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1 DE FEVEREIRO DE 1992

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uma boa exploração agrícola — desde carros de bois e arados até aos lagares de vinho e respectivos equipamentos. Durante séculos, quase até à actualidade, a agricultura, a silvicultura, a moagem e o tráfego fluvial constituíram as actividades económicas mais representativas da freguesia que se integraram na vida económica de Lisboa.

Em 1736 a paróquia de Corroios, dedicada a Nossa Senhora da Graça, que ficava na província da Estremadura, pertencia ao Patriarcado de Lisboa, à comarca de Setúbal e ao termo da vila de Almada c possuía, para além da igreja matriz, as ermidas de São Pedro, Santo António, Nossa Senhora do Carmo c Santa Marta (').

Após o terramoto de 1755 a igreja matriz ficou totalmente arruinada servindo cm sua substituição a ermida de Santo António da Olaia, na Quinta do Rouxinol. Na ermida de Santa Mana, nos dias 28 e 29 de Julho, festejava-se a padroeira com missa cantada c sermão, recebendo «muita gente de romagem de Caparica, Amora, Arrcntcla e Almada» (2).

Em 1758 a freguesia de Corroios compreendia as seguintes povoações: Corroios (com 32 habitantes), Marialva, Santa Marta e Carrasco, bem como pequenos lugares com casas bastantes dispersas, c ainda algumas quintas distribuídas por todo o território, totalizando 170 habitantes, que, na sua maioria, trabalhavam no campo, sobretudo na produção do vinho e na recolha da lenha.

O principal porto fluvial da freguesia siluava-sc no sítio denominado «Carrasco» e só funcionava durante a praia--mar, não podendo receber muito mais do que quatro embarcações, número que habitualmente saía cm cada maré com carregamentos de lenha e de tojo, produtos energéticos para aquecimento e iluminação que se destinavam a Lisboa, cidade que dependia energeticamente das charnecas da margem sul do estuário do Tejo. O consumo de lenha atingiu tais dimensões que, cm meados do século xvui e pelo que a seguir se 1c, já pouco restava na área da freguesia de Corroios: «Nesta freguesia há oito braços de mato, que traficam lenha para Lisboa, e não pode ler mais, porque estes poucos tem extintas todas as lenhas e mato destes contornos» (3).

Para além do porto do Carrasco, existiam pequenos locais onde as embarcações chegavam para carregar os produtos. Assim, o moinho de maré possuía' o seu próprio cais, onde encostava o barco dos moinhos, embarcação própria para o transporte de cereais e da farinha deste tipo de moinhos erguidos na margem sul do estuário, dc Almada até ao Montijo. «Não é esta terra porto dc mar, mas no distrito dela no sítio chamado o Carrasco, o há, que o faz o mesmo mar até ao sítio que torna a recolher com a vasante, e no tempo dc preia-mar, principalmente na ocasião de águas a que chamam vivas, se faz navegável qualquer barco até ao dito sítio, em que ele acaba; frequentam o comemmente quatro barcos, que dele saem nas marés de Lisboa; e outros sítios carregados dc tojo, c lenha e pode o dito porto admitir poucos mais» (4).

(') Padre Luís Cardoso, Dicionário Geográfico, 1747, lomo n, p. 693.

(J) A. N. T. T., Ibidem, vol. xi, p. 2612.

(3) Idem, Ibidem, p. 581.

rt Idem, Ibidem, vol. xi, p. 2614.

Até ao final do século xix, a freguesia de Corroios foi essencialmente rural, retalhada por quintas de fidalgos, nobres e Convento do Carmo, possuindo uma indústria associada às actividades rurais: a indústria do vinho, com os seus lagares; a indústria moageira, com os moinhos de maré (') e de vento. A partir desta data sentiu os efeitos da máquina a vapor, com a instalação da fábrica de pólvora dc primeira categoria em Vale de Milhaços, equipada com uma máquina a vapor que se mantém ainda em funcionamento. Estamos perante um monumento industrial de alto valor para a história das técnicas e da industrialização.

O moinho de maré de Corroios, classificado como edifício de interesse público, constitui hoje um núcleo do Ecomuseu Municipal do Seixal, onde o sistema de moagem tradicional e o edifício são os principais elementos museológicos.

No início da segunda metade deste século a paisagem urbana tradicional começou a alterar-se, conforme registou Manuel Rebelo na sua monografia Retalhos da Minha Terra: «A guarda avançada do concelho do Seixal, a risonha e secular povoação fronteiriça à região de Almada, está a progredir rapidamente, surgindo todos os dias, aqui c além, novas e modernas edificações que farão de Corroios dentro de alguns anos uma das mais importantes localidades da chamada Outra Banda.»

Era o início da destruição das históricas e aprazíveis quintas da freguesia de Corroios: Quinta do Rouxinol Quinta da Bomba (que pertenceu à Tapada Real), Quinta do Castelo, Quinta da Varejeira, Quinta da Marinha e muitas outras quintas agrícolas que, durante séculos, produziram o excelente vinho de exportação da época dos Descobrimentos.

Em 1976 a freguesia de Corroios foi restaurada, pois, desde a criação do concelho do Seixal cm 1836, estava anexada à da Amora.

Hoje constitui um forte núcleo com novos bairros, como Miralejo, servidos por estabelecimentos dos ensinos, básico, preparatório e secundário e colectividades de cultura e recreio (2) que prestam valiosos serviços à comunidade local.

2) Razões de ordem geográfica, demográfica, social e económica

A aglomeração de Corroios, que se pretende elevar a vila, é formada pelos lugares de Corroios, Quinta do Brasileiro, Miralejo, Alto do Moinho, Vale de Milhaços c Pinhal de Vidal, que constituem um aglomerado urbano contínuo.

A sua localização, na continuação da cidade de Almada, confere-lhe características urbanas, quer no tipo dc vida dos seus habitantes quer no aspecto paisagístico. No entanto, enquadrando os edifícios de habitação mul-lifamiliar, Corroios tem como limite nascente o esteiro da baía do Seixal, que permite a prática de actividades de aquacultura (viveiros de peixe), e um vasto sapal, que constitui uma reserva ornitológica importante.

(') António J. C. Maia Nabais, Moinhos de Maré. Património Industrial, 1986, C. M. do Seixal.

(2) Elementos para a História das Colectividades, 1982, C. M. do

Seixal.

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