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I SÉRIE — NÚMERO 95

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Algumas das suas alterações, como o aumento dos limites mínimos da fiscalização prévia obrigatória, a

criação de sistemas de controlo internos acreditados pela Inspeção-Geral de Finanças, a falta de clareza quanto

ao papel da fiscalização concomitante, a retirada de algumas empresas do sector publico empresarial do Estado

do perímetro de fiscalização do Tribunal de Contas ou a reformulação do regime de responsabilidade dos

gestores públicos, merecem uma avaliação e uma explicação mais aprofundadas.

Exigem-se garantias reforçadas de que a simplificação não se traduzirá numa diminuição efetiva do controlo

independente da despesa pública e por isso é que consideramos que o diploma, tal como está, não pode ser

aprovado sem reservas.

O Partido Socialista tentará, no processo de especialidade, através das audições a promover e das alterações

que venham a ser promovidas, garantir que o Tribunal de Contas continua a ter o papel fundamental de

escrutínio e acompanhamento da despesa pública, e, ao mesmo tempo, garantir que esse papel pode acontecer

sem pôr em causa a celeridade e a eficácia do investimento público fundamental ao funcionamento do nosso

País.

O Grupo Parlamentar do Partido Socialista.

———

Relativa ao Projeto de Resolução n.º 972/XVII/1.ª:

A Assembleia da República votou, em sessão plenária, o Projeto de Resolução n.º 972/XVII/1.ª (PSD) —

Recomenda ao Governo a atualização do financiamento das refeições escolares do 1.º ciclo no âmbito da

descentralização de competências na área da educação.

O Grupo Parlamentar da Iniciativa Liberal votou favoravelmente esta iniciativa, que contempla apenas um

único ciclo do ensino obrigatório, por reconhecer a necessidade urgente de atualizar o financiamento das

refeições escolares em função dos custos reais suportados pelas autarquias, num contexto marcado por inflação

alimentar, energética e logística.

Existe um desfasamento estrutural entre as verbas transferidas pelo Estado e os encargos efetivos dos

municípios, situação que tem vindo a ser sistematicamente reportada, para além de ser um problema assumido

pelo próprio Ministro da Educação, Ciência e Inovação. Esta realidade tem obrigado os municípios, de todos os

quadrantes político-partidários, a assumir um papel de tesoureiro do Estado, o que coloca em causa a

sustentabilidade financeira das autarquias, desviando verbas de políticas educativas que poderiam ser

realmente diferenciadoras.

Não obstante, a Iniciativa Liberal considera que o projeto do PSD é profundamente injusto, ao circunscrever

esta atualização exclusivamente ao 1.º ciclo do ensino básico. Trata-se de uma limitação difícil de compreender

e que só pode ser lida como um ato de tacticismo político, uma vez que o problema do subfinanciamento das

refeições escolares é transversal a todo o ensino obrigatório e não se esgota num único nível de ensino.

Acresce que esta opção ignora uma evidência básica: as necessidades alimentares dos alunos aumentam

com a idade. À medida que crescem, crianças e jovens apresentam maiores exigências energéticas e

nutricionais, tornando ainda mais crítico garantir um financiamento adequado das refeições escolares nos ciclos

de ensino seguintes. Ao restringir a atualização ao 1.º ciclo, o PSD deixa de fora precisamente os níveis de

ensino onde estas necessidades são mais elevadas, agravando a incoerência da proposta.

Aliás, como a própria evidência demonstra, uma parte significativa dos municípios enfrenta défices relevantes

no financiamento das refeições escolares de forma generalizada, e não apenas no 1.º ciclo. A resposta política

deve, por isso, ser coerente com a dimensão real do problema.

O Projeto de Resolução n.º 834/XVII/1.ª, da Iniciativa Liberal, que foi rejeitado, apresentava uma abordagem

mais completa e estrutural, propondo não apenas uma atualização extraordinária das comparticipações, mas

também a criação de mecanismos de revisão periódica indexados à evolução dos custos, prevenindo assim a

repetição dos atuais desequilíbrios.

Para além disso, a Iniciativa Liberal alertou ainda para uma desigualdade injustificável no financiamento das

refeições entre alunos do ensino público e alunos abrangidos por contratos de associação, defendendo a