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9 DE MARÇO DE 1988

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dificuldades de funcionamento, nomeadamente devido à falta de técnicos especializados. Existem 350 enfermeiras, mas poucas chefes, que são a coluna central de qualquer unidade hospitalar. Por outro lado, o pessoal qualificado existente foi seleccionado, por entre outras unidades, o que poderá trazer maiores dificuldades àqueles hospitais. Caso tal situação não seja revista, num futuro próximo, os propósitos agora anunciados pelos responsáveis da Saúde poderão ficar pelas boas intenções.

(Memorandum, de 23 de Abril de 1987.)

Inaugurado o novo Hospital do Restelo — O Primeiro--Ministro, Cavaco Silva, e a Ministra, Leonor Beleza, no acto da inauguração.

(Documento n.° 7)

O Primeiro-Ministro, Cavaco Silva, disse ontem em Lisboa que o novo Hospital do Restelo vem resolver uma situação «altamente gravosa», em Lisboa, onde há mais de 30 anos não era inaugurado nenhum hospital civil.

Cavaco Silva, que falava durante a cerimónia da inauguração do Hospital de S. Francisco Xavier, no Bairro do Restelo, recordou que durante mais de 30 anos, e apesar do aumento demográfico que entretanto se fez sentir, não se construiu um só hospital em Lisboa.

O Primeiro-Ministro referiu que esta «situação de abandono foi altamente gravosa dos interesses daqueles a quem o Estado deve assegurar o acesso aos cuidados da saúde».

Sublinhou que o Governo decidiu, logo após a sua posse em cumprimento do programa, dar prioridade à resolução deste grave problema das urgências hospitalares, que já não se compadecia com mais demoras ou indecisões.

Disse que este Hospital passa a constituir, a par dos hospitais da Universidade de Coimbra, uma das melhores unidades de saúde do País.

Acrescentou que a população a quem directamente se destina, sobretudo da área ocidental de Lisboa, do concelho de Oeiras e também de Cascais, «bem merece os cerca de três milhões de contos investidos neste hospital com o produto dos impostos pagos pelos cidadãos e a quem o Estado tem o dever de prestar contas».

Cavaco Silva sublinhou que a unidade hospitalar agora inaugurada é «verdadeiramente inovadora», em termos de urgência e conta já com um projecto para a sua ampliação.

«Não posso deixar de associar o nome do seu patrono, S. Francisco Xavier, o 'Apóstolo das índias', à localização deste edifício no Restelo, de onde partiram as caravelas quinhentistas, e à epopeia dos Descobrimentos, cujas comemorações se iniciaram este ano», disse.

Por sua vez, a Ministra da Saúda, Leonor Beleza, anunciou que este Hospital a partir de Junho inicia a sua actividade na zona da Grande Lisboa o serviço de atendimento medicalizado do 115 e em seguida o serviço domiciliário de urgências, que se prevê estender a todo o País no decurso do próximo ano.

A Ministra acrescentou que, «a partir de Junho, por telefone, o cidadão terá, permanentemente, acesso a um médico que o orientará e aconselhará quanto à resolução do caso que lhe é exposto».

Referiu que esta resolução irá de um conselho que resolve a situação ao encaminhamento para um serviço de urgência ou, ainda, ao envio se for caso disso, de uma equipa médica ao domicílio.

Sublinhou que o serviço de urgência, com uma capacidade de 120 000 utentes por ano, descongestionará, imediatamente, o banco comum de urgência dos Hospitais Civis de Lisboa.

Leonor Beleza referiu que a área de influência directa abrange a população das freguesias ocidentais da cidade de Lisboa e de todo o concelho de Oeiras, isto é, cerca de 280 000 habitantes.

Actuará em estreita complementaridade com os Hospitais Egas Moniz, Santa Cruz, Dr. José de Almeida e Santana, o que significa que os doentes admitidos de urgência no Hospital de S. Francisco Xavier serão distribuídos pelas unidades de internamento de todos estes hospitais.

A Ministra anunciou que «está agora traçado o plano de cobertura hospitalar do País, em termos racionais e hierárquicos, e que se encontra terminado o estudo para a informatização dos hospitais».

O Primeiro-Ministro, Cavaco Silva, visitou as instalações do novo Hospital, acompanhado pelos Ministros da Saúde, da Administração Interna e das Finanças, pelo Provedor de Justiça e pelo presidente da Fundação Calouste Gulbenkian.

O bispo auxiliar de Lisboa, D. António dos Reis, benzeu as novas instalações hospitalares.

A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, AP AH, manifestou «perplexidade» pela atribuição de um acréscimo remuneratório aos elementos da Comissão Instaladora do novo Hospital do Restelo.

Em declarações à Lusa, um elemento da direcção da APAH salientou que «nunca anteriormente se verificou» esta situação e disse desconhecer as razões da Ministra da Saúde, Leonor Beleza, na utilização daquele expediente.

«Não se trata de uma situação ilegal, mas é certamente pouco equitativa», acrescentou o dirigente da APAH, frisando que nenhuma outra comissão instaladora ou conselho de gerência hospitalar foi contemplado com um acréscimo do género.

A APAH congrega os cerca de duzentos administradores formados pela Escola Nacional de Saúde Pública e colocados, através de concursos, na gestão das diferentes unidades hospitalares do País.

Hospital inaugurado com doentes emprestados (Documento n.° 8)

O novo Hospital do Restelo foi ontem, finalmente, inaugurado pelo Primeiro-Ministro, depois de terem para ali sido transferidos, na véspera, cerca de vinte doentes que se encontravam internados no vizinho Hospital de Egas Moniz.

Conforme Cavaco Silva salientou durante a sessão solene, a que também estiveram presentes os Ministros das Finanças, da Administração Interna e da Saúde,

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