10 DE JANEIRO DE 2026
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A habitação une-nos na preocupação e une-nos nos objetivos: desvalorizar mais casas, mais depressa e a um mais baixo custo. E é na prossecução destes objetivos concretos que hoje apresentamos estes diplomas. Fazemo-lo com a humildade democrática que devemos a esta Câmara, mas com total convicção no que propomos.
Como tenho vindo a afirmar, a crise do acesso à habitação não se resolve com panaceias universais, com discursos inflamados ou com boas intenções. Só com uma visão holística e integrada e com políticas que ataquem os diversos problemas podemos conseguir uma solução. É isso que este Governo tem vindo a fazer, construindo em cima do que estava bem feito e corrigindo o que correu menos bem. Repito: construindo em cima do que estava bem feito e corrigindo o que correu menos bem.
Apostamos em mais habitação pública, com o maior investimento de sempre, apoiamos socialmente quem mais precisa, apostamos no futuro com apoio aos jovens na primeira compra de habitação e, hoje, apresentamos um pacote fiscal que incentiva o arrendamento e baixa os custos de construção e de reabilitação, bem como um novo regime jurídico da urbanização e da edificação que agiliza processos, desburocratiza e, sobretudo, acelera e é mais transparente.
Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, não temos dúvidas nenhumas de que apostar na construção de mais habitação pública é a melhor forma de resolver a crise habitacional em que vivemos. Estamos, por isso, a fazê-lo, mas construir uma casa demora tempo.
A solução passa, obrigatoriamente, pelo incentivo ao arrendamento, e é por isso que reduzimos para 10 % o IRS (imposto sobre o rendimento das pessoas singulares) dos arrendamentos até 2300 € e simplificamos o regime de arrendamento acessível, sendo apenas necessário que o contrato tenha um prazo mínimo de três anos e o valor do arrendamento seja 20 % abaixo da mediana do concelho para que se aceda, precisamente, a essa isenção de IRS e de IRC (imposto sobre o rendimento das pessoas coletivas); aumentamos o limite da dedução das rendas no IRS dos arrendatários para 900 €, em 2026, e 1000 €, em 2027; e incentivamos os fundos imobiliários a investirem em arrendamento acessível com taxas de IRS de 5 % na distribuição de rendimentos e dividendos, bem como o aumento da percentagem da dedução de IRS e IRC dos participantes para 30 %.
Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, o que propomos são verdadeiros incentivos ao arrendamento, mas não ficamos por aí. Também agimos para baixar os custos da construção: baixamos o IVA (imposto sobre o valor acrescentado) na construção e na reabilitação para 6 % em todas as habitações até 648 000 € ou para arrendamento até 2300 €; isentamos as mais-valias prediais em caso de reinvestimento em imóveis para arrendamento abaixo dos 2300 €.
Mais arrendamento, menos custos na construção e reabilitação, mas também mais celeridade nos processos, alterando o regime jurídico da urbanização e edificação, o comummente conhecido RJUE — o processo foi construído no diálogo que ouviu a Associação Nacional de Municípios Portugueses, as CIM (comunidades intermunicipais), as CCDR (comissões de coordenação e desenvolvimento regional), as diversas ordens profissionais, a Associação Portuguesa de Bancos, a Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários.
É um regime que agiliza a comunicação prévia, permitindo ao interessado proceder à execução da operação sem dependência de qualquer ato administrativo, passando a verificação de conformidade legal e regulamentar para a fase de controlo sucessivo; e reforça a natureza informativa do pedido de informação prévia. Disciplina-se o licenciamento, eliminando os prazos globais indexados à área bruta de construção, otimizando assim os prazos de decisão. Alarga-se a possibilidade de autoliquidação das taxas urbanísticas para todos os casos de deferimento tácito. Assegura-se a existência de títulos que contenham uma síntese da operação, devendo o mesmo ser aceite legalmente, inclusivamente aquando das transações imobiliárias.
Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, estas são propostas absolutamente necessárias, audaciosas e de que o País precisa. São propostas construídas com os agentes do setor, como eu disse há pouco, e que cumprem com um dos maiores desígnios do nosso País: combater a crise do acesso à habitação.
Aplausos do PSD e do CDS-PP. O Sr. Presidente: — O Sr. Ministro tem quatro pedidos de esclarecimento, aos quais irá responder em
conjunto, segundo informação à Mesa.