2 DE NOVEMBRO DE 2024
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Só é possível atingirmos um desenvolvimento económico e social sustentável se tivermos contas públicas
equilibradas e mantivermos uma trajetória robusta de redução da dívida pública. O Orçamento do Estado
apresentado por este Governo garante todos estes objetivos.
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
O Sr. Presidente: — Obrigado, Sr. Ministro, a Mesa está a organizar os pedidos de esclarecimento, porque
houve uma aparente «chuva» de pedidos.
Pausa.
O Sr. Ministro tem 18 pedidos de esclarecimento. Como pretende responder?
O Sr. Ministro de Estado e das Finanças: — Quatro a quatro, Sr. Presidente.
O Sr. Presidente: — Responderá a grupos de quatro pedidos.
Para formular o primeiro pedido de esclarecimentos, tem a palavra o Sr. Deputado António Mendonça
Mendes, do Partido Socialista, que dispõe de 2 minutos. Faça favor.
O Sr. António Mendonça Mendes (PS): — Sr. Presidente, Sr. Ministro de Estado e das Finanças, registo o
seu tom de pouca preocupação e de algum otimismo relativamente ao próximo ciclo. E por isso, Sr. Ministro,
registo que o crescimento que ontem foi divulgado na estimativa rápida do INE (Instituto Nacional de Estatística,
I.P.) não mereceu, por parte do Sr. Ministro, qualquer preocupação: o facto de termos dois trimestres
consecutivos em divergência com a zona euro.
Registo também que o Sr. Ministro não expressou qualquer preocupação pelo facto de a despesa pública
estar a crescer a um ritmo superior ao crescimento do PIB nominal. Registo essa sua despreocupação e registo
também, Sr. Ministro, a sua despreocupação com o facto de a margem orçamental para o investimento estar
muito diminuída no pós-PRR.
Por isso, Sr. Ministro, face a essa sua despreocupação, eu queria apontar-lhe três contradições, e a primeira
é a contradição relativamente ao investimento pós-PRR. O Sr. Ministro, quando fez o cenário macroeconómico
na campanha eleitoral, dizia que o crescimento do investimento pós-PRR, em 2027, era de 3,2 %. Em políticas
invariantes, no Programa de Estabilidade, já era menos 0,5 %, e agora é mais 1,8%. Portanto, Sr. Ministro, tem
aqui uma boa oportunidade para esclarecer essa contradição.
Segunda contradição, Sr. Ministro: este é um Governo que não aumenta impostos. Mas, ó Sr. Ministro, se a
taxa de carbono só sobe pelo efeito do consumo, explique lá porque é que a inscreveu nas medidas
discricionárias de política no plano orçamental de médio prazo.
Em terceiro lugar, Sr. Ministro, sobre cativações, registo também a sua contradição. E aqui, Sr. Ministro,
pedia-lhe a matemática — penso que concorda comigo, e vamos pôr as coisas de forma simples — em que um
mais um é igual a dois, e dois é maior do que um. Por isso, Sr. Ministro, o que lhe peço é que possa explicar a
um aluno esforçado, que quer passar no exame, como é que 1200 milhões de «contradição» é mais do que
2400 milhões de cativações para este ano.
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente: — Sr.ª Deputada Mariana Leitão, da Iniciativa Liberal, tem 2 minutos para pedir
esclarecimentos. Faça favor.
A Sr.ª Mariana Leitão (IL): — Sr. Presidente, Srs. Membros do Governo, Srs. Deputados, Sr. Ministro, ontem,
o Sr. Primeiro-Ministro, na sua intervenção inicial, afirmou que o foco deste Governo não é durar, é fazer. No
entanto, quando ontem lhe fiz uma pergunta sobre como ia pôr o País a crescer com uma descida de IRC de
apenas 1 %, não só não respondeu à questão como se indignou, dizendo que estava de mãos e pés atados
face à configuração parlamentar e que até queria descer mais o IRC, mas não conseguia.