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2 DE NOVEMBRO DE 2024

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Passamos, então, ao Projeto de Voto n.º 404/XVI/1.ª (apresentado pelo PCP e subscrito por uma Deputada

do PS) — De pesar pelo falecimento do jornalista Emídio Fernando.

Informo que a família está presente na galeria e dou a palavra à Sr.ª Secretária Germana Rocha, para fazer

a leitura do projeto de voto. Faça favor, Sr.ª Deputada.

A Sr.ª Secretária (Germana Rocha): — Sr. Presidente e Srs. Deputados, o projeto de voto tem o seguinte

teor:

«Emídio Fernando, antigo jornalista da TSF, morreu no dia 16 de outubro, em Alpiarça, vítima de doença.

Historiador, autor e jornalista nasceu a 12 de outubro de 1965, em Seles, Angola.

Estudou em Angola, Moscovo e Lisboa, tendo concluído um mestrado de História no ISCTE.

O jornalismo foi o seu trabalho e a reportagem a sua paixão, destacando-se como grande repórter na TSF.

Venceu duas vezes o Prémio Gazeta. Em 1993, na categoria Revelação com uma reportagem na Bósnia, As

Altas Montanhas da Morte, e, de novo, em 1994, com a reportagem de rádio Os Últimos Dias da UNITA no

Huambo, durante a guerra civil em Angola.

Foi ainda repórter de guerra no Afeganistão, Iraque e Bósnia. Foi nomeado em 1994 e 1996, jornalista

africano do ano na diáspora.

Emídio Fernando foi Diretor do jornal Tal&Qual e fundador do 24 Horas. Em Angola, fundou o jornal Nova

Gazeta, do qual foi editor executivo, e dirigiu a Rádio Essencial.

Escreveu livros como Jonas Savimbi — No Lado Errado da História, O Último Adeus Português e, em

coautoria, Noites de Lisboa, tendo ainda colaborado em Dias de Bagdad e Curtas Letragens.

São reconhecidas as suas qualidades de coragem, cultura, humor e humanismo presente até nos cenários

mais difíceis e guerras que enlutaram o final do século XX e início do XXI.

A Assembleia da República, reunida em plenário, manifesta o seu pesar pelo falecimento do jornalista Emídio

Fernando e expressa sinceras condolências aos seus familiares e amigos.»

O Sr. Presidente: — Srs. Deputados, vamos votar a parte deliberativa do projeto de voto que acaba de ser

lido.

Submetida à votação, foi aprovada por unanimidade.

Prosseguimos com o Projeto de Voto n.º 422/XV1/1.ª (apresentado pelo PS) — De pesar pelo falecimento

da etnomusicóloga Anne Caufriez.

Peço à Sr.ª Secretária Joana Lima o favor de ler.

A Sr.ª Secretária (Joana Lima): — Sr. Presidente e Srs. Deputados, o projeto de voto é do seguinte teor:

«Morreu em Bruxelas, aos 79 anos, a etnomusicóloga Anne Caufriez, que dedicou uma parte importante da

sua vida ao estudo da música tradicional portuguesa, tendo publicado várias obras que permanecerão uma

referência extensa e incontornável, entre livros, álbuns de recolhas, artigos e conferências sobre várias regiões

de Portugal, que fazem de si merecedora do reconhecimento e da homenagem da Assembleia da República.

Anne Caufriez nasceu em La Bouverie, na Bélgica, em 1945. Estudou História da Arte e Musicologia na

Universidade Livre de Bruxelas, fez o pós-doutoramento na Universidade de Lovaina e foi agregada da

Sorbonne, em Paris. Foi também conservadora do Departamento de Instrumentos Populares e não Europeus

de Bruxelas.

Tinha uma enorme paixão por Portugal, onde passou vários anos e que visitava regularmente para

desenvolver o seu trabalho, que iniciou em 1967, quando conheceu o etnomusicólogo corso Michel Giacommeti,

conhecido pelo seu trabalho de recolhas pelos campos do País, com a colaboração de Fernando Lopes-Graça,

e pela série documental Povo que canta, realizada por Alfredo Tropa.

Caufriez fez investigação e trabalho de campo em Trás-os-Montes, no Minho e na Madeira, abordando temas

tão distintos como a música de Porto Santo, as polifonias das mulheres de Soajo, em Arcos de Valdevez, e de

São João do Campo, em Terras de Bouro.

Para além de obras como Trás-os-Montes: Canções do trigo e gaitas-de-fole de pastor, A canção do pão:

Trás-os-Montes, investigações sobre o romanceiro ou da monografia sobre a música vocal mirandesa, concluiu

recentemente uma importante obra sobre o fundador dos Arquivos Sonoros Portugueses, Michel Giacometti.

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