7 DE MARÇO DE 2025
63
———
Nota: As declarações de voto anunciadas pela Deputada do PCP Paula Santos e pela Deputada do L Isabel
Mendes Lopes não foram entregues no prazo previsto no n.º 4 do artigo 87.º do Regimento da Assembleia da
República.
———
Relativa ao Projeto de Lei n.º 484/XVI/1.ª [votado na reunião plenária de 28 de fevereiro de 2025 — DAR I
Série n.º 95 (2025-03-01)]:
Os órgãos representativos da população de Mouçós pronunciaram-se, nos termos legais, no sentido de
elevar aquela povoação à categoria de vila.
O respeito por tal decisão justifica o voto favorável do PCP. Não obstante, importa referir que, desde as
eleições autárquicas de 2017, o PS detém a maioria absoluta na Assembleia de Freguesia da União das
Freguesias de Mouçós e Lamares.
Apesar dessa mudança de Executivo de freguesia, manteve-se, no entanto, a agregação forçada e contra a
vontade das populações das freguesias de Mouçós e Lamares, extintas em 2013, na sequência de decisão do
Governo PSD/CDS.
Os 12 anos que passaram comprovam que a extinção de freguesias em geral não trouxe vantagens, apenas
prejuízos para as populações, com um maior afastamento das populações do poder local democrático,
diminuição da representatividade dos interesses e aspirações das populações, aprofundamento das assimetrias,
redução da participação popular, bem como perda de identidade histórica e cultural.
No caso concreto da União de Freguesias de Mouçós e Lamares, a agregação forçada serviu para criar
problemas novos ou agravar problemas antigos: persistem atrasos em serviços públicos básicos — como a falta
de saneamento nas aldeias de Lamares, Lagares e Gache —; a antiga junta de freguesia de Lamares está
carente de requalificação e sem utilidade prática para a população; falta limpeza e asseio em arruamentos e não
se vislumbra interesse em requalificar e conservar caminhos agrícolas e florestais importantes.
Assim, o PS revela a sua profunda contradição nesta matéria, ao iniciar o processo com vista à elevação da
povoação de Mouçós à categoria de vila, no exato período em que se avizinhava a conclusão dos processos
apresentados para reposição de freguesias com base na norma transitória da Lei n.º 39/2021.
Perante a relutância em tomar a medida que iria contribuir, de facto, para melhorar a qualidade de vida da
população de Mouçós — a desanexação —, não foi essa a opção do PS.
Desperdiçou-se a oportunidade de reverter a injustiça feita em 2013, quando se extinguiu a freguesia de
Mouçós, que, de acordo com o PS, tem condições para ser vila, mas não para ser freguesia.
Valorizamos a elevação da povoação de Mouçós a vila, mas não podemos deixar de registar que, tendo em
conta a dimensão dos problemas que se encontram na União de Freguesias de Mouçós e Lamares, o PS, com
a apresentação deste projeto de lei, o que verdadeiramente pretende é justificar a muito pouca ação e a falta de
soluções para resolver problemas das populações.
O Deputado do PCP, Alfredo Maia.
[Recebida na Divisão de Redação a 6 de março de 2025.]
———
Presenças e faltas dos Deputados à reunião plenária.
A DIVISÃO DE REDAÇÃO.