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II SÉRIE — NÚMERO 54

parecerá um serviço de medicina interna, pois todos os médicos passarão para o Restelo.» «Assim, o quadro de Egas Moniz ficará deserto de internistas de carreira, criando uma situação algo inédita», sublinhou.

Silva Santos disse, também, que muitos médicos estão a ser convidados para trabalhar no Restelo sem condições contratuais minimamente seguras.

Salientou que os médicos de outros hospitais vão para a nova unidade hospitalar em comissão de serviço. O seu vínculo é com o hospital onde trabalhavam. Indo em comissão de serviço, estes médicos não têm qualquer garantia de ficarem no novo hospital quando forem abertos concursos públicos.

Por sua vez, os hospitais que ficam sem esses médicos ficam sem possibilidade de substituí-los, por a vaga ficar cativa.

Recorde-se, aqui, que o Governo despediu 1500 médicos, quando, como o Sindicato denunciou, na altura «não havia razões, nem técnicas nem económicas, para o fazer».

Num documento distribuído durante a conferência de imprensa, o Sindicado acusa o Governo de ter oferecido a gestão do Hospital «a uma empresa privada, P. A., ligada ao holding da Lisnave, com experiência na organização de hotéis».

No documento afirma-se que «todo o pessoal não médico foi admitido por 'concursos' determinados pela P. A., sem qualquer supervisão de organismos da Direcção dos Recursos Humanos, prevalecendo o compadrio».

«Ignorando-se como foi adquirido muito equipamento, sem concurso público e no mais absoluto secretismo, sabe-se pelas verbas despendidas pelo PIDDAC que cada cama custou cerca de 20 000 contos», salienta--se no mesmo texto.

O Sindicato criticou, também, a forma como o Executivo procedeu à instalação do novo hospital, «nomeando para presidente da Comissão Instaladora um apaniguado do partido do Governo, do serviço de radiologia do IPO, sem qualquer currículo conhecido de gestão hospitalar ou organização de serviços».

Por outro lado, foi dito que «a escolha de quadros médicos dos serviços, assim como as áreas profissionais a incluir no novo hospital, não foi objecto de nenhum estudo fundamentado quanto a recursos humanos e necessidade de camas por 1000 habitantes na área de Lisboa».

Assim só «o móbil político e de amizade» justifica que a pediatria cirúrgica chegue ao Restelo com doze camas.

Da Maternidade de Alfredo da Costa transitarão 24 médicos, sendo 7 do serviço de neonatalogia, «criando um vazio difícil de ultrapassar» neste serviço e nesta maternidade, onde se realizam milhares de partos, nomeadamente os de alto risco. Ainda nesta maternidade os médicos que obtiveram o apoio político da Ministra da Saúde para anular o concurso de provimento de obstetrícia — que o Sindicato na altura contestou — são os responsáveis pelo convite de numerosos obstetras para o Restelo.

Dos Hospitais Civis sairá um serviço de cirurgia geral, sairão pediatras do Hospital de Santa Maria e

anestesistas de vários hospitais, além de pessoal de enfermagem, «tudo na subversão completa dos serviços públicos», disse o presidente do Sindicato.

Segundo Silva Santos, o Governo pretende, «com fins demagógicos e eleitoralistas», que o banco de urgência do Restelo comece a funcionar a 15 de Junho, mas com «os médicos dos Hospitais de Santa Cruz e do Egas Moniz».

O Sindicato deixou claro que a sua posição não é contra a criação de mais um hospital na área de Lisboa, mas sim «quanto à filosofia subjacente, tomada no pressuposto que são os hospitais que resolvem as urgências e não os cuidados primários de saúde (centros de saúde e hospitais distritais) responsáveis pela triagem».

Hospital do Restelo sem condições teve inauguração eleitoralista — afirma dirigente do Sindicato dos Médicos.

(Documento n.° 12)

O novo Hospital do Restelo não possui as condições humanas, nem técnicas necessárias, e a sua inauguração, em Abril, obedeceu a critérios «meramente eleitoralistas», disseram ontem dirigentes do Sindicato dos Médicos da Zona Sul.

Em conferência de imprensa, o presidente do Sindicato, Silva Santos, disse que a nova unidade hospitalar de S. Francisco Xavier, no Restelo, «é um hospital fantasma, que nasceu torto, com doentes emprestados» e que os serviços que nele serão criados «irão aparecer por transferência na sua quase totalidade doutros hospitais de Lisboa».

Tal situação, acrescentou, «irá criar dificuldades acrescidas aos outros hospitais, já bastante carenciados por falta de redimensionamento dos seus quadros desde há 30 anos».

O presidente do Sindicato, que se encontrava acompanhado do vice-presidente, Mário Jorge, e de Elsa Mourão, do executivo da direcção sindical, salientou que, à data da inauguração, o Hospital do Restelo «não possuía a mínima infra-estrutura hoteleira e de organização de serviços».

«Um hospital não precisa apenas de aparelhagem sofisticada, a saúde não precisa só de computadores, precisa de coisas tão simples como meios humanos e serviços de cozinha e de lavandaria», notou.

Silva Santos disse que muitos médicos estão a ser convidados para trabalhar na nova unidade hospitalar, sem condições contratuais minimamente seguras, e acusou o Governo de ter nomeado para presidir à comissão instaladora um individuo «sem currículo conhecido de gestão hospitalar ou organização de serviço».

Num documento distribuído durante a conferência, o sindicato acusa o Executivo de ter oferecido a gestão hospitalar a uma empresa privada, a P. A., ligada ao holding da LISNAVE, com experiência na organização de hotéis.

O documento afirma que «todo o pessoal não médico foi admitido por 'concursos' determinados pela P. A., sem qualquer supervisão de organismos da direcção dos recursos humanos, prevalecendo o compadrio».

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