O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

I SÉRIE — NÚMERO 47

32

O Sr. Alfredo Maia (PCP): — Muito bem!

A Sr.ª Paula Santos (PCP): — Assim, o PCP traz hoje uma proposta para incluir o internato médico na

carreira médica, o que contribui para a valorização dos médicos internos e para que já se encontrem na carreira

médica quando terminem a sua especialização, promovendo a fixação de médicos internos e neste caso, aliás,

de médicos já formados no Serviço Nacional de Saúde.

Desta forma, a nossa proposta tem dois objetivos: além de valorizar e cuidar dos nossos profissionais de

saúde, garante o direito à saúde dos utentes, que está consagrado na nossa Constituição, e defende o Serviço

Nacional de Saúde, porque, sim, há necessidade de avançar com medidas concretas para salvar o Serviço

Nacional de Saúde e isso é possível.

Assim, o que o PCP aqui traz é uma medida concreta que permite fixar profissionais, mas que permite

também reforçar o Serviço Nacional de Saúde. A questão é saber quem acompanha o PCP neste objetivo.

Aplausos do PCP.

O Sr. Presidente: — Para uma intervenção, tem a palavra a Sr.ª Deputada Patrícia Nascimento, do Chega.

A Sr.ª Patrícia Nascimento (CH): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Passava os meus dias no

hospital — ontem, porque precisava de estar no bloco; hoje, porque a enfermaria estava cheia de doentes para

orientar; amanhã, porque era necessário fazer mais um período de urgência. E os dias iam-se sobrepondo,

passando, sem que eu tivesse tempo sequer para perceber que já era fim de semana.

Trabalhei, trabalhei, troquei casamentos e outras festas de família por horas de urgência, porque era preciso

manter as equipas completas. Os amigos deixaram de me telefonar com convites para encontros, porque a

resposta era sempre a mesma: «não posso ir!» E eu, andava cansada? Sim, muito cansada, mas,

simultaneamente, muito feliz. Sentia que estava a fortalecer as minhas competências para cumprir o objetivo de

tratar e salvar os doentes com dignidade.

Dedicava-me ao SNS de forma genuína e autêntica, convicta de que a minha carreira seria exclusivamente

dedicada a esta causa, tal como via a maioria dos meus colegas fazer, anos após anos, sem pressa, com tempo

para observar e discutir cada caso clínico.

Num dia, estava escalada para o bloco operatório e o programa avizinhava-se tranquilo, mas acabou por se

alongar bem mais do que o previsto; cheguei ao infantário já muito depois do horário de encerramento. Os

portões do infantário estavam fechados com o cadeado de sempre. Senti o desespero a correr-me nas pernas

e uma angústia enorme a invadir-me o peito. Mas, ao meu lado, estava uma senhora com a minha filha, ali

sentada, a ver o meu sofrimento.

Infelizmente, não soube aprender a lição daquela noite. Mais tarde, quando terminei o meu internato,

enfrentei um novo dilema: estava com mais de 30 anos e tinha-me dedicado completamente ao meu internato e

ao SNS, tinha privado a minha família tantas e tantas vezes da minha presença, tinha perdido momentos e

memórias com eles que nunca vou poder recuperar.

Tudo isto para quê? Para o meu hospital — a minha primeira casa —, para o meu SNS. Tinha apenas uma

proposta para me contratarem no final, um contrato individual de trabalho. Acreditei que iria ter uma carreira

como me tinha sido prometido; acreditei que iria conseguir conciliar a minha vida pessoal; acreditei também que,

com experiência profissional e com os cabelos brancos, iria conseguir ter mais disponibilidade para ensinar,

progredir e ser reconhecida pela instituição.

Este depoimento é de uma médica interna, Sr.as e Srs. Deputados. Dá-nos o reflexo de anos de

desinvestimento naquilo que são os pilares mais fundamentais de uma sociedade. Este depoimento reflete a

frustração, a dor e a desilusão de querermos ser grandes e depois sermos pequenos, onde mais deveríamos

ser colo, abrigo e casa.

Este depoimento não é meu, é de outrora, de uma interna Sandra e reflete a grandeza dos médicos internos.

Por isso, Srs. Deputados, por um dia nesta Casa, metam a mão na consciência e deem uma esperança ao

SNS e uma esperança a quem, todos os dias, ainda serve, no seu verdadeiro sentido da palavra.

Páginas Relacionadas
Página 0045:
10 DE JANEIRO DE 2026 45 O Sr. Pedro Pinto (CH): — Então, cedeu e não está cá? É à
Pág.Página 45
Página 0046:
I SÉRIE — NÚMERO 47 46 Aquilo que se esperava hoje do Chega era que p
Pág.Página 46