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I SÉRIE — NÚMERO 65

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O Sr. Presidente: — Fica registado, Sr. Deputado. Passamos agora ao Projeto de Voto n.º 460/XVI/1.ª (apresentado pelo CH) — De pesar pelo falecimento de

António Fernandes, que peço ao Sr. Deputado Gabriel Mithá Ribeiro o favor de ler.

O Sr. Secretário (Gabriel Mithá Ribeiro): — Sr. Presidente, o projeto de voto é do seguinte teor: «Serve este voto para manifestar o mais profundo pesar pelo falecimento de António Fernandes, que nasceu

em Argozelo, no concelho de Bragança, em Trás-os-Montes, corria o ano de 1955.

Como tantos outros, partiu para França muito novo, em busca de uma vida melhor, construindo uma carreira

de trabalhador dedicado na região de Paris. Empresário de sucesso, subiu a pulso na vida, revelando-se

exemplo de empreendedorismo e dedicação para todos os seus companheiros.

Por isso, ao longo das décadas, tornou-se uma figura respeitada e acarinhada entre a comunidade

portuguesa na diáspora. Exerceu funções como presidente da Academia do Bacalhau de Paris, um importante

ponto de convergência da identidade lusófona em terras estrangeiras, bem como foi Provedor da Santa Casa

da Misericórdia sediada na capital francesa, revelando ao longo das décadas, em todos os cargos que ocupou,

enorme sensibilidade social e profundo humanismo.

O facto de nunca se ter negado a ajudar os emigrantes portugueses que necessitavam de apoio atesta a

generosidade do seu enorme coração, sendo inúmeros os casos de relatos de apoio benemérito e abnegado a

tantos portugueses que, hoje, no seu anonimato, lhe são eternamente gratos e lhe prestam reverente

homenagem.

O antigo empresário faleceu, como comunicaram os amigos e familiares mais próximos, devido a problemas

cardíacos que o levaram a ser hospitalizado este mês. Deixa assim, aos 69 anos, a sua peregrinação na terra,

tendo percorrido em vida todos os continentes e dezenas de países, sempre com o propósito de unir os

portugueses emigrados, de criar laços e estabelecer pontes sob a égide da bandeira nacional, que tanto amava.

Assim, a Assembleia da República, reunida em sessão plenária, delibera manifestar o seu profundo pesar

pelo falecimento de António Fernandes, no reconhecimento pela sua vida dedicada aos portugueses pelo mundo

fora, endereçando as mais sentidas condolências à sua família e amigos.»

O Sr. Presidente: — Vamos votar a parte deliberativa deste projeto de voto.

Submetida à votação, foi aprovada por unanimidade.

Passamos ao Projeto de Voto n.º 462/XVI/1.ª (apresentado por Deputados do PS, do BE e do L) — De pesar

pelo falecimento de José Barahona.

Informo que estão presentes, nas galerias, amigos e familiares.

Para ler este projeto de voto, tem a palavra a Sr.ª Deputada Germana Rocha.

A Sr.ª Secretária (Germana Rocha): — Sr. Presidente, passo a ler o projeto de voto: «No passado dia 23 de novembro, aos 55 anos, faleceu o realizador e produtor português José Barahona.

Nascido em Lisboa, em 1969, formou-se na Escola Superior de Teatro e Cinema, tendo completado estudos

nos Estados Unidos da América e em Cuba. Escreveu argumentos, foi técnico de som, produziu e realizou filmes

a partir de 1990.

As questões do colonialismo, da escravatura, da imigração e da luta contra a ditadura estiveram sempre

presentes na obra de José Barahona, que tinha uma forte ligação ao Brasil, país onde viveu e trabalhou,

nomeadamente na Refinaria Filmes.

Trabalhou com Margarida Cardoso, Rita Azevedo Gomes, Sérgio Tréfaut, Rosa Coutinho Cabral ou Fernando

Vendrell e assinou os primeiros filmes no registo de documentário, com uma curta-metragem sobre o compositor

Vianna da Mota, de quem era bisneto, e com o filme Anos de Guerra — Guiné 1963-1974 (2000).

A sua primeira longa metragem de ficção, Estive em Lisboa e lembrei de você, uma coprodução luso-

brasileira a partir de uma obra do escritor Luiz Ruffato, Alma Clandestina (2018), sobre Maria Auxiliadora Lara

Barcelos, que lutou contra a ditadura no Brasil, o premiado Nheengatu — A Língua da Amazónia (2020), no qual

o realizador procura o rasto de uma língua imposta aos nativos da Amazónia pelos antigos colonizadores e o

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