O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

2951 | II Série A - Número 072 | 03 de Julho de 2004

 

histórico, cultural e arquitectónico que atraem inúmeros visitantes que, aos poucos, têm visto surgir várias infra-estruturas de apoio, nomeadamente no sector da restauração e do alojamento de qualidade, onde se incluem três unidades de turismo de habitação.

A cultura

Herança da permanência dos muçulmanos nestas paragens são os sítios de cariz lendário, aos quais o povo normalmente associa histórias de mouras encantadas.
Aos Calhaus da Moura em Mondim da Beira, aos Calhaus de Santarém em Formilo à Cama da Moura no Alto da Maia ou ao Calhau Furado em Dalvares andam ligados contos que, de geração em geração, têm teimado em persistir no imaginário popular. "Sonhar três vezes seguidas com o mesmo local", "o tesouro escondido", "o poço impenetrável", "a moura que penteia os cabelos", "os encantos", são palavras que se repetem nas versões fantasiadas da tradição oral, nos meios rurais.
O Rio Varosa que ora corre impetuosamente, galgando penedos e fragas, fazendo girar as mós dos moinhos, ora se amansa na vastidão e planura do vale principal que tanto se afunda em temíveis poços como ultrapassa gargantas apertadas e sombrias com as suas águas revoltas e indomáveis, também inspirou a imaginação popular.
Contos de lobisomens, de bruxas vingativas, lavadeiras ou bailadoras ainda se podem ouvir às pessoas mais idosas que em geral as associam ao rio, às suas pontes ou aos seus moinhos.
Fruto de uma mescla de superstição e de religiosidade esta forma de cultura popular delicia agora os mais cépticos, enquanto não há muito tempo deleitava os netos que à lareira, aconchegados, escutavam os seus avós.
As lengalengas, as orações, as cantigas populares, os ensalmos, resistem ao passar dos tempos expressando toda uma sabedoria própria das nossas gentes.
Para a preservação das tradições etnográficas muito têm contribuído algumas das perto de quatro dezenas de associações culturais e recreativas existentes no concelho.
Ranchos (folclóricos e grupos de cantares têm feito trabalhos de recolha e divulgação deste valioso património. Património valioso tem Tarouca, também, nas suas bandas de música. Gouviães com duas bandas musicais (uma na sede de freguesia e outra em Eira Queimada, povoação anexa); Salzedas e Tarouca mantêm em plena actividade as suas filarmónicas que, com as suas escolas de música, têm assegurada a sua continuidade.
A Academia de Música de Tarouca, em funcionamento desde o ano lectivo 1999/2000, tem sido um autêntico "viveiro" de jovens músicos que, juntamente com executantes mais experientes das três bandas musicais, deram corpo à Orquestra Ligeira da Câmara Municipal de Tarouca que, de há três anos a esta parte, tem sido urna digna representante do potencial musical do concelho.
A arte de tocar concertina, costume que se estava a apagar, atravessa, graças à Escola de Concertinas de Dalvares, um momento de grande fulgor que tem feito de muitos jovens, exímios executantes deste instrumento.

Artesanato

Na maior parte dos. povos que constituem as dez freguesias do concelho ainda subsistem focos de artesanato que as mãos dos mais idosos teimam em preservar.
É em Várzea da Serra que se encontra a maior diversidade de produtos artesanais: as croças de junco, as capuchas de burel, as meias de lã, os panos e toalhas de linho e as mantas de retalhos confeccionadas em teares de madeira.
Em Vila Chá da Beira ainda há bem pouco tempo se fabricavam carros de bois e engaços de pau. Mondim da Beira, devido ao fabrico das meias, chegou a ser conhecida por Mondim das Meias. Em Gouviães, ainda há uma dúzia de anos, havia um notável ancião que se dedicava à escultura de cristas em madeira. Com esta matéria-prima ainda hoje se fabricam tamancos nesta localidade. A arte de trabalhar manualmente o feno, ainda perdura em Salzedas. Em Dalvares, os últimos fabricantes de pardelhos (redes de pesca artesanais), ainda mantêm viva esta arte peculiar. A cestaria é talvez a arte que parece ter assegurada a sua continuidade, pois quer em Esporões quer em Quintela podemos ainda apreciar o trabalho de persistentes cesteiros. A latoaria, que há meia dúzia de anos, podíamos encontrar na vila de Tarouca, acabou por sucumbir, não resistindo à mudança dos tempos e dos hábitos. Bem mais cedo, nas primeiras décadas do século XX, se fabricaram os últimos sinos na Granja Nova, que, um pouco por todo o concelho ainda encimam as torres das igrejas.
Existe ainda uma azenha em Gouviães e alguns moinhos a laborar em Murganheira e S. João de Tarouca. Em alguns povos desta freguesia fabrica-se o queijo de cabra e, em Salzedas faz-se o famoso "biscoito da Teixeira".
Estas actividades são normalmente lembradas durante o cortejo etnográfico que tem lugar nas festas do concelho em honra de S. Miguel, nos finais de Setembro. O dia de S. Miguel é feriado municipal e dia de feira anual em Tarouca.
Durante as festividades de S Pedro, padroeiro da freguesia de Tarouca, tem lugar no centro cívico desta vila a Expovarosa, feira das actividades económicas e culturais da região do Varosa e que vai este ano para a sua oitava edição. Duas ou três semanas antes, a biblioteca municipal tem promovido uma Feira do Livro, que também vai para o oitavo ano consecutivo de realização.

Resenha histórica de Tarouca

A pré e a proto-história:
Através do altiplano, a que vulgarmente se chama Serra de Santa Helena, encontram-se inúmeras covinhas cupuliformes, provavelmente ligadas ao simbolismo religioso do homem primitivo.
Ao culto dos mortos estão ligadas algumas construções dolménicas hoje praticamente irreconhecíveis, às quais se relacionam alguns topónimos como o lugar de Mendinho, Antas ou o sítio da Mão Furada.
No lugar de Anafroia, em Arguedeira, existem várias edificações do tipo dolménico, diferentes das habituais, pois a sua cobertura não é em lajes mas, sim, em blocos de pedra mais pequenos, a que os locais chamam "as casinhas dos mouros".

Os Castros

No Monte de Santa Bárbara, sobranceiro à povoação de Dalvares, existem restos da muralha do que teria sido o Castro-Rei. Aqui foram encontrados vestígios do período neolítico, da Idade do Ferro e do Bronze.
Dominando a vila de Mondim da Beira, nos limites da freguesia e do concelho, podemos encontrar as ruínas do Castro de Mondim que chegou a ser explorado pelo Professor José Leite de Vasconcelos, facto que poderá estar na origem da sua apetência pela. arqueologia.
Vestígios ténues de um outro Castro podem também deparar-se-nos no Alto da Maia, em pleno Monte de Santa Helena.

A história

A história da vila de Tarouca, como, aliás, de todo o concelho, não deixa dúvidas quanto à sua importância no contexto regional e mesmo nacional.

Páginas Relacionadas
Página 2947:
2947 | II Série A - Número 072 | 03 de Julho de 2004   Equipamentos e infra-e
Pág.Página 2947
Página 2948:
2948 | II Série A - Número 072 | 03 de Julho de 2004   A existência desta fre
Pág.Página 2948
Página 2949:
2949 | II Série A - Número 072 | 03 de Julho de 2004   vão repartindo, também
Pág.Página 2949
Página 2950:
2950 | II Série A - Número 072 | 03 de Julho de 2004   Deste modo, os Deputad
Pág.Página 2950