I SÉRIE — NÚMERO 82
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Para efeitos legais, é como se não existissem; mas existem, e esta condição impacta, de forma diária, a sua
existência.
Ninguém é apátrida por escolha, e há várias razões para isto acontecer: ou nunca lhe foi reconhecida a
nacionalidade, por incoerências nas leis da nacionalidade dos vários países, ou algum Estado decidiu retirar a
nacionalidade a essa pessoa.
Nalguns casos, há pessoas apátridas que nascem em países em que não é reconhecido o direito às mães
de passarem aos filhos a sua nacionalidade. São 24 os países em que isto acontece, de acordo com a Agência
das Nações Unidas para os Refugiados.
Há pessoas que são apátridas porque nasceram num Estado que deixou de existir e nenhuma lei acautelou
a sua circunstância, como aconteceu, nalguns casos, com a antiga República da Jugoslávia, que se dividiu em
cinco Estados novos.
E há outras pessoas que, perseguidas, se viram privadas da sua nacionalidade.
Há pessoas que são apátridas porque nunca foram registadas, como é o caso do Jasmin Ahmetovic, que,
Sr. Presidente, pedia a sua autorização para cumprimentar, porque se encontra aqui, hoje, nas galerias e assiste
a este debate, fazendo votos de que possa sair desta Casa com esperança de ver resolvida a sua situação.
Aplausos do L, do BE e do Deputado do PS Miguel Matos.
Portugal só em 2012 subscreveu a Convenção sobre o Estatuto dos Apátridas, das Nações Unidas, de 1954,
mas desde que a Constituição entrou em vigor, em 1976, que se reconhecem aos estrangeiros e apátridas que
se encontrem ou residam em Portugal os direitos e deveres do cidadão português.
Mas, por isso, precisamos de garantir que Portugal tem um procedimento para identificar e para resolver
estas situações de apatridia. É isso que o Livre pretende, com a apresentação deste projeto de lei, aproveitando
os contributos e o trabalho que tem sido feito ao longo dos anos por quem, todos os dias, lida com as situações
destas pessoas.
Cabe-nos acabar com este vazio legislativo, alinhando Portugal com os compromissos internacionais, e
garantir direitos. É uma questão de justiça, é uma questão de responsabilidade e é, acima de tudo, uma questão
de humanidade.
Aplausos do L e da Deputada do PS Susana Correia.
O Sr. Presidente: — O Sr. Deputado tem um pedido de esclarecimento. Tem a palavra a Sr.ª Deputada Cristina Rodrigues, do Chega, que dispõe de 2 minutos.
A Sr.ª CristinaRodrigues (CH): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, Sr. Deputado Paulo Muacho, efetivamente, a questão dos apátridas não é nova. Na anterior Legislatura, foi aprovada a Lei n.º 41/2023, que
deveria ter sido regulamentada, e não o foi. A responsabilidade, neste caso, é do Partido Socialista.
No entanto, a regulamentação que o Livre vem propor não nos parece adequada.
O Sr. Pedro Pinto (CH): — Muito bem!
A Sr.ª CristinaRodrigues (CH): — No fundo, aquilo que nos parece é que vem escancarar, uma vez mais, as portas do País.
O Sr. Pedro Pinto (CH): — Ora bem!
A Sr.ª CristinaRodrigues (CH): — O Livre, basicamente, quer que pessoas sem qualquer relação com Portugal, sem qualquer identificação com a sua cultura ou história, sem sequer falarem português, se
naturalizem portuguesas.
O Sr. Paulo Muacho (L): — Não é verdade!