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I SÉRIE — NÚMERO 74

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Militante do PCP desde 1980, foi ativista do Movimento Democrático das Mulheres, contribuindo para a luta

e emancipação das mulheres no pós-25 de Abril, e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores dos Espetáculos,

entre 1978 e 1981.

Esmeralda Amoedo atuou várias vezes na Festa do Avante, tendo, em 1984, partilhado o palco com outro

fadista histórico, Fernando Farinha. Ambos desempenharam, aliás, um papel relevante na defesa da raiz

popular, urbana, genuína e progressista do fado, contrariando a imagem dada pela manipulação ideológica e

aproveitamento propagandístico que dele fez o fascismo português.

Esmeralda Amoedo apresentou-se em praticamente todas as coletividades, sociedades recreativas e festas

de beneficência de Lisboa e arredores.

A primeira casa de fado onde atuou foi o Solar da Hermínia, na Viela, e passou pela Tágide, Adega Machado,

Luso, Adega Mesquita, Toca, Mal Cozinhado, e principais casinos do País.

Foi também atração do Teatro de Revista, tendo-se estreado no Teatro ABC, com Ivone Silva. Atuou várias

vezes no estrangeiro, nomeadamente na Austrália, Canadá, França, Bélgica, Holanda, Suíça e Alemanha.

Venceu o Microfone de Ouro, atribuído pelo Rádio Clube Português, recebeu o Prémio Carreira em 2003 e,

em 2004, foi lançado o seu último disco, Fado no S. Luiz.

Era sócia de mérito do Grupo Desportivo da Mouraria e também madrinha da Marcha da Mouraria, levando

o espírito do bairro a cada desfile.

A Assembleia da República, reunida em Plenário, em 10 de janeiro de 2025, manifesta o seu pesar pelo

falecimento de Esmeralda Amoedo e expressa à sua família e ao Partido Comunista Português sentidas

condolências.»

O Sr. Presidente: — Vamos votar a parte deliberativa do projeto de voto que acabou de ser lido.

Submetida à votação, foi aprovada por unanimidade.

Prosseguimos com o Projeto de Voto n.º 513/XVI/1.ª (apresentado pelo PSD e pelo PS) — De pesar pelo

falecimento de Adília Lopes.

Sr.ª Secretária Germana Rocha, faça favor de proceder à leitura.

A Sr.ª Secretária (Germana Rocha): — Sr. Presidente, o projeto de voto é do seguinte teor: «É com profunda tristeza que tomamos conhecimento do falecimento de Adília Lopes, pseudónimo literário

de Maria José da Silva Viana Fidalgo de Oliveira, ocorrido a 30 de dezembro de 2024, aos 64 anos, em Lisboa.

A sua partida constitui uma perda significativa para a literatura e cultura portuguesas.

Nascida em Lisboa a 20 de abril de 1960, Adília Lopes distinguiu-se pela originalidade da sua obra, que

combina humor, ironia e uma visão singular sobre o quotidiano e os temas universais. Depois de frequentar a

licenciatura em Física, concluiu o curso de Literatura e Linguística Portuguesa e Francesa na Universidade de

Lisboa, onde encontrou o caminho que marcaria a sua carreira.

Além de poetisa, Adília Lopes desempenhou um papel relevante enquanto tradutora, cronista e

documentalista, tendo trabalhado nos espólios de Fernando Pessoa, Vitorino Nemésio e José Blanc,

depositados na Biblioteca Nacional. A sua obra é amplamente estudada no meio académico, refletindo a sua

importância na cultura nacional.

Sem nunca deixar de editar, em 1999 obtém uma bolsa de criação literária do antigo Instituto Português do

Livro e das Bibliotecas, que lhe permite, entre outras coisas, reunir inéditos, publicando, em 2000, pela primeira

vez, a sua produção literária num só volume, Dobra, com ilustrações de Paula Rego.

Já no século XXI, edita, entre outros, A mulher a dias, bem como três edições da poesia reunida em Dobra,

a derradeira das quais, em 2024, quando completou 40 anos de vida literária, dedicada a temas do quotidiano,

tratados com humor e autoironia, candura e crueza, assumindo referências como Sophia de Mello Breyner, Nuno

Bragança, Ruy Belo, Roland Barthes, a Condessa de Ségur ou Enid Blyton.

A singularidade da sua voz poética, aliada à coragem de abordar temas como a saúde mental, garantiu-lhe

um lugar especial entre os leitores e a crítica, consolidando-a como uma das figuras mais marcantes da literatura

portuguesa contemporânea.

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