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I SÉRIE — NÚMERO 74

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Mas eis que, de repente, o mundo desabou sobre Maria: o progenitor do filho que carregava no ventre, e que

lhe fazia juras de amor, gritou-lhe que desaparecesse e abortasse imediatamente, pois não admitiria que ela

tivesse um filho dele, e que nunca mais a queria ver na vida, e ai dela que ousasse prosseguir com aquela

gravidez.

Maria vê-se, de repente, sem emprego, sem amor e a mentalizar-se de que, afinal, nem aquele filho poderia

ser seu. O medo e o desespero apoderaram-se de Maria, e só lhe restou pedir ajuda a quem lhe ia retirar de

dentro do seu ventre uma vida que ela tanto desejava criar com amor.

Hoje, passados seis anos, Maria não se consegue envolver emocionalmente, receia nunca mais vir a ter

filhos e não se perdoa por não ter tido coragem para pedir ajuda, pois sabia que não teria qualquer apoio para

tal. Maria disse-me que carregará este peso para toda a vida.

Existem muitas Marias que não tiveram liberdade para serem mães. O Estado falhou a estas mulheres,

porque não lhes apresentou qualquer alternativa que não a experiência traumática do aborto.

A Sr.ª Rita Matias (CH): — Muito bem!

A Sr.ª Sandra Ribeiro (CH): — O que o Chega aqui traz hoje é de elementar sensatez: criemos respostas e caminhos alternativos a mulheres como esta, que se arrependem e choram o filho que não puderam ter.

Hoje, o Partido Socialista agenda um debate pedindo o alargamento do prazo para o aborto legal em Portugal,

mas sabe que isto não é necessário, pois a maioria dos abortos ocorre até às 7 semanas; assim como sabe que

esta prática clínica não é negada a nenhuma mulher, tal como confirmou, em outubro de 2023, Manuel Pizarro,

na altura Ministro da Saúde, numa audição do Bloco de Esquerda sobre este tema.

Os dados dizem-nos que uma mulher que solicite uma IVG espera, em média, dois dias por uma consulta

prévia e vê todo o processo concluído em até oito dias. É estranho que o nosso País seja tão célere numa prática

de término de uma vida e tão moroso para gerar e trazer ao mundo novas vidas.

Aplausos do CH e do CDS-PP.

Vivemos uma crise demográfica, as famílias não sentem apoios à natalidade e os serviços públicos não

respondem às necessidades das grávidas, com cada vez mais urgências obstétricas encerradas, dia após dia.

O Sr. Pedro Pinto (CH): — Bem lembrado!

A Sr.ª Sandra Ribeiro (CH): — É evidente o impacto que a pobreza e a ausência de condições materiais tem nas mulheres, que muitas vezes se veem empurradas para a prática do aborto.

Estão também contempladas as formas de violência e precariedade que as mulheres grávidas ou que

pretendem engravidar encontram em contexto laboral, com a não renovação de contratos a termo a

trabalhadoras grávidas, a amamentar ou em licença parental.

O combate à pobreza gestacional também não pode fechar os olhos aos casais que estão abertos à vida,

mas enfrentam diagnósticos de infertilidade.

A Sr.ª Rita Matias (CH): — Muito bem!

A Sr.ª Sandra Ribeiro (CH): — O Grupo Parlamentar do Chega propõe que o Estado assuma um papel ativo no acompanhamento das mulheres antes, durante e após a gravidez, seja ela desejada ou indesejada.

O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): — Muito bem!

A Sr.ª Sandra Ribeiro (CH): — É nosso entendimento que, numa sociedade evoluída e que respeita a autodeterminação das mulheres, nenhuma mulher pode adiar o seu projeto de maternidade ou sentir-se coagida

à prática do aborto por falta de condições financeiras.

Um país que subsidia a imigração como solução demográfica, em coerência, só pode priorizar e canalizar

essas verbas orçamentais para mulheres que são ou serão mães.

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