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31 DE JANEIRO DE 2026

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O Sr. Presidente (Rodrigo Saraiva): — Para apresentar a iniciativa por parte do Grupo Parlamentar do

Chega, tem a palavra a Sr.ª Deputada Cristina Vieira.

Enquanto a Sr.ª Deputada se dirige para o púlpito, solicita-se a todos os Deputados que criem as condições

para que as intervenções possam decorrer com o silêncio necessário.

Faça favor, Sr.ª Deputada.

A Sr.ª Cristina Vieira Henriques (CH): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: O que hoje discutimos é

um detalhe importante, muito mais sério e muito mais estrutural do que possa parecer. Discute-se quem dirige

o SNS, em nome de quem e com que responsabilidade perante os portugueses.

A proposta do Livre começa por reconhecer um problema real: a instabilidade sucessiva das administrações

das unidades locais de saúde. Aqui não há divergência. O SNS tem vivido um estado de permanente

sobressalto, com mudanças constantes de liderança, falta de continuidade estratégica e perda de confiança

interna. Mas, quando o diagnóstico é sério, a resposta política não pode ser ligeira nem ideológica,…

Vozes do L: — Ah!

A Sr.ª Cristina Vieira Henriques (CH): — … e é aqui que a esquerda falha gravemente, porque, perante a

responsabilidade de governar, não sabe gerir sistemas complexos sem os transformar em arenas políticas.

O problema do SNS não é haver Estado a mais, o problema é haver Estado mal exercido, politizado,

capturado por ciclos governativos, sem critérios claros, sem exigência e, sobretudo, sem consequências.

Protestos da Deputada do PS Susana Correia.

Perante isto, o Livre responde da forma típica da esquerda: não corrigindo a má governação, mas retirando

autoridade a quem deve assumir responsabilidades.

Propõe que os presidentes dos conselhos de administração das ULS passem a ser eleitos pelos

trabalhadores. Isto pode soar bem, pode parecer moderno, pode até parecer democrático. Mas gerir um hospital

não é um exercício de simpatia, meus senhores, nem um concurso de popularidade. Uma ULS não é uma

assembleia popular, não é um sindicato, não é um espaço de negociação permanente. É uma organização

altamente complexa, onde se tomam decisões duras, muitas vezes impopulares, mas absolutamente

necessárias. Decisões que envolvem recursos escassos, equipas exaustas, urgências cheias, listas de espera

acumuladas e, acima de tudo, vidas humanas.

Transformar a liderança máxima de uma ULS num cargo dependente de voto interno é dizer a quem manda

«lidera para agradar». É trocar coragem por popularidade. É abrir a porta à captura corporativa, aos equilíbrios

internos, às promessas silenciosas, aos compromissos que nunca aparecem no papel, mas que condicionam

tudo.

Depois, perguntamo-nos por que razão nada muda, por que razão os problemas se repetem, por que razão

as decisões difíceis são sempre adiadas.

Protestos da Deputada do L Isabel Mendes Lopes.

Mais grave ainda: o Livre quer retirar ao Governo o poder de escolher, mas não lhe retira responsabilidade

política. Se correr mal, quem responde perante o País? O Governo.

O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): — Claro!

A Sr.ª Cristina Vieira Henriques (CH): — Se o SNS falhar, quem paga? Os contribuintes. Isto não é coragem

política, é fuga à responsabilidade.

O SNS não precisa de mais política dentro das instituições. Precisa de liderança séria, competente,

independente e estável, e é aqui que a proposta do Chega se distingue de forma clara, inequívoca e responsável.

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