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7 DE OUTUBRO DE 2024

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Aplausos do CH.

O Sr. Rui Tavares (L): — Está a olhar para a cara dela!…

O Sr. Presidente: — Para uma intervenção, vou dar a palavra ao Sr. Deputado Pedro Sousa, do Partido

Socialista, que dispõe de 14 minutos e 44 segundos.

O Sr. Pedro dos Santos Frazão (CH): — Se calhar estão as duas a reunir!

O Sr. Fabian Figueiredo (BE): — Se calhar está junto com o Câmara Pereira!

O Sr. Pedro Pinto (CH): — Mariana, onde estás?

O Sr. Presidente: — Srs. Deputados,…

Protestos do CH e contraprotestos do BE.

… agora vamos ouvir o Sr. Deputado do Partido Socialista Pedro Sousa, que dispõe de 14 minutos e

44 segundos.

Faça favor, Sr. Deputado.

O Sr. Pedro Sousa (PS): — Sr. Presidente, Sr.as Deputadas, Srs. Deputados: Ao longo dos últimos anos, o

tema das touradas tem sido frequentemente apresentado nesta Assembleia como sendo uma questão onde só

se pode ter uma posição, ou a favor ou contra. Este tipo de polarização, este tipo de posições simplifica um

debate cuja antiguidade prova bem a sua complexidade.

Este é um debate sobre identidade e sobre a liberdade das nossas populações para expressarem as suas

tradições. É um debate sobre economia local e sobre os empregos gerados pela tauromaquia, frequentemente

em territórios onde estes escasseiam.

Aplausos do PS.

É, ainda, um debate sobre as comunidades que têm esta tradição enraizada na sua cultura. Porém, este é

também um debate sobre o tipo de civilização que queremos ser e sobre o lugar que reservamos tanto à violência

como ao bem-estar animal na nossa sociedade.

Afinal, num País que tem progredido tanto nesta matéria, tendo mesmo estabelecido, no passado recente,

que os animais são seres vivos dotados de sensibilidade, qual o sentido de manter uma prática que lhes gera

sofrimento para fins de lazer? Bem, o sentido advém do facto de este ser também um debate sobre o tipo de

democracia em que queremos viver.

Caras e Caros Deputados, reparem que é evidente que não há nenhuma tradição intocável, particularmente

quanto aos valores em que ela se alicerça quando estes deixam de fazer sentido. Afinal, a tradição é uma

expressão de quem somos e, por isso, muda sempre que nós próprios, individual e coletivamente, mudamos.

Por definição, não existem tradições sem pessoas que as mantenham. Quando uma tradição deixa de fazer

sentido no presente, ela simplesmente cristaliza-se e desaparece. A resistência da atividade tauromáquica numa

parte importante do nosso território e da nossa população é sinal de que os valores em que ela se alicerça estão

vivos…

O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): — Ora bem!

O Sr. Pedro Sousa (PS): — … e que, por isso, ela faz sentido para as pessoas que a celebram, mesmo que

não faça sentido para muitas das demais.

Ora, uma democracia robusta é aquela que permite ao povo decidir sobre a expressão da sua cultura. É por

isto que argumentamos, no Partido Socialista, que não deve caber à Assembleia da República decidir sobre

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