O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

I SÉRIE — NÚMERO 74

24

Volvidos 18 anos, pelas avaliações da Entidade Reguladora da Saúde e da DGS, verificamos que há

constrangimentos, que há obstáculos à aplicação da lei que têm de ser ultrapassados, para que nenhuma mulher

seja privada desse direito que tanto nos custou a conquistar.

É isso que hoje aqui propomos: um aperfeiçoamento da lei e a criação de condições para o seu efetivo

cumprimento. Não há nenhuma razão, mesmo nenhuma, para não eliminar o período de reflexão. Não há

nenhuma razão para não aumentar o prazo definido. Não há nenhuma razão para não regulamentarmos a

objeção de consciência, para que nenhuma mulher seja impedida de realizar o direito à IVG por falta de médico,

como aconteceu a 1366 mulheres, em 2023.

O nosso projeto é para não privar nenhuma mulher de um direito, cuja negação ou atraso pode colocar em

risco a sua própria vida.

Aplausos do PS e do L.

O Sr. Presidente (Marcos Perestrello): — Antes de passar ao próximo orador, queria informar o Plenário que se encontram a assistir à sessão plenária um grupo de 220 alunos e professores do Externato João Alberto

Faria, da Arruda dos Vinhos, e um grupo de 25 alunos e professores do Externato de Penafirme, de Torres

Vedras.

A todos, em nome da Assembleia da República, os nossos cumprimentos e saudações.

Aplausos gerais.

Prosseguindo com o nosso debate, tem a palavra, para uma intervenção, a Sr.ª Deputada Andreia Neto, do

PSD.

A Sr.ª Andreia Neto (PSD): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: A interrupção voluntária da gravidez é uma das matérias com mais lastro e discussão na sociedade portuguesa.

Foi objeto de dois referendos. Foi objeto de amplas discussões parlamentares. Mas foi, sobretudo, objeto de

profundo debate por toda a comunidade aquando dos dois referendos que chamaram os portugueses às urnas.

Em 1998, Portugal votou, e a maioria dos participantes foi contra. Em 2007, Portugal votou, e a maioria dos

participantes foi a favor.

Não foi, como se vê, uma questão de amplo consenso no País durante muitos anos. Mas arrisco a dizer que

hoje é.

O direito de as mulheres interromperem voluntariamente a gravidez até às 10 semanas de gestação é hoje

um direito consolidado e estabilizado na sociedade portuguesa.

Vozes do PSD: — Muito bem!

A Sr.ª Andreia Neto (PSD): — Quer isto dizer que todos estão de acordo? Não. Mas é um facto que é uma matéria, repito, amplamente estabilizada. E repito também, o referendo de 2007 teve, na sociedade portuguesa,

um profundo, amplo, denso e, arrisco dizer, esclarecido debate.

Sr.as e Srs. Deputados, o Parlamento discute hoje, por mera iniciativa legislativa, a alteração de regras

decididas em referendo popular. O PSD firma hoje a sua posição em princípios inabaláveis: os portugueses são

soberanos, e a resposta já foi dada.

O Sr. Almiro Moreira (PSD): — Muito bem!

A Sr.ª Andreia Neto (PSD): — À pergunta aprovada pela Assembleia da República, na sua deliberação de realização de um referendo; à pergunta aprovada pelo Tribunal Constitucional, com vista à realização desse

mesmo referendo; à pergunta promulgada pelo Sr. Presidente da República, estabelecendo a realização de um

referendo; à pergunta mais debatida, mais escrutinada, mais ponderada da história da nossa democracia, a esta

mesma pergunta, «Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por

opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?»,…

Páginas Relacionadas
Página 0003:
11 DE JANEIRO DE 2025 3 O Sr. Presidente: — Sr.as e Srs. Deputados, bom dia. Está a
Pág.Página 3
Página 0004:
I SÉRIE — NÚMERO 74 4 Não nos esquecemos de como era. Lembram-se? «Morreu em
Pág.Página 4
Página 0005:
11 DE JANEIRO DE 2025 5 o direito a uma IVG é uma corrida contra o tempo, acabando,
Pág.Página 5
Página 0006:
I SÉRIE — NÚMERO 74 6 Na verdade, a melhor forma de honrar hoje a decisão qu
Pág.Página 6
Página 0007:
11 DE JANEIRO DE 2025 7 Sim, é verdade que esta é mais uma consequência do enfraque
Pág.Página 7
Página 0008:
I SÉRIE — NÚMERO 74 8 A Sr.ª Paula Santos (PCP): — Foi pela iniciativa do PC
Pág.Página 8
Página 0009:
11 DE JANEIRO DE 2025 9 Aplausos do PCP, do BE e do L. O Sr. President
Pág.Página 9
Página 0010:
I SÉRIE — NÚMERO 74 10 O Sr. Paulo Núncio (CDS-PP): — Também por isso, o CDS
Pág.Página 10
Página 0011:
11 DE JANEIRO DE 2025 11 E é um sinal muito preocupante que os proponentes d
Pág.Página 11
Página 0012:
I SÉRIE — NÚMERO 74 12 Nós não estamos a revisitar outros momentos histórico
Pág.Página 12
Página 0013:
11 DE JANEIRO DE 2025 13 O Sr. Paulo Núncio (CDS-PP): — … sem terem a coragem de co
Pág.Página 13
Página 0014:
I SÉRIE — NÚMERO 74 14 O Sr. Fabian Figueiredo (BE): — Sr. Presidente
Pág.Página 14
Página 0015:
11 DE JANEIRO DE 2025 15 Protestos do Deputado do CH Filipe Melo.
Pág.Página 15
Página 0016:
I SÉRIE — NÚMERO 74 16 O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): — É para a dist
Pág.Página 16
Página 0017:
11 DE JANEIRO DE 2025 17 A Sr.ª Isabel Mendes Lopes (L): — A terceira melhoria, que
Pág.Página 17
Página 0018:
I SÉRIE — NÚMERO 74 18 O Sr. Rui Tavares (L): — Tudo mal, mas tudo be
Pág.Página 18
Página 0019:
11 DE JANEIRO DE 2025 19 consciência, é que o direito à objeção de consciência «[…]
Pág.Página 19
Página 0020:
I SÉRIE — NÚMERO 74 20 Mas eis que, de repente, o mundo desabou sobre Maria:
Pág.Página 20
Página 0021:
11 DE JANEIRO DE 2025 21 Aplausos do CH. Desde que o aborto a p
Pág.Página 21
Página 0022:
I SÉRIE — NÚMERO 74 22 de todas as liberdades e que obrigar uma mulher a lev
Pág.Página 22
Página 0023:
11 DE JANEIRO DE 2025 23 Aplausos da IL, do PS, do BE e do L.
Pág.Página 23
Página 0025:
11 DE JANEIRO DE 2025 25 O Sr. Paulo Núncio (CDS-PP): — Dez semanas!
Pág.Página 25
Página 0026:
I SÉRIE — NÚMERO 74 26 Neste assunto, a nossa fidelidade é una e indivisível
Pág.Página 26
Página 0027:
11 DE JANEIRO DE 2025 27 Aplausos do PS, do BE e do L. Protestos do P
Pág.Página 27
Página 0028:
I SÉRIE — NÚMERO 74 28 O Sr. Hugo Soares (PSD): — Porquê?! Pausa.
Pág.Página 28
Página 0029:
11 DE JANEIRO DE 2025 29 O que é política e democraticamente inaceitável é q
Pág.Página 29
Página 0030:
I SÉRIE — NÚMERO 74 30 A Sr.ª Andreia Neto (PSD): — Nós respeitamos a
Pág.Página 30
Página 0031:
11 DE JANEIRO DE 2025 31 Este estado de coisas, Srs. Deputados, deveria gera
Pág.Página 31
Página 0032:
I SÉRIE — NÚMERO 74 32 Aplausos do PS. Esta, de facto,
Pág.Página 32
Página 0033:
11 DE JANEIRO DE 2025 33 Sr. Presidente, está também em discussão regulamentar a ob
Pág.Página 33
Página 0034:
I SÉRIE — NÚMERO 74 34 Peço desculpa, mas em cima do apito final veio
Pág.Página 34
Página 0035:
11 DE JANEIRO DE 2025 35 sequência deste teste e da resposta automática que recebeu
Pág.Página 35
Página 0036:
I SÉRIE — NÚMERO 74 36 Pausa. Parece que não, portanto,
Pág.Página 36
Página 0037:
11 DE JANEIRO DE 2025 37 O Sr. Presidente: — A Sr.ª Deputada Isabel Mendes Lopes es
Pág.Página 37
Página 0038:
I SÉRIE — NÚMERO 74 38 Neste discurso, trazia-vos até ligeiras provocações,
Pág.Página 38
Página 0039:
11 DE JANEIRO DE 2025 39 Liberais, eu sei que subsidiar não é o caminho ideal, mas
Pág.Página 39
Página 0040:
I SÉRIE — NÚMERO 74 40 A Sr.ª Isabel Mendes Lopes (L): — Sr. Presiden
Pág.Página 40
Página 0041:
11 DE JANEIRO DE 2025 41 Portanto, agora, para um pedido de esclarecimento à
Pág.Página 41
Página 0042:
I SÉRIE — NÚMERO 74 42 Agradeço, Sr.as Deputadas Joana Mortágua e Isabel Men
Pág.Página 42
Página 0043:
11 DE JANEIRO DE 2025 43 Aplausos do CH. A Sr.ª Isabel Alves M
Pág.Página 43
Página 0044:
I SÉRIE — NÚMERO 74 44 Aplausos do CH. O Sr. Presidente
Pág.Página 44
Página 0045:
11 DE JANEIRO DE 2025 45 que o acesso à IVG no SNS é frequentemente dificultado ou
Pág.Página 45
Página 0046:
I SÉRIE — NÚMERO 74 46 todas. Esta proposta mantém assim o essencial da lei
Pág.Página 46