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Connie Van sTaden | de dealer a líder Connie van Staden, defensor dos direitos humanos e ativista, SAnPud, áfrica do Sul

nasci em 1975 numa família com rendimento médio, na zona ocidental de pretória na áfrica do sul, durante um período de agitação política. uma coisa que gostaria de ter alterado na minha infância foi o facto de os meus pais serem ambos alcoólicos. o meu pai era inspetor de gás de uma grande refinaria e a minha mãe trabalhava no setor dos serviços funerários. ambos eram bons trabalhadores e funcionais, e nós nunca fomos expostos a violência ou qualquer outro estereótipo associado aos “filhos de alcoólicos”. Contrariamente à narrativa habitual, na nossa família havia sempre muito amor, comida suficiente e muitas risadas! na maior parte do tempo, eramos uma família muito feliz. no entanto, infelizmente ambos sucumbiram ao álcool ainda muito novos. a minha mãe faleceu em 2008 (aos 49 anos) e o meu pai em 2007 (aos 53 anos).

Quando tinha 15 anos, comecei a frequentar bares em pretória e experimentei químicos psicoativos, nomeadamente ecstasy e lsd. logo no dia a seguir a consumir lsd, experimentei heroína e apaixonei-me! adorei o que a droga fez por mim. Tirou-me toda a dor, todas as amarguras e não interessava que as pessoas dissessem “És um drogado inútil, não tens disciplina, és criminoso, não tens ética.” nada me poderia aborrecer.

Tornei-me a pessoa para a qual os pais advertiam os filhos! eu era a pessoa popular n.º 1, aquele que todos queriam conhecer, era quem animava a festa. Claro que muitos dos “pesos pesados” nos bares notaram isso e pediram-me para vender drogas. isso tornou-se uma ótima forma de financiar o meu próprio vício (que agora se estava a estabelecer rapidamente).

durante muitos anos, fui um consumidor funcional. Conseguia trabalhar, manter os laços familiares e de amizade e ter contactos sociais regulares. até consegui concluir o 12.º ano em 1994, mas não continuei os estudos.

Quando tinha cerca de 21 anos, tentei deixar de consumir heroína, mas não consegui. ela não só era uma barreira entre mim e o duro quotidiano, como também me tinha tornado fisicamente dependente, com sintomas de abstinência terríveis se não usasse.

Quando o meu pai faleceu em 2007, aumentei o consumo, perdi o emprego, fugi de casa e acabei a viver nas ruas. o medo, bem como a falta de recursos e apoios impediam que optasse por mudar. Muitos médicos na altura não sabiam administrar corretamente medicamentos como o suboxone e a Metadona. o estigma do consumo de drogas e a exclusão social apenas serviam para me manter ainda mais longe de procurar a ajuda que precisava. eu acho que muito disso advém da falta de formação não só de médicos e enfermeiros, mas também dentro das nossas comunidades.

em 2015, uma nova organização em pretória, chamada step up, começou a oferecer cuidados de saúde aos consumidores de heroína e trabalhadores do sexo que vivam nas ruas. eu envolvi-me, pois sentia que podia contribuir com importantes lições de vida. ao mesmo tempo, lancei uma rede de consumidores de drogas chamada duG (drug users of Gauteng), disponibilizando pela primeira vez na áfrica do sul uma plataforma onde os consumidores locais de substâncias podiam ter voz e um sentido de pertença. eu fui a primeira pessoa a entrar no projeto step up e no programa Troca de seringas. Hoje há mais de 3.000 pessoas a aceder ao programa e a nossa rede tem 175 membros registados, só no centro da cidade.

em 2016, o step up contratou-me como funcionário pago e, assim, pela primeira vez, tive uma oportunidade para realmente mudar a minha vida. Muitas pessoas perguntam o que me fez decidir mudar. foi o mero facto de um completo estranho me ter mostrado amor incondicional e respeito. esta organização não me estava a julgar, independentemente do que eu decidisse fazer com a minha vida, e isso fez-me pensar: se um completo estranho me consegue tratar assim, talvez eu mereça algo melhor. desde esse dia, comecei a tomar melhores decisões de saúde e cuidado pessoal na minha vida.

Hoje em dia tenho um bom salário, estou em programa de metadona, tenho o meu próprio espaço, um portátil e um telemóvel. interajo com consumidores de substâncias, agentes da polícia, profissionais de saúde e professores universitários. Tenho orgulho nas mudanças que fiz na minha vida e espero continuar a ser um embaixador para as pessoas que usam drogas no meu país.

16 DE JULHO DE 2019______________________________________________________________________________________________________________________

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