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I SÉRIE — NÚMERO 56

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O Sr. Tiago Barbosa Ribeiro (PS): — Sr. Presidente, Sr. Primeiro-Ministro, o seu Governo é verdadeiramente o Governo das duas caras: teve uma cara em campanha eleitoral e tem uma cara na

governação — onde antes havia facilidades, há agora dificuldades; onde antes havia expectativa, há agora

falhanços.

Assim, em diferentes áreas já aqui referidas, e noutras que certamente ainda serão debatidas, a AD iria

resolver tudo rapidamente, e o que nós vemos são mais alunos sem professores, casas mais caras, mais

portugueses sem urgências abertas.

É assim na frente financeira, onde o senhor e o seu Governo levam a bola de ouro das cativações, que tanto

criticou, mas é assim também na área do crescimento económico e do seu impacto nos salários e na qualidade

do emprego.

O seu Governo é o Governo das duas caras, não apenas pelo conflito insanável entre aquilo que prometeu

em campanha eleitoral e aquilo que está a fazer no Governo, mas também face àquilo que está a prometer em

Portugal e àquilo que está a dizer em Bruxelas. Dizem uma coisa em Portugal, dizem outra coisa na Europa.

O Sr. Pedro Pinto (CH): — Parece o PS!

O Sr. Tiago Barbosa Ribeiro (PS): — Como já aqui foi referido pelo Secretário-Geral do Partido Socialista, diziam que iam colocar o País a crescer acima dos 3 %, mas foram a Bruxelas dizer que vão pôr o País a crescer

menos do que Portugal cresceu, em média, com a governação do Partido Socialista,…

O Sr. Paulo Núncio (CDS-PP): — Isso já está explicado!

O Sr. Tiago Barbosa Ribeiro (PS): — … com uma pandemia e uma guerra pelo meio. Aliás, o Sr. Ministro das Finanças escreveu um livro chamado Crónicas de um País Estagnado — estava a falar, eventualmente, da

governação da qual iria fazer parte.

Aplausos do PS.

O Sr. RuiTavares (L): — Era uma profecia!

O Sr. Tiago Barbosa Ribeiro (PS): — O Governo tem duas caras, e, por isso, teve também uma cara para a concertação social e outra cara para Bruxelas. Na concertação social, o senhor assinou um acordo que prevê

um crescimento do salário médio em linha com aquilo que o PS previa, mas em Bruxelas entregou uma previsão

que diverge desse crescimento: menos 0,4 pontos percentuais em 2026, menos 1,2 em 2027 e menos 1,1 em

2028.

Estas previsões ainda agravam o achatamento entre o salário mínimo e o salário médio, que aumentou 31 %

durante a governação do Partido Socialista. As suas previsões e aquelas que entregou em Bruxelas significam

que está a faltar com a sua palavra em relação ao que assinou na concertação social, representando menos

crescimento salarial para os portugueses e menos qualidade do emprego para todos eles.

Sr. Primeiro-Ministro, no Governo das duas caras, diga-nos aqui qual é a cara que escolhe para explicar ao

País estas falhas. Tem hoje aqui essa oportunidade.

Aplausos do PS.

O Sr. Presidente: — Sr. Deputado Carlos Guimarães Pinto, da Iniciativa Liberal, faça favor, tem 2 minutos.

O Sr. Carlos Guimarães Pinto (IL): — Sr. Presidente, Srs. Deputados, Srs. Membros do Governo Mandante, Srs. Membros do Governo Executante,…

Risos da IL.

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