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I SÉRIE — NÚMERO 80

96

Quantas mais mulheres têm de ser violadas? Quantos mais polícias têm de ser agredidos? Quantos mais

jovens têm de ser esfaqueados? Quantos mais portugueses têm de ser ignorados, espezinhados, jogados para

o fim da linha, trancados nas próprias casas, porque tantos, tantos nesta Casa tratam o bandido como coitadinho

e o honesto como criminoso? O violador como um triste e a violada como culpada?

Aplausos do CH.

Onde está o vosso feminismo? Onde está a vossa coerência?

Se há dúvidas nessa bancada, garanto que nesta é tudo muito claro:…

Risos do L.

… se vêm para traficar, é mandá-los daqui para fora! Se vêm para violar, é mandá-los daqui para fora! Se

vêm para matar, é mandá-los daqui para fora!

Aplausos do CH.

Nunca, nunca recuar até que eles percebam que esta terra, esta terra de D. Afonso e do Infante, de Camões

e de Pessoa, de Magalhães e de Vasco da Gama, de Amália, Max e Eusébio, esta terra ainda é nossa. Esta

terra ainda é nossa!

Aplausos do CH.

A bem ou a mal, nas esquinas ou nos becos, nos bairros, nas avenidas, no Parlamento ou nas ruas, é hora

da reconquista e de dar Portugal aos verdadeiros portugueses.

Aplausos do CH.

Protestos de Deputados do PS.

O Sr. Presidente (Diogo Pacheco de Amorim): — Tem a palavra, para uma intervenção, o Sr. Deputado

António Filipe, do PCP.

O Sr. António Filipe (PCP): — Sr. Presidente, era só para dizer que, na minha intervenção, não me referi

ao projeto de resolução apresentado pelo Bloco de Esquerda, e queria manifestar que vamos votar

favoravelmente esse projeto de resolução.

O Sr. Presidente (Diogo Pacheco de Amorim): — Tem a palavra, para uma intervenção também, o

Sr. Deputado Rui Tavares, do Livre.

O Sr. Rui Tavares (L): — Sr. Presidente, Caras e Caros Colegas: Há pouco houve uma discussão sobre a

extemporaneidade desta iniciativa e acho que posso acrescentar a essa discussão, dizendo que, quando os

centros das cidades começaram a mudar, quando a Baixa de Lisboa ficou cheia de lojas de bugigangas, o CDS

nada disse.

O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): — O quê?! Estava cá?!

O Sr. Rui Tavares (L): — E eu sei, porque debato frequentemente com o Vice-Presidente da Câmara

Municipal de Lisboa, do seu partido, que nunca se preocupou com bairros sem mercearias, sem padarias, sem

serviços básicos, sem livrarias.

O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): — Não é verdade!

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