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II SÉRIE — NÚMERO 14

Algarve

Albufeira, Alcoutim, Aljezur, Castro Marim, Faro, Lagoa, Lagos, Loulé, Monchique, Olhão, Portimão, São Brás de Alportel, Silves, Tavira, Vila do Bispo, Vila Real de Santo António.

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PROJECTO DE LEI N.° 61/IV

ELEVAÇÃO DA VILA OE TONDELA A CATEGORIA DE CIDADE

1. Tondela constitui o centro nevrálgico de um vasto e importante território da província da Beira Alta.

A sua área abrange uma parte de planalto, cortada pelo Dão e seus afluentes, uma zona entre o planalto e a serra do Caramulo, atravessada pelo Cris e seus afluentes, e a região caramulana propriamente dita, com a sua vertente oriental e com a sua vertente ocidental, até à bacia do Águeda.

Na parte planáltica salientam-se o largo e profundo vale do Dão, onde se estendem as freguesia de Ferreiros e Lajeosa, o vale do Pavia, onde se localiza a freguesia de Lobão e, mais a montante, a de Parada de Gonta, e, entre os dois vales, as terras altas do planalto de Loureiro e de Silgueiros, atingindo já o concelho de Viseu.

Ainda na parte planáltica e a jusante de Tondela encaixa-se o vale do Dinha, para se abrir, depois, na vasta área da freguesia de Tondela. A montante de Tondela localiza-se Nandufe e Mosteiro de Fráguas, onde o Dinha desce lentamente, sem rasgar um sulco profundo.

Na zona entre o planalto e a serra do Caramulo desenvolve-se grande parte da bacia do Cris, com os seus pequenos afluentes, por cujo trabalho erosivo se esgotaram os antigos lagos quaternários. A testemunhá--lo, os depósitos de saibro e barro, tão usados nas indústrias artesanais de olaria e de telha, como, por exemplo, entre Botulho e Molelinhos ou a leste de Santiago e do Campo de Besteiros.

A bacia do Cris pertence o vale de Besteiros, que ladeia a serra, onde se distinguem, nomeadamente, os famosos laranjais de Barro, Vila do Rei e Castelões.

Mais para baixo situam-se as freguesias do Barreiro de Besteiros e Dardavaz.

Na parte da serra do Caramulo, na sua vertente oriental, salientam-se as zonas xistosas dos extremos, a envolverem o núcleo granítico que abrange as alturas das paredes do Guardão, do Carvalhinho e do Cadraço, culminando no ponto mais elevado do Caramulinno.

Esta zona granítica é a mais pitoresca, mais intensamente cultivada e mais densamente povoada. Por ela passa a bela estrada que liga Tondela a Águeda, servindo a importante estância do Caramulo. Do outro lado da serra localiza-se Almofala, Mosteirinho e, ainda, a sede do antigo concelho de São João do Monte.

2. Disseminados por todo o concelho de Tondela existem vestígios de incalculável valor histórico, provando, nomeadamente, tratar-se de uma zona provoada desde tempos remotos, que, segundo estudos especializados, deverão situar-se no século x a. C.

Destacam-se os instrumentos líticos, monumentos megalíticos, preciosos fragmentos de cerâmica e extraordinárias manifestações de arte rupestre, como pode ver--se em Molelinhos, freguesia de Molelos, e em São Miguel do Outeiro.

Os Romanos deixaram igualmente vestígios preciosos da sua civilização, assim como outros povos que mais tarde chegaram à região.

É, no entanto, a partir do século xii que começa a aparecer documentação mais abundante sobre o que é hoje o concelho de Tondela, mostrando já nessa altura a sua importância.

Nas Inquirições de 1258, do rei D. Dinis, dez freguesias vêm já incluídas no julgado de Besteiros, designadas pelos nomes dos seus patronos: Santa Maria de Tonda, São Salvador de Tonda, Santa Maria de Dardavaz, São Miguel de Caparrosa, Santa Maria de Canas, Santiago de Besteiros, São Julião de Lobão, São Salvador de Fráguas, São Salvador de Castelões e São João de Vilar.

De 1510 a 1516 foram outorgadas cartas de foral a diversas localidades da região, nomeadamente a Mou-raz (28 de Junho de 1514), Sabugosa (27 de Junho de 1514), São João do Monte (6 de Maio de 1514), Guardão (10 de Fevereiro de 1514) e Besteiros (14 de Julho de 1514).

É no século xvn que Tondela surge como sede do concelho, primeiramente de Besteiros e, mais tarde, com a extinção dos restantes concelhos da zona, do concelho de Tondela.

3. Todo o património acumulado ao longo dos tempos assinala e identifica as épocas e as gerações. Cada objecto, cada monumento, cada obra de escultura ou de pintura, testemunha a capacidade das gentes que as realizaram e constitui um profundo motivo de orgulho.

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