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I SÉRIE — NÚMERO 55

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Assim, a Assembleia da República manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento de Serafim Riem,

expressando sentidas condolências à sua família, amigos, colegas e companheiros de luta ambiental e a todas

as organizações e comunidades que com ele colaboraram na defesa do ambiente em Portugal.»

O Sr. Presidente: — Passamos à votação da parte deliberativa deste projeto de voto que acaba de ser lido.

Submetida à votação, foi aprovada por unanimidade.

Segue-se o Projeto de Voto n.º 369/XVII/1.ª (apresentado pelo BE e subscrito por uma Deputada do PS) —

De pesar pelo falecimento de Joana Lopes.

Aproveito para referir que estão presentes, na Galeria III, familiares da falecida.

Peço igualmente à Sr.ª Deputada Germana Rocha o favor de ler este projeto de voto.

A Sr.ª Secretária (Germana Rocha): — Sr. Presidente, o projeto de voto é do seguinte teor:

«Nascida a 11 de outubro de 1938, na então Lourenço Marques, Joana Lopes licenciou-se e doutorou-se em

Filosofia pela Universidade de Lovaina, na Bélgica. Após lecionar na Faculdade de Letras da Universidade de

Lisboa, afirmou-se no setor tecnológico como a primeira mulher a integrar o conselho executivo da IBM

(International Business Machines Corporation) portuguesa, exercendo também cargos de liderança internacional

num percurso pioneiro que desafiou as convenções de género da época.

O seu despertar político consolidou-se no seio dos católicos progressistas. Enquanto dirigente da Ação

Católica, revelou singular coragem ao assegurar a entrega de um documento de denúncia da situação política

nacional à comitiva do Papa Paulo VI, durante a sua visita em 1967. Um marco fundamental do seu percurso

ocorreu no último dia de 1968, quatro anos antes da vigília da Capela do Rato: a sua participação na ocupação

da Igreja de São Domingos. Esta jornada constituiu a primeira afirmação coletiva de católicos contra a guerra

colonial, reunindo cerca de 150 pessoas que ali ouviram, pela primeira vez, a Cantata da Paz, com letra de

Sophia de Mello Breyner e música de Francisco Fernandes, na voz de Francisco Fanhais.

No Portugal democrático, Joana Lopes manteve uma intervenção política e cívica constante, tendo

colaborado com diversas forças da esquerda portuguesa, nomeadamente com o Bloco de Esquerda. Através da

sua obra Entre as Brumas da Memória — Os Católicos Portugueses e a Ditadura e do seu blogue homónimo,

que manteve ativo até às suas últimas semanas de vida, foi uma voz essencial e lúcida no debate público

nacional. Faleceu no passado dia 5 de fevereiro de 2026, em Lisboa, aos 87 anos.

Assim, a Assembleia da República, reunida em sessão plenária, expressa o seu pesar pelo falecimento de

Joana Lopes e endereça à sua família e amigos as mais sentidas condolências.»

O Sr. Presidente: — Vamos proceder à votação da parte deliberativa deste projeto.

Submetida à votação, foi aprovada por unanimidade.

Segue-se o Projeto de Voto n.º 381/XVII/1.ª (apresentado pelo PCP, pelo BE, pelo L, pelo PAN e pelo PS)

— De pesar pelo falecimento de João Canijo.

Peço à Sr.ª Deputada Joana Lima o favor de o ler.

A Sr.ª Secretária (Joana Lima): — Sr. Presidente, passo a ler:

«O falecimento de João Canijo, no dia 29 de janeiro de 2026, aos 68 anos, perto de Vila Viçosa, representa

uma perda precoce e irreparável para a cultura portuguesa.

João Manuel Altavilla Canijo nasceu no Porto, em 1957, onde frequentou o curso de História na Faculdade

de Letras, entre 1978 e 1980, tendo descoberto a sua paixão pelo cinema logo de seguida.

O seu percurso profissional iniciou-se, no meio, como assistente de realização de cineastas de renome como

Manoel de Oliveira, Wim Wenders, Alain Tanner e Werner Schroeter. Em 1988, assinou a sua primeira longa-

metragem, Três Menos Eu, dando início a uma obra marcada por um rigor ético e uma intensidade emocional

raros. Ao longo de décadas, construiu uma filmografia imprescindível que funcionou como um espelho da

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