica evidente que o trabalho por turnos e noturno é cada vez
mais uma realidade na nossa sociedade, impondo sacrifícios vários e colocando em causa o equilíbrio familiar.
Desta forma, a proposta que o Chega aqui traz visa precisamente corrigir esta rota.
A proteção da família e dos seus valores deve ser sempre uma prioridade, mesmo no contexto laboral, e isto
é uma questão de justiça para as famílias que enfrentam dificuldades em conciliar o trabalho com o cuidado dos
filhos. Esta medida é uma solução prática e eficaz para assegurar que pelo menos um dos progenitores tenha
um horário compatível com as necessidades familiares, especialmente quando ambos trabalham para o mesmo
empregador.